Ney Lopes critica excesso de fisiologismo e prega o entendimento no RN

Ex-deputado quer o “Concertácion” em prática também no Estado

Ney Lopes analisa situação política atual: “Grande parte das dificuldades da ação político-administrativa é porque os adversários são tratados como inimigos”. Foto: Divulgação
Ney Lopes analisa situação política atual: “Grande parte das dificuldades da ação político-administrativa é porque os adversários são tratados como inimigos”. Foto: Divulgação

O ex-deputado Ney Lopes recebeu na última sexta-feira (29), no Tribunal de Contas do Estado, a medalha do mérito Dinarte Mariz e O Jornal de Hoje aproveitou o momento para que o parlamentar comentasse o atual momento político do Estado, uma vez que as eleições de 2014 foram antecipadas nos debates políticos e as alianças já começam a ser discutidas.

Na ocasião, Ney Lopes proferiu um discurso veemente clamando pela reforma política, eleitoral e partidária e sugeriu que a classe política analisasse a experiência chilena conhecida como “Concertácion”, ao invés de adotar praticas de mero fisiologismo eleitoral na tentativa de preservação dos mandatos atuais.

Presentes a solenidade, o presidente da Câmara Federal, Henrique Alves e o ministro da previdência Garibaldi Alves entusiasmaram-se com a ideia, além de outros políticos e a plateia em geral. A esposa do deputado Henrique Alves, jornalista Laurita Arruda, chamou a proposta em seu blog “Território Livre” de “La Concertación papa gerimun” e admitiu que “Lopes pode ter dado o mote que os grupos políticos do RN estão precisando: um discurso sem o tom pejorativo do acordão”.

JH ouviu o ex-deputado Ney Lopes e ele esclareceu que a “Concertácion” não é acordão: “Em absoluto. A disputa livre entre vários candidatos foi fundamental para que a experiência desse certo no Chile. Trata-se apenas de, antes da eleição, serem definidas metas gerais (macro econômicas e sociais) apoiadas por todos os candidatos. A forma de executá-las cada um vai dizer na campanha e o povo escolhe livremente. Portanto, não se trata de ‘acordão’, mas sim uma campanha eleitoral pré-planejada, na qual todos os candidatos tenham compromissos com metas comuns e assim seja afastada a demagogia e promessas mirabolantes”.

Ney Lopes prosseguiu dizendo que “os chilenos perceberam em 1988, após a ditadura de Pinochet, que a administração pública democrática só funcionaria com as condições de governabilidade favorecidas, ou seja, com metas pré-definidas e aceitas pelo maior número possível de partidos, mesmo antagônicos entre si. Isto porque, existe uma sobrecarga de reivindicações, demandas sociais justas e o dinheiro do orçamento não pode atender a todas elas ao mesmo tempo”.

“Para definirem as prioridades do Chile sentaram-me a mesa e fundaram até uma entidade civil, políticos de variadas tendências, como democratas cristãos, radicais, socialistas, conservadores, liberais, sociais democratas, esquerda, comunistas, humanistas”, acrescentou o ex-deputado.
“CONCERTÁCION PAPAjERIMUM”

Ney Lopes acha possível prosperar no RN a tese de um “pacto de governabilidade” para a eleição de 2014, de forma semelhante a “Concertácion chilena”. Várias entidades poderiam coordenar esse trabalho, como por exemplo, a Igreja e a OAB.

Afirmou Ney que “grande parte das dificuldades da ação político-administrativa é porque os adversários são tratados como inimigos. Por tal razão é necessário criar instâncias de discussão acima dos partidos, nas quais se promova a realização de acordos de governabilidade entre as diferentes forças políticas e ideológicas. Não haveria adesões, nem contra partida de cargos, ou vantagens. Apenas, a definição clara, para o eleitor conhecer previamente, das prioridades possíveis em relação ao futuro do estado, com propostas e alternativas concretas”.

“Têm que ser afastados os planos ou promessas irrealizáveis, a partir do princípio de que as obras desejadas pela população são infindáveis, porém o Orçamento Público tem limites”, acrescentou o ex-parlamentar. Ney considera isso seria realmente o “novo”, com base na experiência bem sucedida de um país latino-americano.

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