O censor mostra o rosto – Walter Gomes

Nessa terça-feira, o presidente da Câmara, apoplético, condenou ao fogo do inferno o livro ‘O nobre deputado’, assinado por Márlon…

Nessa terça-feira, o presidente da Câmara, apoplético, condenou ao fogo do inferno o livro ‘O nobre deputado’, assinado por Márlon dos Reis (*). Henrique Eduardo Alves, quem diria, teve o seu dia de Tomás de Torquemada, dominicano espanhol apelidado inquisidor-mor do século XV. Logo ele cujo pai – Doutor Aluízio, personagem de espaço amplo no capítulo político-administrativo da História do Rio Grande do Norte – foi censurado, perseguido e, enfim, cassado, por suspeição de malfeitos jamais comprovados, pela ditadura militar. Diferentemente de congressistas capazes de tudo.

Embora acusado de difamação e injúria, o autor deveria enviar a Alves uma mensagem de agradecimento pela publicidade da fala presidencial divulgada, em parte, pelo Jornal Nacional, da TV Globo. As vendas do livro cresceram quase 20% nos dois dias seguintes ao pronunciamento melancólico do potiguar.

Em 120 páginas, o escritor narra a trajetória de legislador corrupto que compra mandato com dinheiro de origem (no mínimo) suspeita. Qual a surpresa? Henrique Eduardo sabe mais do que ninguém, como decano da Casa, dos deslizes éticos de muitos colegas próximos e outros nem tanto. Portanto, não pode apagar os registros de má fama do Parlamento brasileiro.

(*) Juiz de Direito nascido em Pedro Afonso (TO) há 44 anos, atua no Tribunal de Justiça do Maranhão. Integra, como membro-fundador, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. Na sua coleção de homenagens pelo desempenho para moralizar as campanhas políticas, prêmio do Instituto Innovare.

reflexo da época

O futebol perdeu o consenso nacional.

A análise foi registrada com destaque, hoje, no Correio Braziliense, pelo analista político Luiz Carlos Azedo.

Dele também a observação final:

“Nem durante o regime militar isso ocorreu.”

 

um cenário

Nada além do desgaste natural dos homens públicos.

Lula da Silva continua a ser a maior referência eleitoral no Nordeste.

nnn

Em recentíssimo levantamento de opinião, 22% das pessoas entrevistadas disseram que apoiam candidatura indicada pelo ex-presidente.

Cinco pontos a menos do que proclamaram no início do segundo semestre de 2013.

- Além da interrupção do diálogo político, complicou-se a relação pessoal dos presidenciáveis Aécio Neves e Eduardo Campos.

- Líder do PSDB na Câmara, o baiano Antonio Imbassahy protocolou representação na Procuradoria-Geral da República. Pedido: investigação de “prováveis práticas de fraude” contra acionistas minoritários da Petrobras.

- Neste domingo, o PSOL oficializa a candidatura do historiador Gilberto Maringoni para governar São Paulo. Com Ana Luiza para o Senado, o PSTU faz parte da chapa majoritária, batizada Frente Paulista de Esquerda.

- Juntos, no mesmo camarote, para assistirem ao jogo Brasil e Croácia, os presidentes dos Três Poderes da República. Dilma Rousseff (Executivo), Joaquim Barbosa (Judiciário) e Renan Calheiros (Legislativo).

- Constatação do comando da difícil campanha do petista Alexandre Padilha ao Executivo de São Paulo. Dois cabos eleitorais negativos, sobretudo na capital: o prefeito Fernando Haddad e a presidente Dilma Rousseff.

- “Dilma ganhou o tempo de rádio e televisão do PMDB, mas os votos, não.” Quem fala assim é o deputado Leonardo Picciani, filho do presidente da seção fluminense da sigla, Jorge Picciani.

- Para refletir: “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos” (Nelson Rodrigues, cronista e dramaturgo brasileiro).

Compartilhar: