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Presos do Núcleo de Custódia finalmente são transferidos para unidade em Candelária

Data: 18 março 2013 - Hora: 12:57 - Por: Alessandra Bernardo
Unidade da avenida Prudente de Morais também vai receber presos das Delegacias de Plantão. Foto: Sergio Costa

Unidade da avenida Prudente de Morais também vai receber presos das Delegacias de Plantão. Foto: Sergio Costa

Os 59 presos que estavam detidos no Núcleo de Custódia da Polícia Civil, no bairro Cidade da Esperança, finalmente foram transferidos para o prédio do Centro de Detenção Provisória (CDP) da Candelária na manhã de hoje, sete meses após a unidade ter sido interditada para o recebimento de internos. A mudança foi determinada, em caráter de urgência, na semana passada, após as inúmeras tentativas de fuga e rebeliões provocadas pela superlotação e péssimas condições de funcionamento.

Além dos presos do NC, foram transferidos para o CDP da Candelária mais 23 detentos que estavam nas carceragens das delegacias de plantão das zonas Norte e Sul, totalizando 82 homens, distribuídos em sete celas. O local, que havia sido esvaziado há mais de um mês, teve que passar por uma reforma-relâmpago desde a última quarta-feira, para receber os detentos do Núcleo.

A transferência começou por volta das 7h da manhã e foi feita por agentes penitenciários do Grupo de Escolta Penitenciária (GEP), do Grupo de Operações Especiais e também pelos militares do Batalhão de Polícia de Choque (BP Choque).  Por causa da periculosidade dos presos, a ação foi rápida e terminou antes das 9h.

Segundo o diretor do CDP da Candelária, Francisco Canindé Alves, a unidade possui capacidade para abrigar até 90 presos e afirmou que não irá ultrapassar este número, para que não aconteça o mesmo que ocorreu no antigo Núcleo de Custódia. Ele disse ainda que os presos poderão receber visita de familiares e amigos e que terão um espaço melhor para ficarem com mais dignidade, enquanto aguardam a decisão da Justiça.

“As visitas serão apenas sociais, não iremos liberar a visita íntima, para não causar aglomeração e tumultos de companheiras dos presos aqui na frente da unidade. Além disso, não vamos ultrapassar o limite da nossa capacidade recebendo mais presos do que o que podemos comportar. Os que forem presos a partir de agora serão enviados para a unidade de triagem, no bairro de Pirangi”, explicou Alves.

Centro de Detenção Provisória passou por reforma relâmpago neste final de semana para receber 59 presos. Foto: José Aldenir

Centro de Detenção Provisória passou por reforma relâmpago neste final de semana para receber 59 presos. Foto: José Aldenir

O destino dos presos em flagrante será discutido hoje à tarde no Tribunal de Justiça, com os representantes das secretarias estaduais de Justiça e Cidadania (Sejuc) e da Segurança Pública (Sesed), do Conselho Superior de Polícia Civil (Consepol) e dos representantes da Vara das Execuções Penais de Natal e do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público (Nucap/MPE).

Conforme o coordenador de Administração Penitenciária (Coape), major Castelo Branco, o objetivo é definir um local para a custódia dos presos autuados em flagrantes a partir de hoje na Região Metropolitana de Natal, já que a Polícia Civil decidiu desativar de vez o Núcleo de Custódia, que funcionaria no prédio do antigo CDP de Panatis, na zona Norte.

 

Servidores do Núcleo relatam alívio após transferência

Mesmo após a transferência total dos presos que estavam custodiados no NC, o trabalho continua no local, com a resolução de pendências administrativas, a limpeza do prédio e a remoção do mobiliário e equipamentos, que serão devolvidos à Delegacia Geral da Polícia Civil (Degepol). A expectativa é que todo esse trabalho ainda demore alguns dias para ser concluído.

Mas, apesar do alívio e da sensação de dever cumprido, os servidores lotados na unidade pareciam incrédulos com o fato, que eles tanto lutaram para conseguir. Segundo a diretora do NC, Tânia Pereira, além de todo o estresse sofrido durante um ano e quatro meses que passou a frente do órgão, restou a experiência adquirida com a convivência dos presos, principalmente no gerenciamento de crises, que foram muitas neste período.

“Apesar das coisas ruins que vivi aqui dentro, aprendi muito e adquiri muita experiência com tudo isso. Gerenciar crises é dificílimo, foram muitas tentativas de fuga, rebeliões, fugas consumadas, estresses, coisas ruins que eram tão fortes que, em alguns momentos, provocaram atritos entre nós servidores, que estávamos lutando pela mesma coisa. Mas, no final, ficou também o alívio por ter conseguido acabar com esse sofrimento, que atingia tanto aos policiais como aos presos que passaram por aqui”, desabafou Tânia.

Um dos piores momentos relatados por Tânia foi durante uma rebelião em que os presos tentaram derrubar a porta e a grade que os separavam da liberdade. “Na hora, fiquei pensando no que eu faria caso eles tivessem conseguido isso, como eu iria agir para impedir aquilo, com um efetivo tão resumido. Mas, felizmente, a solução sempre veio nos momentos mais necessários, de acordo com o tempo em que as situações iam acontecendo. E digo ainda que, apesar de tudo, vou sentir falta disso aqui, porque eu fiz o que podia, com as condições que tinha”, explicou.

A sensação de alívio sentida pelos policiais civis e militares que trabalhavam no local também é compartilhada pelos moradores próximos ao prédio, que deve ser entregue novamente à 8ª Delegacia de Polícia. “Nossa, parece um sonho. Agora, sei que vou poder dormir tranqüila, sem medo de uma rebelião. Sem ouvir os tiros que eram disparados de vez em quando, para evitar que os presos fugissem. Agora, vamos voltar a respirar”, afirmou a dona de casa Lúcia Ferreira, que mora em frente ao prédio do antigo Núcleo de Custódia.

 

 

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