Neymar overdose – Rubens Lemos

Neymar está de pernas pro ar. Trivelou, driblou, chapelou, chapou, declamou o repertório brasileirinho sem ruído. Jogou demais. O pânico…

Neymar está de pernas pro ar. Trivelou, driblou, chapelou, chapou, declamou o repertório brasileirinho sem ruído. Jogou demais. O pânico chamado Neymar: não existe Amarildo para ele. Amarildo, o desacreditado Possesso de 1962, substituto de Pelé, machucado e compensado, de verdade, por um Garrincha vezes 11.

O cartãozinho ameaçador vai pairar sobre a cabeça de Neymar e do país ufanista enquanto a seleção estiver na Copa do Mundo. Ele não pode errar. Está sozinho no escrete mais medíocre desde a eliminação contra os espanhóis há 80 anos, time viajando de navio para se afogar na Europa.

O Brasil nunca dependeu tanto de um jogador. Nem de Pelé. Se não havia o Crioulo, a companhia qualificada compensava. Neymar joga sem o anteparo de Didi, Gerson, Rivelino, Tostão. Garrincha era uma multidão indecifrável de tão anárquica.

Neymar não é Pelé ou Garrincha, Zico ou Romário, mas todas as crenças, credos e ceticismos se irmanam para que ele exista, insista e resista. Sempre. Neymar é ótimo. Melhor ainda por jogar num péssimo time. Várzea com grife.

Holandês voador

De tão obtusa, a insistência virou vulgar. Modernidade para quem faz careta à arte é a rima pobre com brutalidade. É o costume do formato de octógono no quadrilátero gramado.

Robben, da Holanda, parece com um andróide, verdade. Como verdadeira é a sua espantosa técnica construída de categoria impetuosa. Robben corre. Sim, corre. Em direção ao destino do craque: o gol.

Rompe limites divisórios no arranque obstinado e sublima sua classe em tempo real nos cortes, arremates e passes métricos de brasileiro cinquentenário.

Robben parece um robô. É, parece. Robben pensa. Diferente e melhor. Harmoniza criatividade e mecânica. O futebol, enfim, separa ao mundo, Robbens dos Robinhos. Robben voa no tapete mágico.

Upa, Fernandinho

Deu alguma lucidez ao meio-campo e livrou Felipão da Holanda. Sem Neymar em campo, o Brasil é um quiabo. Paulinho é o baralho. Fernandinho contra o Chile.

Portugal

Na bacia das almas, entubado na Copa do Mundo, Portugal só fez duas campanhas boas em mundiais. No tempo de Eusébio em 1966, graças à Pantera e seus comparsas do Benfica e depois com Felipão em 2006 quando chegou até às semifinais. Não há tradição lusitana. Com todo respeito.

CR7

Com o time que tem de companhia, Cristiano Ronaldo pouco pode fazer. Sua participação na Copa do Mundo, para a qual veio machucado, além das performances de modelo internacional, até agora se resumiu ao passe para o gol de empate contra os Estados Unidos. O milagre contra Gana é difícil.

Fechar

A Colômbia tem tudo para aplicar um chocolate no Japão e encerrar a primeira fase como a seleção de maior charme e conjunto da Copa do Mundo, além de exibir o seu diferenciado camisa 10 James Rodriguez, tudo aquilo que não temos.

Em Natal

Com o clássico Uruguai x Itália, acabou a Copa do Mundo em Natal. A cidade, sem dúvida, ganhou visibilidade internacional e os viadutos no entorno da Arena das Dunas melhoraram o tráfego. É vida que segue, diria o mestre João Saldanha, o João Sem-Medo. Natal não poderá congelar nas lembranças dos turistas e dos jogos festivos.

Desempate

Na reta final imprevisível da primeira fase, é bom lembrar dos critérios de desempate para a classificação às oitavas: Número de pontos obtidos em todos os jogos da fase de grupos; saldo de gols em todos os jogos da fase de grupos; número de gols marcados em todos os jogos da fase de grupos.

Até sorteio

Caso duas ou mais seleções permaneçam empatadas após a aplicação dos critérios acima, a sua colocação será determinada com base nos seguintes critérios de desempate: Número de pontos obtidos nos confrontos diretos entre as equipes empatadas na fase de grupos; saldo de gols dos confrontos diretos das equipes empatadas na fase de grupos; número de gols marcados nos confrontos diretos das equipes empatadas na fase de grupos; caso a igualdade permaneça mesmo após a aplicação desses critérios, o desempate será feito por meio de um sorteio a ser realizado pelo Comitê Organizador da FIFA.

Campeões morais

Cena patética no Estádio Monumental de Nuñez em 24 de junho de 1978. Abraçados em procissão funeral, jogadores brasileiros festejam o terceiro lugar sem derrota na Copa do Mundo após vencer a Itália por 2×1. Cáusio fez um 1×0 para a Azurra. Valeram os golaços de Nelinho, um dos mais belos da história dos mundiais e o de Dirceu, chutando de canhota, no canto de Zoff.

Desculpa

O técnico Cláudio Coutinho, que convocou e escalou mal a seleção, sendo substituído, de fato, pelo presidente da CBD, Almirante Heleno Nunes, proclamou o Brasil “campeão moral”, em protesto pela vergonhosa entrega peruana contra os argentinos (6×0), resultado que desclassificou o escrete.

Campanha pífia

Embora invicto, o Brasil fez uma campanha pífia. Venceu quatro jogos e empatou três. Marcou 10 gols, sofreu três. O time improvisou Toninho Baiano na lateral-esquerda e na ponta-direita e Edinho foi o lateral-esquerdo titular, barrado por Rodrigues Neto. Também entrou no rol do ridículo o aquecimento de Jorge Mendonça: 38 minutos antes de entrar contra a Espanha no segundo jogo – empate por 0x0.

Quem ficou

Os melhores ficaram: Marinho Chagas e Marco Antônio. Paulo Cézar Caju não viajou e Zé Sérgio passeou. O melhor de todos na época – o volante e meia Falcão – perdeu o lugar para o brutamonte Chicão.

Brasil x Itália

Brasil: Leão; Nelinho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto; Batista, Cerezo (Rivelino) e Jorge Mendonça; Gil (Reinaldo), Roberto Dinamite e Dirceu. Técnico: Cláudio Coutinho. Itália: Zoff; Gentile, Cuccureddu, Scirea e Cabrini; Maldera, Antognioni (Cláudio Sala) e Patrizio Sala; Causio, Paolo Rossi e Roberto Bettega. Técnico: Enzo Bearzot.

Sub-17 do ABC

A equipe Sub-17 do ABC segue invicta no Campeonato Estadual da categoria. O time voltou a campo pela 5ª rodada do segundo turno, e jogando no estádio Barrettão, em Ceará-Mirim (RN), enfrentou o Globo e venceu o dono da casa por 1 a 0.

Tostão

O gol de Leandro. O treinador Jonidey Tostão escalou: Breno, Jaedson, Tonhão, Mateus e Heuler, Vinicius, Bebeto (Daniel) e Ítalo (Pedrinho), Leo (Anderson), Berguinho (Wellington) e Leandro.

Compartilhar: