Número de vigilantes aptos para a Copa é preocupante na capital potiguar

Folha de São Paulo informa que Natal é uma das sedes onde os profissionais não estariam capacitados

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Diego Hervani

Repórter

Na véspera do início da Copa do Mundo, que começa nesta quinta-feira (12), com o confronto entre Brasil e Croácia, no estádio Itaquerão, em São Paulo, a preparação dos vigilantes que irão atuar na segurança privada das arenas do Mundial preocupa.

De acordo com informação da Folha de São Paulo, 10% dos 24 mil vigilantes que trabalharão durante a competição não passaram pelo chamado “cadastramento biométrico”, uma das medidas adotadas pela Polícia Federal para que nenhum profissional sem o treinamento necessário se “infiltre” no evento. Junto com o Itaquerão, especialistas também se preocupam com as arenas de Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Cuiabá e Natal. Profissionais sem treinamento adequado e pouco conhecimento dos estádios foram alguns dos problemas detectados.

Em Natal, todo o processo passou por diversos problemas. Até o início de abril, dos 1.225 vigilantes exigidos pela Fifa, apenas 300 tinham se cadastrado biometricamente. Além disso, muitos não mostravam interesse em fazer o curso de Grandes Eventos, que é obrigatório para que o vigilante trabalhe em situalções para mais de 3 mil pessoas.

Na época, o Sindicato Intermunicipal de Vigilantes do RN responsabilizou a PF pela demora na entrega da documentação. “A cada 2 anos fazemos uma reciclagem com os nossos vigilantes e essa documentação, que também é de responsabilidade da PF, demora para sair”, declarou o coordenador geral do Sindsegur, Francisco Benedito (Bené).

Porém, a PF se eximiu de qualquer responsabilidade. “A responsabilidade que a Polícia Federal tem é a de fiscalizar os cursos que são feitos pelos vigilantes. Quando eles terminam o curso de formação de vigilantes, que é feito por empresas particulares, a documentação dessas pessoas é passada para a PF, que cede o certificado de vigilante e esse vigilante tem que vir aqui para fazer o cadastramento biométrico no sistema de Gestão Eletrônica de Segurança (Gesp). Entregando essa documentação, em até 48 horas ele está no sistema e pode trabalhar como vigilante. Com a equipe que temos a PF é capaz de cadastrar até 100 pessoas por dia”, afirmou na época o delegado regional executivo da Polícia Federal no Rio Grande do Norte, Joel Moreira.

Aumento das diárias

Um dos problemas para a falta de interesse dos vigilantes em trabalhar na Copa era o valor das diárias que seriam pagas, considerada baixa pelos profissionais. Porém, na última sexta-feira (6) o coordenador geral do Sindsegur, Francisco Benedito (Bené), Agricio Enedino (diretor de imprensa) e o diretor financeiro Wellington participaram de uma reunião junto com representantes da Natal Vigilância – empresa responsável pela contratação da segurança particular para a Copa – e os vigilantes dos postos de serviço do Arena das Dunas.

O objetivo da reunião foi anunciar os valores pagos aos vigilantes que irão trabalhar nos dias de jogos da Copa do Mundo. Após muita discussão e várias reuniões entre o Sindsegur e Natal Vigilância foi definido o valor de R$ 100,00 para a jornada de 12h que antes era de R$ 60,00 tendo um percentual de 40% de reajuste na diária. Além disso, os vigilantes terão seguro de vida e, em caso de necessidade, atendimento na Unimed Natal, inclusive os de contrato temporário de 30 e 90 dias.

Durante o Mundial, os vigilantes trabalharão como “Stewards” e serão responsáveis pela segurança dentro do espaço da Arena das Dunas na contenção de possíveis problemas de menor porte, como uma invasão de campo. A segurança dentro dos Centros de Treinamento também será feita pelos vigilantes.

O Jornal de Hoje tentou entrar em contato com representantes da Natal Vigilância para saber como foi a preparação para a Copa do Mundo, porém os diretores que poderiam falar sobre o assunto estavam em reunião da Arena das Dunas. Já o presidente do Sindsegur disse que só poderia receber a imprensa no período da tarde, após o fechamento desta edição.

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