Navegando entre passado e futuro – Alex Medeiros

Por Clark Quente   As ondas da Internet, espalhadas pelos sistemas tipo Wireless, Wifi, Wimax ou Bluetooth, são uma nova…

Por Clark Quente

 

As ondas da Internet, espalhadas pelos sistemas tipo Wireless, Wifi, Wimax ou Bluetooth, são uma nova camada a embrulhar o planeta, além da estratosfera, ionosfera e outras feras do gênero. E seu alcance, desconfio (sem fio), é de espaço e tempo.

Semana passada, um estranho viajante num veículo que me pareceu um carro de corridas, me levou a passear por Natal e, quando menos esperei, estávamos circulando pelas ruas do passado. Quase atropelávamos o Câmara Cascudo na Ribeira.

Meu amigo estrangeiro avançou pelo Rio Potengi, pegou a Boca da Barra e se danou pelo mar da Redinha, entrando rapidamente nas profundezas das águas atlânticas. Fomos bater na costa de Portugal, onde ele estacionou num trapiche do rio Tejo.

Enquanto o cara foi procurar uns mapas que dizia precisar, entrei por aquela Lisboa dos anos 1920, com seu romantismo brotando em cada esquina, em cada conversa das mesas de café de um Rossio que me parecia tão renovado e belo no seu estilo manuelino.

Para meu espanto, percebi que o laptop que eu trouxera na viagem estava com a bateria cheia e que o sinal de Internet permanecia aceso. Pois não é que ao acessar o navegador, rapidamente entrou a página de acesso do blog de Alex Medeiros? Eu não acreditei.

Busquei uma mesa de um dos cafés e fiquei a navegar, era um fato histórico muito mais incrível do que a própria viagem no tempo. Eu estava no passado de mim mesmo lendo as notícias do meu presente que ali, naquele instante, eram fatos do futuro.

E eis que me chega um cidadão luso, que decidira – entre outros tantos assustados que me olhavam – se aproximar e indagar de quem eu se tratava e o que era aquele objeto em cima da mesa. Custei para explicar que eu vinha do futuro, 80 anos além.

O homem ficou entre o arrebatamento e o descrédito, numa espécie de limbo da curiosidade humana. Aos poucos foi demonstrando um bom conhecimento da História e das artes, mas mantendo uma desconfiança discreta quanto à minha conversa.

Falei para ele sobre os acontecimentos nas sete décadas que nos separava, do avanço da medicina e da ciência, o surgimento da televisão, as transmissões ao vivo, as ligações telefônicas intercontinentais, a viagem do homem à Lua, a Guerra que se aproximava.

Mas nada deixou o cara tão maravilhado do que minha explanação sobre a informática, sobre o advento dos computadores na vida cotidiana do futuro, o casamento perfeito entre os bits e os eletrodomésticos, a música nos iPods e nos iPhones, o WhatsApp.

O novo amigo português, que na minha volta ao presente se tornou velho amigo, era um poeta respeitado naquela Lisboa, uma personagem emblemática cuja identidade apenas um só homem conhecia com perfeição. Ficou abismado com meu computador portátil.

E ali mesmo, debaixo da bruma romântica dos anos 20 do século passado, depois de navegar na internet, procurar por si mesmo no Google e conversar com um seguidor de Alex de Souza no Twitter, o bardo luso se inspirou a escrever um longo poema.

Perguntei seu nome e ele me disse chamar-se Álvaro de Campos, mas desconhecia qualquer outra informação sobre sua vida, como nome dos pais, parentescos. Também não tinha memória da sua vida na infância e adolescência. Só sabia que era um poeta.

Passou a tarde inteira escrevendo no Word do meu laptop um longo poema que intitulou “Ode Triunfal”. Em louvor do futuro e da tecnologia que estava por vir. Alguns trechos, me jurou, eram diretamente voltados para a internet e os internautas.

Cantou o meu amigo do passado: “Tenho fé e escrevo. Digito rangendo os dentes, fera para a beleza disto. Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. Em febre e olhando os computadores como a uma Natureza tropical”.

Ao passar dos anos, diante dos mistérios em torno da existência daquele poeta e do seu estranho amigo com o estranho equipamento, a grande poesia de Álvaro de Campos foi modificada em alguns trechos e sua autoria foi transferida para Fernando Pessoa. (CQ)

Brasil inseguro

O Índice Global da Paz divulgou estudo sobre os países mais seguros do mundo em 2014 e revelou que o Brasil caiu cinco posições no ranking em relação a 2013, ocupando agora a 91ª posição entre 162 nações analisadas. Enquanto isso, na Copa…

Violência

O IGP é composto por 22 indicadores qualitativos e quantitativos, que mesclam o impacto da violência na economia, educação, democracia, transparência e bem-estar material. A economia brasileira sofreu um prejuízo de US$ 117 bilhões, diz o estudo.

Só politicagem

Em 2012, o governo Dilma Rousseff lançou com estardalhaço midiático o Programa Brasil Mais Seguro, que foi instalado no RN ano passado com muito discurso e nenhuma prática por parte do governo Rosalba e dos seus então aliados do PMDB.

Cabotagem

As autoridades jurídicas e tributárias do país parecem fazer vista grossa com a fortuna torrada pelo governo do PT no porto de Mariel, em Cuba. Não custava uma investigação para ver se há algum indício de cabotagem pecuniária para o caixa dois.

De François Silvestre

“Quando você for bombardeado por campanhas caras, pagas com dinheiro público, dizendo que a vida tá melhorando, mesmo que a realidade desminta cada fantasia, ligue não. Um dia os estrangeiros voltarão ou, quem sabe, haverá governo”.

Licitação

Várias agências de propaganda entregaram hoje de manhã suas propostas técnicas para a concorrência pública da Prefeitura do Natal, que irá credenciar cinco empresas para tocar a publicidade e o marketing da administração do prefeito Carlos Eduardo Alves.

Custos

Os gastos registrados na Justiça Eleitoral pelos candidatos do PMDB aos governos de SP e RN sugerem uma diminuição na distância entre os dois estados no quesito riqueza. Paulo Skaf vai gastar R$ 95 milhões, enquanto Henrique Alves R$ 40 milhões.

Comparação

No Rio Grande do Sul, estado bem mais rico que o nosso RN, o atual governador Tarso Genro (PT) tentará a reeleição com gastos que são a metade dos registrados por Henrique Alves e equivalentes aos de Robinson Faria (R$ 18 milhões), do PSD.

Força bruta

A mídia pacheca usa o episódio de Neymar para esconder a virilidade do futebol atual jogado pela seleção brasileira, uma das seleções mais duras da Copa. Contra a Colômbia, James Rodriguez e Cuadrado foram os jogadores mais caçados em campo.

Faltas

Os jogadores do Brasil fizeram 31 faltas no jogo, enquanto os da Colômbia fizeram 22. Até à entrada violenta de Zuñiga em Neymar, o camisa 10 brasileiro havia tomado apenas 3 faltas. Os criadores rivais, Cuadrado e James, sofreram 6 faltas cada um.

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