O avental todo sujo de ovo…

É prosaico, mas é verdade, Senhor Redator: uma coisa puxa outra. Da leitura da matéria ‘Bolo da Vovó’, no caderno…

É prosaico, mas é verdade, Senhor Redator: uma coisa puxa outra. Da leitura da matéria ‘Bolo da Vovó’, no caderno ‘Comida’, da Folha de S. Paulo, onde há uma citação de Câmara Cascudo que registrei aqui, acabei lembrando como tem sido injusto o grande silêncio da gastronomia brasileira em torno do ‘Livro de Dona Benta’. Parece que ficou tão íntimo das famílias de ontem que, mesmo as suas edições mais recentes, passam como se não fossem de um belo ícone cercado de seus doces enigmas.

Andei um tempo interessado em conhecer a gastronomia brasileira, querendo saber a história de cada coisa e do livro ‘Comer Bem’, atribuído a Dona Benta e que a todos parece coisa de Monteiro Lobato. É que ele fundou a Companhia Editora Nacional ao lado de Octalles Marcondes Ferreira, em 1925, e em 1940 lançou o livro de receita que se tornaria um ícone. Com a coincidência de levar em sua capa o nome de uma personagem do seu famoso Sítio do Pica Pau Amarelo, até hoje um sucesso.

E nessas andanças acabei ganhando de um amigo cópia xerox de uma dissertação de mestrado defendida por Renata da Silva Simões no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo, em 2008. O livro ‘Comer Bem’ é o grande objeto de estudo de sua dissertação no período de 1940, quando do lançamento, a 2003 quando passa por uma grande atualização confiada ao chef Luiz Cintra. Em 2004, já alcançava as suas longevas 75 edições.

Quando nasci, em 1951, o livro de Dona Benta acabara de alcançar a quadragésima edição, em 1950, da qual há um pobre e desgastado exemplar nestas prateleiras. A rigor não tem valor de raridade ou singularidade, nem mesmo para ser apontado como um livro organizado por Monteiro Lobato. Não foi. E essa dúvida foi eliminada pela autora da dissertação. As receitas, quando das atualizações, eram testadas pelas mulheres dos diretores do Centro de Memória Nacional do IBEP, nunca por Lobato.

Esse nariz de cera, bem de doze, é só para dizer que não é só em São Paulo que proliferam as casas de bolo. A matéria da Folha de S. Paulo registra que de 2012 até agora São Paulo já tem cerca de nove casas especializadas na fabricação de bolo. A idéia é reincorporar à mesa dos paulistanos um velho e doce hábito de ter o bolo como ingrediente do desjejum e dos lanches. Devolvendo à memória olfativa dos mais saudosos o cheiro que perfumava a mesa da infância ainda no tempo das vovós.

É por isso que o apelo principal das casas de bolo é não apenas poupar o tempo das ocupadas donas de casa de hoje, como retomar as receitas caseiras que estavam desaparecidas. Como o cheiro do Bolo Souza Leão, no Recife, com seus doze ovos desafiando o colesterol. Ou os bolos de macaxeira e batata que marcavam o paladar das famílias brasileiras e nordestinas com seus cheiros embalados pela velha e doce canção Mamãe, de João Dias, aquela dos versos que falam no avental todo sujo de ovo…

 

PANTIM

De uma voz aluizista, rouca de tanto ouvir que a ex-governadora Wilma de Faria pode ser candidata ao governo: ‘Pantim’. E acrescentou: ‘Será candidata ao Senado com Henrique, Fernando ou Garibaldi’.

ZPE

A governadora Rosalba Ciarlini assina hoje, em Macaíba, uma autorização para a ZPE. A exemplo de vários antecessores seus, ela também acredita na lenda. Quem sabe, com um pouco de sorte a coisa sai.

CASTIGO

Há três meses que os técnicos do Patrimônio Histórico não expedem o parecer sobre a reforma do piso do Instituto Histórico. Mais do que um abuso de autoridade, já virou até um verdadeiro castigo petista.

SENADO

Confirmado o pedido de licença do senador Garibaldi Alves (pai), quem assume é a segunda suplente, ex-deputada Ivonete Dantas. Pelo regimento, ela fica durante quatro meses até Garibaldi reassumir.

LIVROS

Fundação J. Augusto com novos títulos na Col. Cultura Potiguar: ‘Prédicas, Alocuções e Necrológios’, Jorge O’Grady: ‘Cabaú: do engenho ao casario’, de Margareth Pereira; e ‘A história de Ó’, Nadja Lira.

FLUSSER

O dossiê da revista Cult, nas bancas, é sobre o filósofo Vilém Flusser que nasceu em Praga e faleceu em 1991 num acidente automobilístico aos 71 anos. O filósofo da imagem, do design e da linguagem.

ESCOLA

Saiu incompleto, por lapso de digitação, o nome da professora Tânia Leiros que deixou a direção da Escola de Governo D. Eugênio Sales, hoje ocupada pelo sistema de controle da polícia e pela FIFA.

JOGO

De um petista de olho atento: ‘O PMDB, como um bom cozinheiro, vai cozinhando em fogo brando a chapa a chapa Robinson e Fátima. Sabe que um bom acordão ‘escolhe’ até a melhor chapa adversária.

SADE

Na revista ‘Jornalismo & Cultura’ a entrevista de Franco de Rosa com Nelson Padrella, editor que em Curitiba lançou o Marquês de Sade em quadrinhos e chegou a vender até cinco milhões de exemplares.

GESTO – I

O bispo de Caicó, D. Antônio Santos, num gesto de cordialidade e união, será ordenado pelo arcebispo D. Jaime Vieira. Em São Gonçalo, no Rio, dia 10 de maio. E sua posse em Caicó será dia 24 seguinte.

DOIS – II

Outros bispos de sua relação pessoal serão co-sagrantes: D. Fernando Panico, do Crato; e D. Ricardo Pedro Paglia, bispo emérito de Pinheiros, no Maranhão, ambos da mesma congregação de D. Antônio.

POR – III

Falar em franciscanos: Dalmática é o paramento litúrgico usado pelos Diáconos nas cerimônias mais solenes. Este mês a arquidiocese ordena seus diáconos e todos vestirão a Dalmática como é de praxe.

SÓ… – IV

Que esses novos Diáconos mandaram confeccionar em Campina Grande suas Dalmáticas e cada uma delas vai custar R$ 3.200,00. E onde fica a Igreja de Francisco, despojada de tudo, feita de pastores?

ALIÁS – V

O estilo anda pouco humilde na nossa Igreja: cada padre teve que pagar R$ 200,00 para fazer o curso anual de atualização do clero. Cerca de 40% dos padres não fizeram suas inscrições. Desmotivados?

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