No cravo e na ferradura
Editorial da Folha
Foram evasivas as respostas que deram o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) ao falar sobre o destino que dariam às verbas economizadas com o elogiável fim do 14º e 15º salários de parlamentares, medida aprovada no final de fevereiro.
“Espero que essas economias todas possam ser direcionadas para o fortalecimento da atividade do Senado”, disse o presidente dessa Casa. “Não sei. Boa pergunta”, afirmou o presidente da Câmara, como se não fosse significativa uma poupança estimada em cerca de R$ 80 milhões a cada legislatura.
Não faltaram, à época, comentários céticos diante da rara demonstração de austeridade. Menos de um mês depois, a desconfiança prova-se justificada: a Câmara já prepara outras despesas, com a criação de mais cargos comissionados e a ampliação da cota de gastos de cada parlamentar.
Desnecessário dizer que tais iniciativas resultarão em aumento de custos para a Câmara. No caso das cotas (verbas para passagens aéreas, contas telefônicas e combustível, entre outras), o reajuste deve acompanhar a inflação dos últimos dois anos, com impacto anual previsto em R$ 23 milhões.
Nunca é demais lembrar que o congressista brasileiro já é o segundo mais caro do mundo. Além das cotas parlamentares (que oscilam em torno de R$ 30 mil, a depender do Estado de origem do político), cada deputado recebe R$ 78 mil para contratar assessores, salário de R$ 26,7 mil e auxílio-moradia de R$ 3.000 – que também será reajustado.
A criação de cargos implicará custos menos suntuosos, mas nem por isso a iniciativa se torna mais palatável. Ao contrário, ela demonstra com eloquência como funciona a lógica tortuosa dos parlamentares brasileiros.
O que se pretende com o ato nada mais é que abrigar apaniguados do PSD. Como a sigla foi criada pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab depois das últimas eleições, o partido não participou, originalmente, da partilha de cargos – distribuídos de acordo com o tamanho da bancada eleita. Ou seja, em vez de redividir as vagas, a Mesa Diretora julgou ser mais conveniente abrir novos espaços.
A Câmara também anunciou medidas para diminuir despesas com horas extras de servidores. Iniciativa louvável, mas insuficiente para compensar a majoração de gastos.
Após seguidos escândalos, seria rematada ingenuidade supor que a Mesa age de boa-fé.
Seus ocupantes sabem melhor que ninguém o que estão fazendo: tiram um tanto com uma mão, para simular moderação perante a opinião pública, e recriam gastos com a outra.
Multas absurdas
A presença da militância petista nos órgãos federais não está apenas apodrecendo o gerenciamento da Petrobras, Correios, Banco do Brasil, etc. Os xiitas ambientalistas no Ibama parecem decididos a acabar com a secular indústria do sal no RN.
O fim da Internet
Um dos maiores especialistas em segurança contra hackers e vírus e principal executivo de controle de rede do PayPal, Markus Jakobsson, acaba de lançar o livro “A Morte da Internet”, prevendo que em dez ou quinze anos a www poderá ser extinta.
Fim da Petrobras
É preocupante a situação da Petrobras na cidade de Mossoró, onde apenas entre janeiro e fevereiro dizem que as demissões já atingiram mil pessoas e não está havendo renovação de contratos de serviços. Será que a empresa prepara uma saída à francesa?
É a PTbras
Imperdível a reportagem especial da revista Exame, com destaque na capa, sobre o que está ocorrendo na Petrobras depois de dez anos de PT no governo federal. A edição mostra em detalhes como a petralhada comprometeu o serviço de excelência.
Investigação
Até agora, nem MP, nem PF, nem delegado civil, nem corregedor de alguma coisa tentou descobrir como é a operação que tem desviado meio milhão por ano via o programa de proteção a testemunhas, dividido entre um militante e uma liderança.
Fusão
De vento em popa, de acordo com notícias de Brasília, a junção dos partidos PPS e PMN, comandados nacionalmente por Roberto Freire e Telma Ribeiro. Em concluída a fusão, quem deverá liderar o novo grupo no RN é o deputado Ricardo Motta.
Dilma x Eduardo
Enquanto tenta vestir o motorista venezuelano Nicolás Maduro com as roupas de um político sério, o marqueteiro João Santana festeja os 63% de aprovação de Dilma Roussef, acreditando que com mais duas pesquisas Eduardo Campos joga a toalha.
São Paulo 2014
Os principais pré-candidatos ao governo de São Paulo da base governista estão mal na pesquisa CNI/Ibope. Os ministros Aloizio Mercandante (Educação), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Alexandre Padilha (Saúde) são os mais rejeitados.
Copa 14
Não se surpreendam se até o fim do prazo para entrega dos estádios da Copa estoure uma operação policial averiguando distribuição de propinas milionárias nalgumas sedes. A não ser que parceiros da FIFA e CBF consigam anular a missão maior da Polícia Federal e Ministério Público.


