O dogma do incerto – Walter Gomes

Marina Silva parou de crescer. É uma informação alentadora para regozijo do comitê de Dilma Rousseff. Na central da campanha…

Marina Silva parou de crescer. É uma informação alentadora para regozijo do comitê de Dilma Rousseff. Na central da campanha da candidata socialista, considera-se a interrupção de alta como corriqueira. No gabinete de marketing da petista, imagina-se que foi aberto espaço para a presidente da República chegar à zona de conforto na passagem para o segundo turno.

Herdeira de parte dos eleitores de Aécio Neves – sobretudo os de diploma universitário e padrão de vida acima da média -, a senhora Silva pode ter chegado ao teto de seu potencial na fase de eliminação. É fundamental manter esse grupo a seu lado na etapa seguinte. A candidata que veio do Acre ultrapassou o concorrente de Minas Gerais e empatou com a mineira-gaúcha pela identificação com a mensagem de protesto das ruas. Mas, as revisões no programa de governo e as emendas no discurso – não muitas, mas fundamentais no quesito credibilidade – surpreenderam negativamente ao que se convencionou chamar ‘elite pensante nacional’.

Talvez seja precipitado dizer que Neves perdeu o impulso para ser promovido a finalista. A 31 dias da eleição, pode ocorrer mudança que se transforme em reviravolta. É improvável, entretanto. Ele não se estabilizou em índice que permita a recuperação. O social-democrata escorrega no tobogã do insucesso, atestam os institutos de opinião.

Dilma se assemelha a uma anticandidata. É presunçosa, falseia a realidade, finge o conhecimento que não tem das questões brasileiras e fala mal mesmo quando lê. Apesar desse conjunto, cujo denominador comum é a inoperância administrativa, ela está vivíssima. Será promovida ao embate de decisão no último domingo de outubro. E se a oratória fosse fundamental, ela não estaria em desvantagem. O discurso de Marina dá sono.

O trio maravilha

Pesquisa para governador nos três maiores centros eleitorais do país.

Em São Paulo (32 milhões de votantes), Geraldo Alckmin (foto) pode renovar o mandato no primeiro turno, diz o Ibope e o Datafolha confirma.

Os índices do tucano variam de 50% a 53%. Paulo Skaf (PMDB), entre 19% e 22%. O petista Alexandre Padilha, com o máximo de sete pontos até ontem, decepciona.

Nas Gerais (15,2 milhões de pessoas com título na mão), Fernando Pimentel (PT) supera Pimenta da Veiga (PSDB), mas o placar é de alto risco: 32 pontos contra 24. Outros, incluso Tarcísio Delgado (PSB), somam 7%.

Situação no Rio de Janeiro (12,2 milhões de eleitores) continua embaralhada.

Anthony Garotinho (PR) contabiliza 28% dos votos contra os 23% de Luiz Fernando Pezão (PMDB). Terceiro lugar, Marcelo Crivella (PRB) soma 18%; e Lindbergh Farias (PT), com 11%, ocupa a quarta colocação.

Garotinho, o mais rejeitado, perde na simulação do segundo turno para Pezão (36 a 43) e para Crivella (33 a 45).

– Cálculo de especialista em voto proporcional. O PSB ampliará sua bancada na Câmara dos Deputados; o PSDB perderá cadeiras. PMDB e PT disputarão o torneio da maior bancada.

– Você definiu o nome para governar o estado potiguar?

– A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, foi multada pela Corte Eleitoral. Vai pagar R$ 212 mil por veiculação de propaganda institucional considerada irregular.

– Se renovar o mandato, a presidente da República pode fazer um agrado a Lula da Silva. O padrinho dela quer Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda. Meirelles, de origem tucana, foi presidente do Banco Central nos dois mandatos de Lula.

– No Rio Grande do Norte, está indefinido o pleito para o Senado. Fátima Bezerra (PT) ameaça Wilma de Faria (PSB). A ex-governadora era favorita absoluta. Nos recentes levantamentos de intenção de voto, sumiu o adjetivo que qualificava a situação da socialista.

– João Otávio de Noronha é o novo corregedor-geral da Justiça Eleitoral. Mineiro de Três Corações, ele, 58 anos, é ministro do Superior Tribunal de Justiça.

– Há, pelo menos, 60 parlamentares federais que aguardam o desfecho do primeiro turno da guerrilha pelo Palácio do Planalto. Tomarão rumo só depois da primeira semana do horário eleitoral no rádio e na tevê.

– Para refletir: “Fazer poesia é confessar-se” (Friedrich Klopstock, poeta alemão).

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