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No mar, em busca de água

Data: 12 março 2013 - Hora: 18:00 - Por: Alex Medeiros

Por Herton Escobar*

A cena lembra a de um bando de retirantes aglomerados em volta de um carro pipa no sertão nordestino. Só que no meio do oceano. Assim que cada garrafão é içado das profundezas pelo guincho, uma fila de pesquisadores com baldes, galões e garrafas térmicas vazias se forma no convés do Navio Oceanográfico Alpha Crucis para coletar o líquido precioso.

Em poucos minutos, a água é separada e distribuída pelos laboratórios da embarcação: 60 litros para genética de bactérias, 60 litros para análise de clorofila, mais 20 litros para microscopia de plâncton, e por aí vai. Dia após dia, garrafa após garrafa, o ciclo se repete cada vez que o navio “estaciona” em um novo ponto de coleta.

O líquido tão cobiçado pelos cientistas parece não ter nada de especial. É água do mar, transparente e inodora; aparentemente igual à que qualquer criança poderia coletar com um baldinho de praia na orla de Santos. Só que as aparências enganam.

Estamos em alto-mar, a 200 milhas náuticas (370 km) do Porto de Santos, e o leito do oceano aqui não dá pé para ninguém – está mais de 2 mil metros abaixo do casco do Alpha Crucis, submerso em frio e escuridão permanentes. As amostras de água coletadas aqui são bem diferentes das da praia, e valem ouro para a oceanografia brasileira.

“É água, sim, mas uma água muito cara”, resume, com precisão germânica, o alemão Rudiger Rottgers, único estrangeiro à bordo, numa equipe de 18 professores e jovens cientistas de universidades de São Paulo, do Paraná, do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

Cada dia de operação do Alpha Crucis no mar custa cerca de R$ 54 mil, incluindo combustível, alimentação, salários da tripulação e outros gastos operacionais. O navio, de US$ 11 milhões, foi comprado em 2012 pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com a proposta de revolucionar as ciências oceânicas no Brasil.

Com 64 metros de comprimento e autonomia para passar até 70 dias contínuos no mar, é o maior navio de pesquisa civil da história da oceanografia nacional. É fim de janeiro. Esta é a quarta expedição de pesquisa do Alpha Crucis desde que o navio chegou ao Brasil, em maio de 2012.

Três delas dedicadas ao projeto Carbom (Caracterização Ambiental e Avaliação dos Recursos Biogênicos Oceânicos e da Margem Continental Brasileira e Zona Oceânica Adjacente), que tem como objetivo descrever e quantificar todos os processos relacionados ao ciclo de carbono no oceano brasileiro. Um desafio de proporções oceânicas, literalmente.

Os resultados serão cruciais para o estudo de questões relacionadas às mudanças climáticas, à sustentabilidade da pesca, à biotecnologia e à conservação da biodiversidade marinha. “O carbono é a base de tudo, pois é a matéria-prima da matéria orgânica que alimenta todos os processos biológicos e muitos dos processos bioquímicos do oceano”, justifica o pesquisador Frederico Brandini, do Instituto Oceanográfico da USP, que coordena o projeto.

As pesquisas desta expedição, representam apenas um componente (o biológico) do projeto como um todo. Outros componentes envolvem questões físicas, químicas e geológicas do ambiente marinho, abordadas em outras expedições, com instrumentos e metodologias diferentes.

O objetivo geral é descrever como gira a “economia de carbono” do oceano brasileiro, quantificando tudo que entra, tudo que sai; quanto fica estocado, por quanto tempo, de que forma (no plâncton, nos peixes, nos sedimentos ou dissolvido na água), e qual o saldo disso tudo para os seres humanos, os seres marinhos e o planeta como um todo. (HE no seu blog do Estadão)
- *Leia a íntegra do texto em http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/

 

Novo papa
Ao invés de ficar especulando o resultado do Conclave, como faz com eleições político-partidárias, a mídia internacional (e principalmente a brasileira, que torce por dom Odilo como em futebol) deveria solicitar uma coletiva com o espírito santo.

Ponta Negra
Quando é que alguém vai avisar ao prefeito Carlos Eduardo que cabe a ele, é prerrogativa da prefeitura, fazer a obra de reconstrução do calçadão de Ponta Negra, e que fazer obras não é ofício de promotor público do patrimônio ou meio ambiente?

Novela
Quem tiver alguma amiga que assistiu a novela Lado a Lado fica fácil medir a dimensão da audiência de estreia de Flor do Caribe, que obteve 18 pontos no Ibope, mesma média da antecessora. Em Natal, há torcida que acha uma audiência estupenda.

Imagem
Segundo noticiou o colunista paulistano Gilberto Di Pierro, a TV Globo anda preocupada com a provável batalha de egos entre Grazi Massafera e Débora Nascimento em Flor do Caribe. É que pesquisas apontam uma perigosa hiperexposição da ex-BBB.

Trend topics
Quer entender o grau de importância dos TT, os assuntos mais comentados no Twitter? Basta observar que os programas Pânico na TV e CQC, que obtiveram raquíticos pontos na Band, apareceram entre os dez temas mais badalados pelos twiteiros. Sacou?

Decadência
Morreu no final de semana o alagoano Leopoldo Collor de Mello, irmão mais velho do senador Fernando Collor. Sofria de um câncer que lhe desfigurou o rosto e enfrentava dificuldades financeiras, tanto que morreu num hospital público e sem plano de saúde.

Delinquência
Tem documento oficial da Polícia Civil sobre os atos violentos durante a manifestação “Revolta do Busão”, em agosto passado, que aponta um professor de comunicação entre os infiltrados que provocaram incêndio em ônibus, caindo a culpa nos estudantes.

No Ar
Tudo pronto para estréia do portal de notícias e opinião, www.portalnoar.com, que contará com três dezenas de blogueiros, entre eles Aluisio Lacerda, Ricardo Rosado, François Silvestre, Sergio Vilar, Moisés de Lima, Larissa Gabrielle, Zé Dias.

Mais blogues
Ainda no Portal no Ar, o meu blag Alex Medeiros fará companhia a Ana Carla Queiroz, Gladis Vivane, Marcos Lopes, Gustavo Negreiros, Alex de Souza, Djacir Dantas, Marana Torrezani, Aldemir Freire, Getulio Soares, Heraldo Palmeira.

Clássico europeu
Começa às 16h45 a segunda partida entre Barcelona x Milan pela Champions League, agora no Camp Nou. A palavra mais repetida na Catalunha tem sido “remontada”, equivalente a “virar o resultado”. O zagueiro Piqué prometeu que saem os 3 gols.

O feio
Mais um mimo ludopédico que acabo de consumir, graças ao presente de um velho amigo com residência em Londres. Cópia virtual, já traduzida, da carreira do jogador inglês Nobby Stiles, o desdentado que atuou como xerife na Copa de 1966.

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