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O buraco da pulga

Data: 14 março 2013 - Hora: 18:00 - Por: Rubens Lemos Filho

Luiz Gonzaga, pai,  ensinava de  sanfona afinada: Não bote a mão em buraco de tatu, que é muito perigoso, é preciso ter cuidado. Lá dentro pode ter um cascavel, ou um urutu.  Esperando, com o bote armado.

O velho rádio de pilha AM sacudia Gonzagão e mamãe repetia: Não bote a mão em buraco de tatu, você já ouviu Luiz Gonzaga dizer e se desobedecer, lhe levo para tomar uma injeção em Seu Alcides.

Seu Alcides, enfermeiro antigo do Tirol, talentoso e um dos melhores da cidade, funcionava como sinônimo de pânico para os meninos em molecagem. Meninada inteira  temia suas agulhas afiadas e a dor lancinante.

De vez em quando, me pego cantando Buraco de Tatu, de Luiz Gonzaga, um xote, daqueles que sertanejo dança agarrado em pé de serra com sanfona e triângulo em terreiro iluminado de lamparina e cachaça farta com carne de charque.

Buraco de Tatu ensina o homem a ser cauteloso em diversas situações da vida. Sugere impulsivos a pisar o freio emocional e a se controlar. Doma valentões quando encaram alguém de coragem verdadeira. É o hino da prudência matuta.

Quando o Barcelona perdeu para o Milan de 2×0, a imprensa abutre, os técnicos defensores do futebol fechado e feio, superlotado de marcadores sem nenhum dom inventivo, pregaram o apocalipse, transformaram-se, por diabrura própria, em Nostradamus de profecias macabras: Acabara a fantasia verdadeira do Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta, Xavi, David Villa.

O Barcelona poderia e deveria, segundo o tom catastrófico e parcial dos analistas, ser eliminado da Champions League logo nas oitavas de final, o que poderia representar a hecatombe no timaço encantador e trincheira do toque de bola e da arte no futebol. O antigo jeito brasileiro em dialeto catalão e argentino com Lionel Messi.

Os urubus da mediocridade meteram as duas mãos com cabeça e bocas a dizer bobagens numa imenso buraco, numa cratera. O Buraco da Pulga. Provocaram, instigaram o supercraque mirrado e delicioso, o pleonasmo ludopédico inigualável.

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No Brasil das mesas redondas formadas por algumas bestas quadradas, parece até que Messi é culpado pelo desmonte da fama de Neymar. Messi fracassar seria, para espíritos de matadouro, a compensação pela fase tétrica do moicano substituto de Robinho.

Robinho assistiu, por poucos minutos, de dentro do campo, o olé que o Milan tomou de Messi. O seu primeiro gol foi tão bonito que nenhum adjetivo define. É redundante dizer que nenhum gol de Messi, ainda que ele faça o maior esforço possível, seja uma Zezé Macedo ou um Tião Macalé, antigos atores de chanchada feios por convicção e decisão da natureza.

Messi é a pulga que, de dentro do seu buraco, entrou na cueca dos secadores para silenciá-los pelo encantamento. Fez o primeiro, lindo. O segundo, corriqueiro para os seus padrões. Um corte e o chute seco, fatal como estampido rasteiro, matando o goleiro milanês.

Faltava David Villa sentar um beque no segundo tempo e bater com tanto efeito na bola de canhota, escolhendo o canto, para o Barcelona conseguir o 3×0 necessário para a classificação. Daí foi aquele toque, toque, toque em ritmo de pelada só de boleiro sábio envolvendo os derrotados inertes.

Ainda deu tempo para o quarto gol. Uma sequência de passes e a conclusão de Jordi Alba. Foi 4×0 para o Barcelona, só para chatear, o dobro do placar aplicado pelo Milan que deveria ter ficado quieto e não provocado a fera adormecida. Messi é da matéria-prima dos gênios. Não mexam com eles.

Quantas vezes Pelé passou 89 minutos parecendo um açucareiro, parado, mãos nas cadeiras, e decidiu num lance sobrenatural restando segundos para o fim da partida? Até seria empate, se o zagueiro não tivesse partido para provocar o Rei.

No Maracanã, assisti pela televisão Zico ser vaiado por jogos inteiros até uma falta na entrada da área ser marcada nos acréscimos  e o Galinho calar a boca da massa imprudente.

O Barcelona, corvos da retranca, está vivo. Seu futebol é um estilo musical, como foi o do Santos e cantavam os Beatles. E Gonzagão, que diria assim, adaptando a letra e arrastando a dança: “ Bem feito, quem foi que te mandou, enfiar a mão no buraco do Seu Pulga”. ?

 

Francisco Primeiro
Francisco Primeiro, o papa argentino, surpreendeu e enfureceu alguns xenófobos brasileiros. Transformaram o conclave numa revanche de futebol entre Messi e Neymar. Messi nem liga para Neymar, nem sabe que ele existe. Até no Vaticano, o Brasil perde para o  país hermano.

Ardiles
Francisco, o Primeiro, tem aspectos frágeis embora seja considerado pelos entendidos um conservador. Tem jeito esquivo e franzino parecido com o de Ardiles, admirável armador que usava a camisa 1 no time campeão mundial(À força) em 1978.

Transposição
Quando recebi a notícia da escolha de Francisco, o novo papa, lembrei: Ele chegou Primeiro, até no nome, do que a transposição do velho Rio São Francisco, salvação dos fieis católicos jogados às migalhas na pior seca dos últimos 50 anos.

Barata
Barata, que estava de auxiliar de Givanildo no ABC, tem futuro de técnico. Botou um menino de 18 anos para jogar e quando foi questionado por um repórter não gaguejou: “Com 15, 16, 17, 18 anos, o cara que sabe jogar, joga e não treme. Tem que botar pra jogar mesmo.” Falou certo o ídolo alvinegro, craque e campeão em 1994 e 1995.

Tiro
Federação Norte-Rio-Grandense de Tiro Prático convoca associados para a primeira prova do estadual, domingo às 9h30 no stand da Polícia Federal em Macaíba. Inscrição a R$ 80,00 podendo ser feita no local.

Há 40 anos
Vitória apertada do América sobre o Atlético pela Taça Cidade do Natal de 1973. No dia 14 de março, 2.121 pagantes foram ao Castelão(Machadão) para a rodada dupla que começou com Alecrim 3×1 Força e Luz. O América fez seu gol com o meia Nunes aos 3 minutos de partida e foi só.

Times
América: Ubirajara; Odimar, Cláudio, Djalma e Cosme; Nunes, Washington(Afonsinho) e Gonçalves; Almir, Bagadão e Gilson Porto(Antoninho). Atlético: Cavalcanti; Birino, Assis, Galego e Marinho; Ivan, Preá e Fernando; Ribamar, Jurandir (Galdino) e Hélio. Ribamar é o unânime Ribamar Cavalcante, pesquisador e defensor dos ex-atletas.

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