Novela “Três Anos” tem no casal o exemplo da relação claustrofóbica

O que você encontrará na novela de Tchekhov é um sem número de conflitos amorosos e familiares

Ambos gritam em silêncio: É possível ser feliz sem amar o outro? Foto: Divulgação
Ambos gritam em silêncio: É possível ser feliz sem amar o outro? Foto: Divulgação

Conrado Carlos
Editor de Cultura

Quem é casado ou amancebado deveria ler Três Anos, de Anton Tchekhov.  E também quem pensa em casar ou separar nos próximos meses. A história do feioso Aleksei Láptiev, filho de um próspero comerciante moscovita, e da bela provinciana Iúlia Serguéievna pode ajudar a brecar precipitações ou definir o futuro de uma relação, se a literatura integrar suas prioridades. Aquele pensa em ter uma esposa jovem e bonita para reconfigurar sua imagem e postura acanhada – apesar da grana familiar. Esta, sonha em deixar a vida entediante do interior e virar uma dama na capital – mesmo fútil e burrinha. Lançada em duas edições da revista político-literária Russkaia Misl, em 1895, a novela tem como ponto de partida a seguinte pergunta: É possível ser feliz sem amar o outro? A narrativa tem quatro núcleos.

O primeiro começa durante uma estadia de seis meses de Aleksei na cidade onde mora sua irmã Nina, agonizante com um câncer que logo a vencerá. Iúlia, filha de um médico quebrado, é amiga de Nina e por ali conhece o futuro marido. O segundo, tem o patriarca Láptiev e o irmão mais velho de Aleksei, Fiódor. Ambos tocam um armazém e aguardam chateados pela decisão do mais novo de vir ajudá-los na labuta.

Enquanto isso, Iúlia se empolga com a amizade de parentes e amigos do esposo, homens de sua idade (Kich, Iártsiev e Kotchevoi), ao desembarcar em Moscou. Por fim, existe uma mulher, Polina Nikoláievna Rassúdina, sem atributos físicos, porém culta e trabalhadora, antiga amante de protagonista, que está magoada por ter sido abandonada.

A exposição das personagens já prenuncia a trama, não é? Pois, bem. O que você encontrará na novela de Tchekhov, um dos mestres da literatura russa (talvez a que mais se assemelhe à realidade dos grotões brasileiros, e por isso fundamental), é um sem número de conflitos amorosos e familiares, vários com grande chance de enquadrar o leitor pela verossimilhança com seu cotidiano conjugal. Assim que Iúlia aceita o pedido de casamento, mesmo sem amar Aleksei, abre-se um leque de meias verdades e questionamentos sobre a impossibilidade do amor eterno e da consequente atmosfera opressiva que surge com o passar dos anos. A cena emblemática acontece na sala, com os dois lendo em silêncio durante horas, sem qualquer interlocução.

Aleksei olha para a mulher e pensa: “[...] casar-se apaixonado ou sem amor, não é tudo igual?”. O ciúme, os agrados, a tolerância com caprichos tinham dado vez a uma resignação necessária para o bom funcionamento do matrimônio.  Tchekhov ambienta o drama na Rússia da segunda metade do século XIX, época de transição para a antiga nobreza, enfraquecida com o fim da servidão e o surgimento dos comerciantes. Todos os ambientes são claustrofóbicos, desoladores, como em uma relação intoxicada, e amplificam o grito silencioso de Aleksei e Iúlia, nesta que deveria ser uma das partes de um grande romance em união com o conto Minha Vida, um dos mais populares do autor que é mestre em profundidade concisa.

 

Jamaica Christmas
Hoje na Pizzaria e Batataria Curva do Vento, um dos points gastronômicos e musicais da galera alternativa (o termo é batido, mas não achei outro melhor), tem o Natal dos regueiros. A festa acontece há cinco anos e tem no cardápio sonoro de 2013 o Marrom, de Pipa, os natalenses do Du Souto (RN) e o californiano Colby Lee Houston. O local fica na rua Dr. Manoel A. Bezerra de Araújo, a antiga rua do Salsa, e tem como inspiração a Pizzaria Massa da Ilha, de Fernando de Noronha, onde um dos sócios da casa potiguar também marca presença. Começa às 23 horas e custa apenas R$20,00.

Concurso
Você tem uma casa, loja, restaurante, hotel, pousada ou gerencia um condomínio comercial ou residencial e acredita que a decoração da fachada deste ano ficou interessante para atrair clientes ou simplesmente agradar os passantes? Pois saiba que a Secretaria de Turismo da capital, em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL), está com um concurso bacana para eleger a mais bonita decoração natalina de 2013. As inscrições podem ser feitas até a próxima quinta-feira (26) no site www.cdlnatal.com.br. Os primeiros lugares receberão prêmio de R$ 5 mil e troféus.

Lemmy
Dia 24 de dezembro não é só a véspera do Natal. Para uma legião de devotos cabeludos, a data registra os 68 anos de Lemmy Kilmister, baixista e cantor líder de uma das bandas mais emblemáticas do rock pesado, o Motörhead.  Das estrelas do gênero, só ele supera Keith Richards na bagaceira etílica e alucinógena. É outro que ninguém sabe como ainda está vivo. O ex-roadie de Jimi Hendrix, pai de uma menina que teve com uma groupie que perdeu a virgindade com John Lennon, diz que ‘só’ transou com mil mulheres e que toma Jack Daniels com Coca-Cola até hoje.  Documentários diversos retrataram sua vida. Para alegrar seu Natal, escute o quarteto de discos clássicos, “Motörhead”, “Overkill”, “Bomber” e “Aces Of Spades”. Lá no blog (conradocarlos.jornaldehoje.com.br) tem todos eles.

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