O circo e as palhaçadas

Existem outros fatos estranhos além do espetáculo bizarro promovido pelo presidente do Alecrim, Anthony Armstrong, ao barrar jornalistas e radialistas…

Existem outros fatos estranhos além do espetáculo bizarro promovido pelo presidente do Alecrim, Anthony Armstrong, ao barrar jornalistas e radialistas , intimidá-los com a presença de seguranças e decidir, como donatário do chão que pisa como se fosse uma colônia, “discipliná-los”, antes do horroroso jogo do seu time contra o ABC no Estádio Ninho do Periquito, em São Gonçalo do Amarante.

Em primeiro lugar, não joguemos toda a culpa nele. Nem  é o primeiro caso. Em 2011, o jornalista Gabriel Negreiros, então editor de esportes do Jornal de Hoje, foi barrado de maneira truculenta de uma entrevista coletiva pelo então técnico do ABC, Leandro Campos, por discordar de seus comentários. “Se o Gabriel está aí,  eu não falo.” E não falou. E por isso mesmo ficou.

Na época, apenas a coluna Passe Livre demonstrou sua  solidariedade contundente ao jornalista pela truculência do treinador, a omissão dos colegas e a  permissividade dos dirigentes. Por conhecer na vida real o que representa uma ditadura e o seus males de metástase e em respeito ao profissional Gabriel Negreiros, que, sozinho, se viu diante dos avestruzes de profissão que enfiaram suas cabeças nos buracos de conveniência e sei lá se outros motivos mais. Será?

O comportamento condenável do presidente do Alecrim, um cidadão  esquivo, autoritário por depoimentos vários de ex-integrantes do clube e de pessoas renomadas  da cidade em redes sociais, aconteceu principalmente pela arquitetura humana que move o cenário.

Primeiro exemplo: o narrador Marcos Lopes, da Rádio Globo, ficou sozinho. Protestou feito um maluco , esbravejou, e, com raras exceções, sua classe adotou o silêncio dos omissos, no máximo, retuitando, que significa reproduzir sua indignação clara no Twitter.

Nem mesmo alguns  colegas de equipe dele, em seus blogs ou comentários, lhe foram companheiros. Simplesmente trataram o assunto como uma nevasca em Estocolmo, na Suécia.  Fui, sou, estou e serei solidário a Marcos Lopes. E ele sabe, ele me conhece.

Todos os profissionais ali presentes, entre eles o presidente da Associação dos Radialistas Esportivos, deveriam, também, ir embora, todos, doesse em quem doesse e, juntos, se unissem para denunciar fora do Estado a maior aberração já vista no futebol potiguar.

Um cartola abusado dando sermão num grupo de repórteres amedrontados por conta de críticas que recebeu quando viajava e não respondeu nenhuma, na ocasião oportuna, pessoalmente ou por meio de sua constrangida assessoria de imprensa.

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A Federação de Futebol, por seu representante,  informou primeiro que a responsabilidade pelo acesso à  imprensa era atribuição da associação dos cronistas. A Inter TV exibiu  o regulamento que escancara o contrário: É a FNF a responsável. Pilatos invejaria o lavatório de mãos.

O nó da questão está no texto postado pelo jornalista Gabriel Negreiros em sua página no Facebook, em que cita as relações  por demais amigáveis entre profissionais e dirigentes de clube, convívio que extrapola os limites da ética, da isenção gerando  o silêncio quase unânime e vergonhoso que se seguiu após o episódio em São Gonçalo do Amarante.

São cruas e precisas as palavras de Gabriel Negreiros  especialmente num trecho, corajoso, agudo e deprimente pela constatação velada: “poucos jornalistas levarão o caso a frente. Alguns podem até citar o acontecido, mas já vi que muitos se calaram. É a força do patrocínio!”

E arremata Gabriel: “Infelizmente a herança maldita dos toqueiros do passado reflete na nova geração, que tem uma série de profissionais competentes. Os dirigentes, desacostumados com a falta de bajulação, em uma série de oportunidades já entraram em choque com alguns profissionais atuais. Eles esquecem que nem tudo é possível comprar.” Toqueiro, para quem não sabe, é quem recebe dinheiro por fora.

A questão central é o comportamento. É o “sistema”, como dizia o capitão e depois promovido Coronel Nascimento nas duas edições fenonemais do filme Tropa de Elite. O “sistema”permite que uma pessoa chegue como  déspota a uma cidade e a um clube tradicional, seja bajulado e transformado em mecenas, com muita gente fazendo papel de capacho aos seus pés e gestos presunçosos.

Há questões que irão  ou não para debaixo do tapete? Quem vai esclarecer a omissão das autoridades constituídas e responsáveis pela  proteção do público diante dos seguranças, alguns com estranhos distintivos intimidando profissionais? Quem são eles? Por que tanto aparato?

O Ministério Público irá investigar? A Polícia Federal, que controla o uso de armas vai procurar saber se havia alguém de trabuco ou não naquele instante de acinte? São questões que Passe Livre, por exemplo, pergunta.

E dá ao assunto o tratamento adequado  tomando a iniciativa de ignorar  o grosseiro presidente do Alecrim: a ele, o anonimato. A honra, jamais ao poderoso ilimitado. Ninguém deveria falar nele ou no clube enquanto estiver no comando. Jornalistas e radialistas pagam pelos erros de quem desvia o foco da atividade.

O Alecrim nunca será esse sujeito. O Alecrim é alegria, simboliza o bairro mais popular de Natal e cidadãos, torcedores de bem como o seu patrono, o inesquecível Governador Monsenhor Walfredo Gurgel, que nunca levantou a voz para impor respeito e demonstrar a autoridade inabalável que sempre teve.

 

Sindicato
O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Breno Perruci, confirmou que entrará com uma ação ainda estudada pela sua assessoria jurídica. Vai à Justiça e até as últimas instâncias para ver apurado e punido o caso de São Gonçalo do Amarante.

Disciplinador
Breno Perruci definiu seu ponto de vista pessoal fazendo uma pergunta certeira: “Quem é ele , o presidente do Alecrim, para disciplinar os jornalistas do Estado?”.

Futebol pobre
Em campo, a pobreza futebolística acompanhou à de espírito. O jogo Alecrim 1×1 ABC pode ser incluído no rol das piores peladas da história potiguar. Pobre grama. Sofrida bola.

Nota
A nota da Associação dos Cronistas foi menos pálida do que estava sem cor o meu querido amigo presidente Walfran Valentim durante o “cerco aos indisciplinados”.

Fechado
O América vai fechado contra o Vitória na estreia da Copa do Nordeste. Leandro Sena vai soltar os laterais, botar cinco no meio-campo e deixar somente dois jogadores no ataque, Pardal e Max.

Há 33 anos
Com gols de Marinho Apolônio e Davi, o América vencia(2×0) o River na estreia do Brasileiro.

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