Novo Grito da Terra começa no Rio Grande do Norte com velhas reivindicações

Trabalhadores potiguares protestaram em frente à sede do Incra, em Petrópolis

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O Grito da Terra – mobilização nacional orientada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura há 20 anos – completou 18 edições hoje no RN com uma pauta muito parecida com as anteriores.

Coordenada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado, a mobilização que começou hoje pela manhã na frente da sede do Incra, em Petrópolis, continuou com um reunião da liderança com a superintendência do Ministério Regional do Trabalho.

Nesta quarta, com agenda não confirmada, a parada seguinte do movimento é no gabinete da governadora Rosalba Ciarlini. Espera-se que cerca de 600 pessoas, vindas de ônibus fretado do interior, passem boa parte do dia no Centro Administrativo.

De novo presidente da Fetarn, depois de uma interrupção de quatro anos, Manoel Cândido da Costa, que esteve à frente da entidade ininterruptamente entre 1992 a 2008, diz que os velhos problemas dos micro e pequenos agricultores de subsistência continuam. Entre eles, um dos mais importantes é falta de assistência técnica aos assentados.

Essa deficiência é seguida por uma série de outras que de tão repetidas todos os anos parecem insolúveis: falta de infraestrutura, burocracia bancária na hora de conceder financiamentos e por ai afora.

O documento a ser entregue às autoridades estaduais amanhã é quase uma “xerox” dos entregues nos anos anteriores, com pequenas mudanças aqui e ali. Só na parte referente aos recursos hídricos, a pauta de reivindicações tem nove itens.

Ironicamente, eles pedem providências que o Governo do Estado diz já estar fazendo há pelo menos dois anos quando a seca já estava instalada no Estado. Instalação e perfuração de poços, abastecimento imediato de cisternas, redimensionamento dos sistemas adutores, instalação de 250 dessalinizadores, pagamento de indenizações a famílias desapropriadas de áreas públicas, entre outras.

Segundo Manoel Cândido, que ajudou a implantar o Grito da Terra, diz que muito por causa do movimento 700 mil hectares de térrea improdutiva já foram desapropriados no RN, abrigando 35 mil famílias ou por volta de 170 mil pessoas. À pedido do JH, ele projetou em mais 80 mil o número de famílias que precisam ser assentadas.

“Há 11 áreas improdutivas já denunciadas ao Incra do Estado que somam em torno de 200 mil hectares e precisamos pressionar as autoridades para desapropriar essas terras para fins de reforma agrária”, afirma.

Mas para obter mais força de pressão, Manoel Cândido sabe que precisa expandir consideravelmente a base sindical pelos municípios potiguares. No encontro de hoje no Ministério do Trabalho, a reivindicação básica foi pelo reconhecimento de novos sindicatos vinculados ao sistema Contag.

“Nesse ponto, vamos pedir prioridade na tramitação nos processos de criação de novos sindicatos, agilidade na análise e conclusão do registro de alterações estatutárias e aumento do quadro de pessoal dentro do MT para atender essa demanda”, lembra o sindicalista.

Para isso, a Fetarn se solidariza a outros sindicatos que pedem abertura de concurso público para recompor o quadro de auditores fiscais e servidores para dar suporte às ações do Ministério.

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