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O candidato dos partidos

Data: 04 fevereiro 2013 - Hora: 18:04 - Por: Alex Medeiros

A disputa na mesa diretora da Câmara Federal foi mais uma vez um instante didático para quem vive ou quer viver a cena política partidária nacional. Inclusive e principalmente para aqueles que teimam em não compreender o processo das alianças.

O deputado Henrique Alves subiu à tribuna, logo após o discurso da candidata Rose de Freitas (PMDB-ES), elencando umas três dezenas de legendas que lhes prestavam apoio oficial, apoio este articulado entre líderes de bancadas, como manda o ato republicano.

É incrível como o radicalismo ideológico cega os tantos que levam para o ambiente parlamentar as práticas dos palanques e das passeatas. Já na eleição da mesa da Câmara de Vereadores de Natal, ficou claro que a esquerda não compreende um colegiado.

Estimulados pela rebeldia metafísica dos arroubos militantes nas ruas e nas redes sociais, os adversários de Henrique defenderam suas candidaturas sem pesar a importância dialética das relações partidárias, vitais nas democracias representativas.

Ora, a sucessão no Parlamento é um ato estritamente interno e que segue regras estatutárias históricas e que passaram incólume até pela Constituição de 1988, chamada de cidadã. Só é possível vencer uma eleição no Congresso por alianças de legendas.

E foi aí a diferença, abissal diferença, entre a candidatura de Henrique Alves e os outros três, Rose de Freitas (PMDB), Julio Delgado (PSB) e Chico Alencar (PSOL), os dois primeiros dissidentes em suas próprias agremiações que apoiaram o líder do PMDB.

Numa disputa de mesa diretora do Poder Legislativo, não é o eleitor brasileiro que vota, mas o universo eleitoral de algumas dezenas de parlamentares, ou centenas no caso da Câmara Federal. E foi para os seus colegas de Casa que Henrique dirigiu o discurso.

Enquanto os três contendores reproduziram as indignações diárias das ruas e das redes sociais, que satanizam a prática política de homens e legendas, o potiguar pontuou suas palavras nos temas mais prementes à atividade dos deputados, foi doméstico e direto.

Henrique centrou o recado na defesa da função política, expondo de forma didática a diferença de representatividade entre os três poderes (atenção, não considero poderes a imprensa e o ministério público), onde o deputado é sagrado pelo voto popular.

Destacando a respeitabilidade dos atos e fatos, citou que no Executivo os ministros são nomeados e que no Judiciário os juízes também; mas apenas no Poder Legislativo, “o mais injustiçado”, é o povo que escolhe cada um dos seus representantes diretos.

Arrancou aplausos todas as vezes que defendeu a atividade da Casa e foi mais festejado ainda quando prometeu criar uma “Comissão Especial” para planejar e executar um orçamento impositivo para as emendas individuais. Só exagerou com a TV Câmara.

Criticando momentos em que a emissora legislativa exibiu imagens do plenário vazio “nas segundas e sextas-feiras”, radicalizou exigindo que “a TV Câmara tem que ser mais Câmara do que TV”, dedicada mais tempo a mostrar o trabalho dos deputados.

E finalizou com um direto nos queixos dos adversários na eleição, numa alusão à rebeldia contra as legendas: “Não quero o voto escondido, o voto da esperteza, da conveniência”. Um discurso bem amarrado nas relações partidárias de um colegiado.

Antes de descer da tribuna, uma homenagem, já emocionado, ao pai Aluízio Alves e ao tutor político na Câmara Federal, Ulysses Guimarães. Henrique Eduardo Alves foi o único candidato a falar sob o silêncio do plenário. Que final vocês esperavam, hein? (AM)

 

Candidato de Dilma
A presidente Dilma Rousseff cumpriu até o fim o compromisso do apoio do PT à candidatura do deputado Henrique Eduardo Alves na presidência da Câmara Federal, como mostra hoje o jornalista Gerson Camarotti, em seu blog no portal G1.

Apoio
Aliás, ainda no começo de 2012, o deputado estadual Fernando Mineiro (PT) declarou numa conversa que tivemos no Café São Braz, do Midway Mall, que o partido iria cumprir à risca o compromisso de apoiar um candidato a presidente do PMDB.

Pré-candidatos
E por falar em Henrique e em Mineiro, os dois parlamentares deverão aparecer nos questionários das próximas pesquisas do Instituto Consult, como opções ao governo do RN em 2014. O segundo já se manifestou no Twitter desejando ser incluído.

No Estadão
No caso de Henrique Alves, sua suposta candidatura a governador foi tema de comentário da jornalista Débora Bergamasco, da sucursal do Estadão em Brasília. O PMDB já teria um acordo com Dilma para o PT apoiar o deputado no próximo ano.

Baixaria
Uma revista de 50 páginas contendo reportagens denunciando Henrique Alves foi editada e distribuída em 512 gabinetes da Câmara Federal. Resta saber se o expediente foi da turma de Julio Delgado (PSB) ou de Rose de Freitas (PMDB).

Denúncias
A Folha de S. Paulo estampou logo cedo na capa do seu portal que Henrique seria julgado após a eleição, mesmo prognóstico feito na semana passada com Renan Calheiros. Veremos o que ocorre primeiro: o julgamento deles ou a volta de Jesus.

Oposição
O trio Carlos Eduardo (PDT), Robinson Faria (PSD) e Wilma de Faria (PSB) continua marcando presença nas ruas de Natal e nos eventos populares e religiosos. No domingo, os três estavam juntinhos na procissão da Cidade da Esperança.

Aniversário
O ministro Garibaldi Filho é o aniversariante do dia. O colunista engrossa o enorme cordão de cumprimentos para desejar não apenas um feliz aniversário, como também prestar solidariedade pelos ataques raivosos de um blogueiro bastardo e paranoico.

Valentão
O ator José de Abreu disse em entrevista ao jornal O Dia, do Rio de Janeiro, que “as pessoas ficam valentes detrás dos mouses”. Parece ser exatamente o caso dele próprio, um machão em defesa do PT no mundo virtual e uma biba assumida na vida real.

Petrobras em queda
Com o valor das ações despencando 45% em três anos, a Petrobras acaba de perder a posição de empresa com maior valor de mercado na América Latina, segundo o renomado jornal econômico Financial Times. A liderança é da colombiana Ecopetrol.

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