Neymar e o novo chefe – Rubens Lemos

Desde o goleador e até hoje idolatrado Evaristo de Macedo, nos anos 1950, sem incluir o fracasso de apostas erradas…

Desde o goleador e até hoje idolatrado Evaristo de Macedo, nos anos 1950, sem incluir o fracasso de apostas erradas e famosos nem tanto, Neymar é o brasileiro que menos comprovou a fama de supercraque ao vestir a camisa do Barcelona.

Ele é o top, é a referência da seleção brasileira de Felipão e, jogando em casa, liberado de obrigações esquemáticas, é possível que deslanche como nos tempos de Santos e gols contra times do interior paulista.

Ou, para amenizar a ira dos ufanistas, repetir o desempenho irretocável no título da Copa das Confederações, quando jogou assumindo responsabilidade e cumprindo expectativas.

O Barcelona está de técnico novo. É o aguerrido Luiz Enrique, meio-campista da seleção espanhol vítima de uma das maiores injustiças da Copa do Mundo.

Nas quartas de final da Copa de 1994, levou uma cotovelada brutal do italiano Tassoti, vista pelo mundo inteiro pelas câmeras de televisão e desprezada pelo árbitro.

A Espanha perdia – como de fato perdeu -, por 2×1 e o erro foi crucial para o fim da história. É revoltante a imagem de Luiz Enrique, rosto sangrando, em desespero implorando a marcação do pênalti.

A Espanha foi eliminada num dos maiores assaltos à arbitragem armada dos Mundiais. Tassoti e o maior culpado, o apitador, também foram banidos, mas o prejuízo passou 16 anos até ser corrigido com a taça de 2010.

Luiz Enrique ocupa o lugar do fraco Tata Martino. Acaba, de verdade, o ciclo do Barcelona encantador entre 2009 e 2013 e com espasmos de magia este ano, tingido de fracassos, de fadiga tática e de títulos perdidos.

A revolução de Pep Guardiola, técnico fã do autêntico e assassinado futebol brasileiro de magia e toques, terminou. Pode continuar com novas peças criadas nas categorias de base do próprio clube catalão, fornecedor de craques para as campeoníssimas seleções de base espanhola na Europa ou em contratações pontuais.

Nomes como Xavi e Iniesta, dois artesãos, saem da grama para virar história depois da Copa do Mundo, na qual chegam sob opiniões duvidosas e marcadas por um sádico prazer dos admiradores do jogo feio e fechado.

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Logo após ser anunciado, Luiz Enrique enfrentou o que o seu antecessor cansou de conviver. A pressão indiscreta pela garantia da vaga de Neymar.

A imprensa brasileira tratou de encher suas manchetes na internet de declarações elogiosas de Luiz Enrique a Neymar, que não fugiram ao mimimi convencional.

Educado e simpático, Luiz Enrique destacou a habilidade, a velocidade e o potencial do atacante que boa parte tendeciosa insiste em precipitar gênio igual a Pelé ou sumidade do nível de Garrincha, Didi, Romário ou Zico. Só não lhe garantiu vaga, optando em subir o muro das promessas e assegurando vez a “quem estiver melhor”.

Não se viu na Argentina qualquer movimento pela permanência de Lionel Messi no time titular. É desnecessário. Messi é o Barcelona e mais dez. O Barcelona tornou-se um mero detalhe do brilhantismo do Pibe. Sequer o esforçado e violento Mascherano apelou a qualquer lobby midiático.

Luiz Henrique, muito discretamente, criticou o uso exagerado de redes sociais pelos seus milionários boleiros. Nessa praia aí, Neymar nada de costas. É campeão inigualável em aparições babacas, merchandising e exibicionismos com monumentos femininos.

Levou o primeiro tranco do sedoso Felipão. O técnico da CBF esperou quieto para lhe dar o troco pelas insistentes e desagradáveis postagens insinuando o desejo de estar ao lado do seu ídolo e mentor, Robinho, de início de carreira bem parecido e comprovado peladeiro de luxo. Felipão escanteou o ciscador envelhecido.

Acostumado a guerrear nos tempos de Espanha baseada na raça, Luiz Enrique não parece ser o tipo de sujeito capaz de ceder a seduções baratas. Neymar, agora, vive a atmosfera da Copa do Mundo e nela estará(ao menos deve estar), concentrado para buscar o hexacampeonato jogando num time mediano e meio.

Bem antes de Neymar chegar a Barcelona, Luiz Enrique assistiu e aplaudiu o show de Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Os quatro não precisaram de forcinha nenhuma para ganhar a idolatria da torcida.

Os erres magistrais entraram em campo, maravilharam o mundo e ganharam a glória pelos próprios pés. Neymar está muito longe do que eles construíram.

Tempo, ele tem para chegar lá. Basta aprender que até o individualismo intolerante permite a consagração coletiva. O que lhe parece faltar longe é o balé que exibe nos estádios onde vão berrar os desvairados compatriotas.

João Paulo

Com chegada prevista para amanhã, o atacante João Paulo terá o período da Copa do Mundo para se recuperar de contusão, entrar em forma e se tornar a solução para as jogadas de velocidade no ataque do ABC. Gilmar tenta, mas as condições físicas não permitem.

Campanha solidária

Crítico dos baderneiros infiltrados, é hora de dar parabéns às torcidas organizadas do América pela campanha de doação de sangue que estão lançando. Belo gesto. É melhor doar do que derramar. Só quem tem um familiar ou amigo doente sabe o valor de um gesto solidário. O doador é um ser humano adepto do compartilhar.

Vila Nova com Waldemar

O Vila Nova de Goiás padece na Série B e com justiça. Seu técnico e ninguém menos do que Waldemar Lemos, irmão menos famoso de Oswaldo de Oliveira. Talhado para diplomata, Waldemar Lemos fez péssima campanha pelo ABC no ano passado, tempo de tristes comandantes, exceto Roberto Fernandes.

Torneio

A Escolinha de Futebol Primeiro Gol, do professor Paulo Vitor dos Santos, promove torneio quente amanhã, das 7 às 11 horas no campo do Conjunto Leningrado, no Bairro Planalto, nas categorias até 13, 14, 15 e 16 anos.

Quem sabe de bola

Vão participar as equipes do Palmeiras do Conjunto Guarapes e as seleções do Leningrado, Planalto e Pitimbú. A garotada receberá premiação e lanche. Melhor: não vai pagar para jogar, o que é obrigatório e imoral nos clubes. Certeza de bom futebol nos pés dos meninos humildes.

Frase imortal da Enciclopédia

Dez anos antes de morrer, Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, matou a charada ao ser questionado sobre a decadência do futebol brasileiro. “Escolinha agora é pra rico, minha filha (a repórter). Desde quando rico joga bola?”

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