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O desafio da catequese política

Data: 23 janeiro 2013 - Hora: 18:09 - Por: Walter Gomes

Apesar do discurso monocórdico de 2010, Marina Silva quase chegou aos 20 milhões de votos na eleição para presidente da República. Desencantada com o PV que adotara após desentender-se com o PT, desfiliou-se da sigla verde, balcão de interesses pessoais da cúpula nacional.  Mas, mudou pouco a oração política da acriana com passagem pelo Senado (1995-2011) e, como parlamentar licenciada, pela Esplanada dos Ministérios.  Foi titular do Meio Ambiente (2003 a 2008) sob o governo Lula da Silva.

Incentivada pelo Movimento por uma Nova Política, criado há dois anos, a Mulher da Floresta incumbe-se de criar uma legenda para o pleito de 2014. O desafio é grande. Até outubro, precisa conseguir a subscrição mínima de 500 mil eleitores inscritos em nove estados, conforme exige a legislação eleitoral.

Começou a corrida com barreiras, ontem à noite, em São Paulo. Participaram históricos apoiadores de Marina e o provável próximo quadro: deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP). Dia 16 de fevereiro, em Brasília, outra etapa com importância ampliada. Na capital do País, serão discutidos nome e programa da legenda.

Há oito congressistas, pelo menos, simpáticos ao projeto do novo partido. Marina descarta, no entanto, fazer concessões para receber lideranças sem alinhamento com o ideário da sigla em gestação.
Recado – será para valer? – ambientalista que também foi vereadora e deputada estadual:
“Não haverá adaptação de discurso para integrar pretendentes.”

Frente a frente
Sexta-feira, em São Paulo, Dilma Rousseff reúne-se com Lula da Silva.
Do antecessor, a presidente da República ouvirá conselhos, críticas e sugestões.

A afilhada foi boa candidata em 2010 e acumula surpreendentes índices de apoio popular.
Mas, no governo, tem escorregado nas relações com a base parlamentar, irritado empresários e magoado auxiliares.

Personagens de referência do lulismo temem que a aspereza da senhora Rousseff prejudique a campanha para a conquista do quarto mandato presidencial do PT.

Setor de realce
Frente Parlamentar do Agronegócio desperta cobiça.
Influente no Legislativo e com alta visibilidade externa, a presidência do bloco interessa a várias legendas.
Quatro, porém, têm sido mais eficientes na coleta de apoios para a conquista do cargo.

Seguem os partidos e os deputados (todos de Mato Grosso) que participam da disputa:
1. DEM – Júlio Campos;
2. PSD – Homero Pereira;
3. PSDB – Nilson Leitão (foto);
4. PSB – Valtenir Pereira.

Eleição programada para depois da escolha das mesas diretoras do Senado (primeiro de fevereiro) e Câmara (três dias depois).

- Era só o que faltava. O governo convida – ou o verbo é convocar? – os candidatos a líder do PMDB na Câmara, para “conhecer os planos deles”. Não à toa, o Legislativo é tido como um mero apêndice do Executivo.
- A tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog – protagonizada por beleguins a serviço da ditadura militar – vai ser analisada pela Comissão de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos).
- Nas três primeiras semanas de janeiro, o déficit da balança comercial do país atinge US$ 2,7 bilhões. É o maior saldo negativo desde 1995, primeiro ano do segundo governo Fernando Henrique Cardoso.
- Sucessão em Minas Gerais: no PSDB, fala-se em Pimenta da Veiga para governador. Ele é amigo de Antonio Anastasia, no exercício do segundo mandato, e, sobretudo, de Aécio Neves, líder do tucanato estadual.
- Para refletir: “Às vezes, vejo-me refletido em anciões taciturnos que caminham chutando pedaços de sonhos” (José Luiz do Nascimento Sóter, poeta brasiliense).

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