Nudez
Nelson Rodrigues, Senhor Redator, se fosse vivo e estivesse escrevendo em jornais, não teria mais tantos adeptos com aquele seu moralismo démodé de que toda nudez será castigada. É verdade, a frase tem muito do charme do grande cronista que ele foi, da arte de causar espanto e fascínio aos seus leitores. Hoje a nudez pouco a pouco deixa de ser um símbolo de atentado ao pudor. É como se o olhar da sociedade fosse descriminalizando aos poucos, à medida que as décadas sepultam o preconceito.
Fui contemporâneo, na redação do Diário, o antigo, do episódio que envolveu um professor da UFRN. Era visitante e resolveu adotar nas areias de Ponta Negra a mesma tanga de crochê do modelito de Fernando Gabeira que agitou Ipanema de volta do seu exílio. Juntou gente. Maridos e mães cheios de horror, protegendo os filhos. A polícia foi chamada e a ousadia do mestre acabou sob o olhar grave da dura lei, ele obrigado a cobrir suas vergonhas com roupa decente que não atentasse contra o pudor.
De outra feita, já em anos mais recentes, mas ainda no Diário, Pepe dos Santos chega com uma matéria sobre uma moça que resolveu passear nua e a cavalo, em Ponta Negra. Fui então apurar para a surpresa de Pepe. Nada tinha de atentado. Não bastasse a beleza de uma moça loura de cabelos longos a passear a cavalo diante do mar, foi na tarde deserta de um dia de semana, sem gestos obscenos, só a sua figura nua. Nua como nasceu e como diria, horrorizada, minha avó, d. Edith Aguiar Mattos Serejo.
Guardei a matéria de Pepe na gaveta e substitui a crônica por uma outra que escrevi em forma de apelo ao senhor delegado que havia intimado a moça a comparecer à delegacia no dia seguinte para explicar sua ousadia. Fiz ver ao delegado, data vênia, que nada poderia ser mais belo do que uma moça nua passeando a cavalo diante do mar. Sem plateia, doando a ninguém e, ao mesmo tempo, ao mundo inteiro, toda a sua beleza, ainda que a lei a proibisse de fazê-lo e exigisse a ação de uma autoridade.
Não tive resposta direta, mas toquei na emoção do delegado. Dia seguinte, recebi a ligação de um senhor, com sotaque italiano, agradecendo a mim e convidando para um jantar. É que a moça nua que passeava a cavalo, então fiquei sabendo, era garçonete do seu restaurante no expediente noturno e com a minha crônica o delegado deu conselhos, mas nada registrou. Falei com a moça naquela mesma ligação, agradeci o convite de um jeito bem delicado e fiquei feliz com a vitória da beleza sobre a lei.
Relembro as histórias numa conversa comprida de quem já anda passado em anos, para dizer da notícia que recortei da Folha de S. Paulo. Uma moça foi fotografada nua tomando banho na praia do Flamengo, no Rio. Seu parceiro está de calção, mas ela se entrega nua, nua como nasceu, ao mar azul do verão que passou. O recorte anda aqui há uns dois meses, entre os papéis desta mesa. E só agora protesto contra a indelicadeza que é taxar de ‘mulher não identificada’ uma moça nua diante do mar.
EFEITO – I
Mesmo que no serviço público ordenador de despesa responda por tudo, sendo o autor ou não, no caso do Dnocs tem um efeito político desconfortável: atinge o deputado Henrique Alves, seu patrocinador.
SEGREDO – II
Caberia ao sucessor de Elias Fernandes, Emerson Fernandes Daniel, e também indicado pelo deputado Henrique Alves, esclarecer se, ao assumir o Dnocs, constatou algo que justifique essa decisão judicial.
ALIÁS – III
Por isso não é sem pertinência a dúvida levantada por Bruno Giovanni no Blog do BG: se não seria o deputado Henrique Alves o verdadeiro alvo. Se for, pode ser fogo amigo direto das casamatas federais.
DOMÍNIO – I
Há coisas que só em Natal, com o domínio da empresa Well Park Estacionamento sobre três áreas da Unimed, um banco, dois shoppings, um hospital e outros espaços nos quais impõe os crivos e tempos.
DECISÃO – II
A terceirização não isenta seus contratantes, tanto que a juíza Érika de Paiva Duarte Tinoco, acionada pelo Ministério Público, elevou de cinco pra dez minutos o tempo mínimo de tolerância sem cobrança.
EXEMPLO – III
Na Unimed para marcação de consultas e exames, Rua Apodi, mesmo com eficiência no atendimento, o cliente sempre ultrapassa o tempo e paga. A desculpa é que não é a Unimed, mas ‘outra empresa’.
TEMPOS
Como gosta de dizer D. Jaime Vieira, os tempos mudaram. Ficou mais fácil Fernandinho Beira Mar receber o diploma de Teologia do que um padre se interessar em frequentar uma faculdade. De graça.
MEMÓRIA – I
Esta coluna foi desmentida nos corredores do poder quando informou que o governo desejava receber o pedido de demissão do secretário da saúde, médico Isaú Gerino. O governo já botou outro no lugar.
MAS – II
O novo não é garantia. Mesmo com a experiência de Luiz Roberto Fonseca que conhece bem o serviço de urgência. Ele afirma que é tempo de colher. Seria. Se antes tivesse acontecido o plantio. Não houve.
ATENÇÃO
Decisão judicial é pra se cumprir e questionar quando couber. A função dupla de motorista e cobrador, como decidiu o pleno do Tribunal Regional do Trabalho, em matéria de segurança é uma temeridade.
VISITA – I
A diretoria do Instituto Histórico vai convidar a governadora Rosalba Ciarlini e a secretária de cultura, Isaura Rosado, para conhecerem a situação da sede onde estão depositados os documentos da História.
RISCO – II
As redes elétrica, hidráulica e sanitária exigem uma intervenção imediata sob pena de por em risco um acervo onde estão as sesmarias originais, documentos, fotos, livros, mapas, e vários objetos históricos.
MISTÉRIO
Os melhores ouvidos da Arquidiocese ouvem e não entendem a causa da saída da irmã Eliud Passos, do Amor Divino, da residência episcopal na Rua Santo Antônio. Só Deus e o arcebispo sabem a razão.
CRISE
A deputada Sandra Rosado estava certa quando denunciou o esvaziamento promovido pela Petrobrás transferindo cerca de 400 técnicos para outras áreas do Brasil. A hotelaria mossoroense já sente o vazio.


