O circo

Respeitável público, saiba que alguém cismou com um terreno aqui ao lado da minha casa e resolveu armar um circo…

Respeitável público, saiba que alguém cismou com um terreno aqui ao lado da minha casa e resolveu armar um circo para alegrar a criançada natalense por uns meses. Isso tudo sem que a Prefeitura cumprisse, mais uma vez, a lei que obriga estabelecimentos a oferecerem vagas de estacionamento em quantidade compatível com a de clientes/espectadores previstos. Aí uma cambada de gentinha mal educada joga automóveis na calçada alheia, sob trocentas placas que avisam da proibição de estacionar ou mesmo parar naquele local. Só faltam balões de propaganda para ficar com cara de feirão de veículos.

Semob, amarelinhos, o djabo faz vista grossa e a vizinhança passou a enfrentar sérios problemas com duas coisas básicas em uma suposta democracia: entrar e sair de casa. Sem contar a música alta, repetitiva e maçante. Tem brega italiano, tango argentino, tema da Pantera Cor-de-Rosa e David Guetta (argh!). Em alguns cômodos, ler ou ver televisão requer esforço dobrado. Talvez eu seja uma voz dissonante e amargurada, ao reclamar da felicidade que centenas de pessoas sentem embaixo daquela tenda. Mas o palhaço aqui está cansado com a brincadeira de mau gosto e pensa que o espetáculo deveria fechar a cortina e apagar as luzes (se nesta segunda-feira ele encerrou as atividades, já vai tarde).

Quando “os últimos dias” anunciados em outdoors por R$ 10 chegarão? Não bastaram as duas agências bancárias abertas nos últimos anos, na esquina da rua Raimundo Chaves com a Salgado Filho, também sem a menor atenção para com o carro dos clientes e o direito de ir e vir dos moradores da área? Nos horários em que o trânsito parece um duelo dentro de um globo da morte, eu preciso negociar minutos para sair de casa, até que alguém resolva ser educado e me dar a vez – lembre-se que o mesmo trecho, além de outros condomínios, engloba três emissoras de televisão, um buffet infantil, uma academia de ginástica, dois bares/restaurantes, uma distribuidora de bebidas e uma de sapatos para a mulherada.

Ah, e tem a principal entrada do Centro Administrativo, onde a anarquia dos motoristas já motivou reportagens diversas. Agora pense isso todo dia (sobretudo na hora do almoço e começo da noite) e diga se não devo pedir ajuda de custo, caso minha pressão arterial clame por recursos químicos. Fabricar leis, bater boca em audiências públicas (quase todas inúteis) e mandar releases para veículos de comunicação a cada novo projeto, quando, na verdade, nada será cumprido, só aumenta a raiva e a descrença do cidadão. Um dia a bolha estoura nesse picadeiro sem graça. (C.C.).

 

Ô povo imundo!
Fui ao Parque das Dunas no sábado. Cheguei umas 16h15, só para ver as atrações finais do Dia das Crianças. A quantidade de lixo era impressionante. Na entrada, então, a galera não contou conversa para se livrar de embalagens e restos de alimentos.

Ô povo imundo! – II
Sacos plásticos, canudos, caixas de sucos e biscoitos, tinha de tudo. Mesmo com vários depósitos de lixo espalhados pelo Parque, o único em funcionamento na cidade que merece a alcunha. Depois não adianta reclamar do poder público.

Ô povo imundo! – III
É como não gostar de tomar banho e escovar os dentes. Pode ser um pobre lascado, mas ele tem informação suficiente para saber que a atitude é absurda. A Prefeitura, ou quem quer que seja, precisa multar urgentemente essa horda medieval.

E na vizinha…
Torcedores do Fortaleza quebraram três mil cadeiras (!!!) da Arena Castelão, após o time ser eliminado da série C do Campeonato Brasileiro pelo Sampaio Correia (MA). Era o maior público (57.143) desde a inauguração, em dezembro passado.

Violência para todos
Tudo bem que socialista convive numa boa com assassinatos, mas o que tem acontecido no país nos últimos tempos é de estimular a doidera de muito Lee Oswald que tem por aí. Um dia o pai de alguma menina brutalizada descontará a dor em um ente público.

Sem noção
Luan Santana disse que revolucionou o sertanejo, em seu novo DVD. “Eu dei uma inovada radical na música sertaneja. Mas sem perder a essência dela”. Cadê o empresário que não manda esse fast food gorduroso ficar calado?

Mais vaias
Desde 2002, o pivô Nenê jogou apenas dois torneios pelo Brasil. Sempre tem uma contusão, uma negativa do clube para liberá-lo (atualmente está no Washington Wizards), um problema pessoal. Por isso, não pode ficar magoado com as vaias que levou no Rio.

Mais vaias – II
Nem com as críticas de Oscar Schmidt, maior ídolo do basquete nacional, durante o final de semana que passou, cujo jogo entre o Wizards e o Chicago Bulls marcou a estreia da NBA por aqui – atraiu 13,6 mil pessoas à Arena HSBC.

Mais vaias – III
Assim como o ala-armador Leandrinho, também vaiado ao aparecer no telão (acompanhou o jogo como espectador). Parte do fracasso da seleção brasileira de basquete nos últimos anos pode ser creditado na conta da dupla talentosa.

Botafogo
O equilíbrio nos confrontos com o Flamengo pelo Brasileirão fez com que um resultado como o de ontem (2×1) invertesse o tabu: agora é o Mengão que não vence o alvinegro há quatro anos. São oito empates e uma vitória para o time hoje liderado por Seedorf.

Botafogo – II
Por falar no holandês, basta ele jogar razoavelmente bem para a Libertadores virar uma realidade. Faltam dez jogos e a tabela é ingrata, se comparada com a dos adversários diretos. Quinta-feira tem o Vitória no Barradão. Mais sufoco.

Cinema
Único país sul-americano a ganhar dois Oscars, a Argentina definiu seu concorrente ao prêmio de Melhor Estrangeiro 2013. Será “Walkoda”, obra de Lucía Puenzo, que conta a relação entre o nazista Josef Mengele e uma família na Patagônia.

Far From Alaska
Bacana o clipe de “Dino Vs. Dino”, tema da banda potiguar que tem conseguido certo espaço na mídia nacional. A música é nota 6, mas as imagens nas inóspitas dunas do Rosado valem uma conferida na net.

Olha aí
O Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFRN realiza, de 14 a 17 de outubro, o I Colóquio de Ética e Filosofia Política com o tema “O Sujeito em Questão”. A programação tem início hoje, a partir das 17h30, no auditório da Biblioteca Central.

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