Nélter Queiroz cobra: “Governadora tem que mudar esse tipo de gestão”
Ausência de políticas públicas contra o aumento da violência; hospitais superlotados, desabastecidos e com equipamentos deficientes; morte do rebanho bovino e caprino, falta de água no interior do Estado. O quadro de calamidade por que passa o Rio Grande do Norte seria fruto do modelo de gestão adotado pela governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que privilegia a sua participação pessoal em solenidades em detrimento de maior dedicação a reuniões de planejamento e soluções administrativas. “Rosalba tem que mudar esse tipo de gestão”, alerta o deputado estadual Nélter Queiroz (PMDB).
O modelo “concentrador, isolado e antidemocrático” do governo apontado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, em entrevista na última segunda à imprensa, nada mais seria que um estilo de governar em que a governadora vai à praça pública “representar” o Estado, enquanto que, na retaguarda, o governo e seus problemas são geridos pelo super-secretário-chefe do Gabinete Civil, Carlos Augusto Rosado.
O homem que gere o Rio Grande do Norte é conhecido por ser um exímio político. No entanto, não se conhecem seus atributos administrativos. Resultado: em vez de primar pelo planejamento e pela execução de políticas públicas que tirem o RN do atraso, o “governador” concentra-se na próxima eleição. Talvez isso justifique o governo deixar acéfalos por tanto tempo os cargos de diretor-geral do Walfredo Gurgel e de secretário de Agricultura, em plena crise da saúde e da seca. Os cargos estão sendo negociados politicamente com os aliados.
A própria vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a que cabe a Rosalba indicar, estaria aguardando os desfechos das articulações para a reeleição da governadora em 2014, para ser usada como moeda de troca eleitoral. A vaga está aberta há um ano e quatro meses. Simples concluir que, nesse contexto, os problemas do estado ficam em segundo plano. O que seria graças ao estilo mais político do que executivo de Carlos Augusto Rosado.
O presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Motta (PMN), declarou nesta terça que o governo precisa apressar as mudanças que pretende imprimir à administração, visando alavancar o governo, que vem sendo reprovado pela população, segundo pesquisas de opinião publicadas no começo deste ano. Para Nélter, “o governo está sabendo. Ricardo Motta falou. O governo tem que mudar esse tipo de gestão”.
EXEMPLOS
Os exemplos de não resolutividade de problemas setoriais que descambam na incompetência administrativa são inúmeros, segundo o deputado, que citou apenas dois, da área de recursos hídricos. Ele conta que, para conseguir locar um poço, há mais de um mês vem conversando com o titular da pasta, Gilberto Jales. “Há um mês o secretário me prometeu e até hoje não deu nenhuma satisfação. Garantiu que ia perfurar e locar. Mas não saiu do canto”, exemplifica.
Nélter cita ainda outro caso de solicitação de instalação de um poço num local que já está perfurado, desta feita um pleito de dois anos atrás. “Cansei de pedir ao governo há dois anos, para instalar esse poço, que já está perfurado. O governo conhece e não resolve”, diz. “O secretário Gilberto Jales é atencioso, pessoa boa, confirmou que a governadora autorizou 200 poços, mas não resolve”, diz Nélter.
Seriam exemplos como esses que se repetem diariamente, em quase todos os setores da administração, que desgastariam a gestão. As Centrais do Cidadão, que reúnem os órgãos que prestam serviços à população, hoje são um dos programas mais criticados pela população que se habituou a extrair dele bons resultados nas gestões de Garibaldi Filho (PMDB) e Wilma de Faria (PSB).
O Programa do Leite, de cunho social e com impacto na economia, também estaria “sangrando”. Na seca, segundo especialistas, o programa poderia ter sido modificado para somar no combate aos efeitos devastadores da estiagem, mas o que se ouve comumente são críticas em relação a sua execução e também à qualidade do produto entregue ao mais carente.
Para Nélter Queiroz, além de fazer funcionar os serviços básicos, o governo precisa também ter bastante criatividade. Nessa ordem, diante da falta de recursos públicos, ele sugere que Rosalba negocie com a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Justiça a devolução provisória de recursos via orçamento para fazer o enfrentamento no período da calamidade. Na sua avaliação, a quantidade de poços que o governo pretende instalar está abaixo da necessidade.
“A governadora anuncia a construção de 200 poços. Mas isso é pouco. Se o governo não tem dinheiro para fazer um programa que atenda bem a questão da seca devia sentar com o Tribunal de Justiça e com a Assembleia Legislativa para encontrar uma fórmula de haver a devolução desse dinheiro que os poderes constitucionais têm em caixa, repassando de volta em seguida. Seria uma ação para enquanto durar essa seca”, sugere o parlamentar.
Ainda no tocante à seca, Nélter criticou Rosalba afirmando que, quando ela assumiu o governo, criticou a antecessora Wilma de Faria, por ter deixado quase 1000 poços perfurados. “Rosalba criticou a incompetência de Wilma não ter instalado, e ela com mais de 2 anos, não instalou. Pela o amor de Deus, é burocracia, máquina pesada, pode ser. Mas o interior está praticamente dizimado, é a seca, é o aperto fiscal, são as blitz, ninguém pode sair de casa para canto nenhum. As feiras estão se acabando, o gado morrendo. O governo tem que partir para conseguir ração, para ver se escapa o rebanho. Que o governo abra a caixa preta, mostre para as instituições, e consiga esses recursos”, finalizou.
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