O duelo do real com o dólar

Dizer que a economia brasileira está em perigo é exagero; considerá-la em estado de bem-aventurança, também.  A oposição cumpre seu…

Dizer que a economia brasileira está em perigo é exagero; considerá-la em estado de bem-aventurança, também.  A oposição cumpre seu papel crítico, à parte o radicalismo incentivado pela inconsequência. Já o governo desenha uma imagem que contraria a realidade. É a forma de Guido Mantega anunciar o que o seu otimismo delirante sugere e o interesse político da presidente da República subscreve.

Há dois dias, numa conversa informal no Rio de Janeiro, o economista Armínio Fraga (*) disse a três colunistas – um baseado em Brasília e dois em São Paulo – que há, de fato, momentos complicados porque a improvisação é má formadora de políticas públicas Há casos, porém, “de acerto inquestionável da autoridade econômica”.

Questiona o jornalista de Brasília:
– É o caso do câmbio?  Só em novembro, bilhões foram gastos para conter a alta do dólar…
– … essa providência equivale a uma espécie de seguro ao mercado. O objetivo não é ganhar ou perder dinheiro. O que importa é tranquilizar empresários e investidores que temem a desvalorização do real. Sem o seguro oferecido pelo Banco Central, o mercado buscaria proteção comprando dólares à vista, o que elevaria ainda mais as cotações – explicou o economista.

Fraga prevê aumento da cotação do dólar por causa do cenário favorável à recuperação da economia dos Estados Unidos.
Resultado, segundo ele:
“Perdas para quem tem dívida externa e elevação dos preços de produtos importados. Ruim, portanto, para o Brasil e os consumidores.”

(*) Carioca de 56 anos, ele presidiu o Banco Central no quadriênio final do governo Fernando Henrique Cardoso. Sócio majoritário da empresa Gávea Investimentos e membro do Conselho Administrativo do Unibanco,  faz parte da equipe de consultores do senador Aécio Neves, candidato do PSDB ao Palácio do Planalto.

Fala quem sabe
Dois comentários de Delfim Neto, às vésperas da passagem de ano.
No primeiro, o ex-ministro (Fazenda, Planejamento e Agricultura) fala como economista:
“Se a prudência prevalecer, o Brasil atravessa bem o ano eleitoral.”

Como ex-deputado, o político declara:
“Vai haver segundo turno na eleição para o Planalto. A disputa será grande até o desfecho. De um lado, a presidente Dilma, certamente. Do outro, Aécio (Neves) ou (Eduardo) Campos. O quadro é mais favorável ao mineiro que ao pernambucano.”

- Quase certo: o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), deve ser o coordenador da campanha de Dilma Rousseff no Nordeste. Se confirmada, a escolha desagrada a aliados do Ceará e de Pernambuco.
- Líder do PSB na Câmara, o gaúcho Beto Albuquerque crê na final Dilma Rousseff e Eduardo Campos. Por quê? – interrogou uma repórter de O Globo. “Há três eleições, o PSDB é freguês do PT”, respondeu o deputado.
- Os três principais presidenciáveis assistem à passagem de ano, no litoral. A senhora Rousseff, na base naval de Aratu (BA); o senador Aécio Neves, em Angra dos Reis (RJ); e o governador Eduardo Campos, no Porto de Galinhas (PE).
- Ideli Salvatti, aconselhada pelas circunstâncias desfavoráveis, desiste de concorrer ao Senado. O candidato do PT será Cláudio Vignatti, hoje a principal referência da sigla em Santa Catarina. A ministra das Relações Institucionais vai às urnas como pretendente à deputação federal.
- No Rio Grande do Sul, acirra-se o embate pela governança do estado. Tarso Genro (PT), em busca da renovação do mandato, está literalmente empatado com a senadora Ana Amélia Lemos (PP).
-Roseana Sarney renuncia, em março, ao Executivo do Maranhão para concorrer ao Senado, onde esteve de 2003 a 2009. Não está fácil a situação eleitoral da governadora.
-Aproveite bem o último fim de semana de 2013, e até terça-feira. Na segunda, você fica na companhia de Joaquim Pinheiro, enciclopedista da política do Rio Grande do Norte.
- Para refletir: “Como é possível que, sendo as criancinhas tão inteligentes, a maioria dos adultos seja tão tola?” (Alexandre Dumas, filho, escritor francês).

Compartilhar: