O enredo é de comédia – Walter Gomes

São várias, muitas talvez, as pessoas que usam o qualificativo ‘pacóvio’ – ou sinônimos como ‘parvo’ e ‘toleirão’ -, quando…

São várias, muitas talvez, as pessoas que usam o qualificativo ‘pacóvio’ – ou sinônimos como ‘parvo’ e ‘toleirão’ -, quando se referem a Ronaldo Nazário, ex-titular da camisa 9 da seleção brasileira de futebol. Ele diz bobagens – conforme lhe imputam -, mas quem está imune ao deslize?

No caso de se sentir envergonhado por causa de atrasos ou defeitos na montagem da infraestrutura para a Copa do Mundo que o governo (à época, o chefe era Lula da Silva) acertara com a Fifa, ele manifesta sua opinião. Como qualquer outra pessoa, o centroavante de ofício tem direito de criticar. E ele nem falou no “desvio de recursos”, como denunciou Romário (*), outro artilheiro do país, hoje deputado federal e candidato a senador pelo PSB fluminense.

A presidente da República promete ao mundo que o Brasil realizará a “Copa das copas”. Há quem considere bobagem com toque de deslumbramento patriótico. Não seria a primeira tolice da mandatária, em rede nacional de rádio e tevê. Truanice ou não, está protegida pela liberdade de expressão. Da mesma maneira, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, não é proibido de considerar “Um chute contra o próprio gol” a decepção confessada pelo atleta aplaudido no passado recente.

Mas, a senhora Rousseff não foi feliz ao incluir na represália frase incompleta de Nelson Rodrigues. Entende-se que tenha ficado contrariada pelo que Nazário falou. Não se compreende, porém, a frágil reação do Palácio do Planalto à desrespeitosa manifestação do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, a respeito da falta de pontualidade dos responsáveis pelo palco da festa mundial do futebol. O “chute no traseiro”, como advertência de castigo feita pelo francês foi demais. Aí, sim, o texto do cronista e dramaturgo – “O brasileiro tem complexo de vira-latas” – traduz a submissão da República Surrealista dos Trópicos à Fédération Internationale de Football Association.

(*) Hoje, ao chegar à Câmara, o parlamentar reacendeu o estopim: “Já perdemos a Copa fora de campo. Para ganhar dentro, é preciso rezar.”

Ponto de eclosão

A propósito da aliança do governador paulista com o PSB.

Do Rio de Janeiro, pelo telefone, Aécio Neves informa que Geraldo Alckmin (foto) tem liberdade para fazer as composições que sejam mais confortáveis ao seu projeto de reeleição.

Explicação de Neves, líder nacional da social-democracia:

“Com Alckmin fortalecido em São Paulo, o partido cresce no Brasil inteiro.”

Há articulação para o socialismo se coligar, no estado, com o PSDB do maior colégio eleitoral do país. Registre-se, porém, a forte discordância de Marina Silva, provável vice de Eduardo Campos, postulante do Partido Socialista Brasileiro ao Palácio do Planalto.

Direto ao ponto

Artigo publicado em Natal repercute no Nordeste e em Brasília.

Com a assinatura de Carlos Gomes, advogado e escritor potiguar, o texto comenta as dificuldades de acesso ao novo aeroporto natalense e critica a transferência, às vésperas da Copa do Mundo, de decolagem e pouso de aeronaves civis da estação de Parnamirim para as pistas de São Gonçalo do Amarante.

Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Gomes esperava que a mudança de local não levasse à troca de denominação. Para ele, seria melhor que continuasse a se chamar Augusto Severo, “um ícone da aviação”.

– Hoje à noite, Dilma Rousseff troca de palácio. Deixa o Alvorada, onde mora, e vai ao Jaburu, residência do vice-presidente Michel Temer. Em campanha para reeleger-se, a chefe do governo janta com grão-duques do PMDB.

– Sergei Soares assumiu, hoje de manhã, a presidência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

– O Banco Central deve anunciar, amanhã, a manutenção da Selic, taxa referencial dos juros, em 11%. Assim esperam operadores do mercado.

– Dilma Rousseff reúne-se, quarta-feira (28), com empresários. Expectativa: permanência da desoneração da folha de pagamento.

– Já não se discute: o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) chega ao segundo turno no Rio de Janeiro. Hoje, Anthony Garotinho (PR) seria o concorrente.

– Para refletir: “O pior de uma crise é não admitir que ela existe” (Miriam Leitão, jornalista brasileira).

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