‘O estado falhou’

Expressivo e eloquente o desabafo da economista Virgínia Ferreira, filha de Leônidas Ferreira – que saudade do meu amigo! –…

Expressivo e eloquente o desabafo da economista Virgínia Ferreira, filha de Leônidas Ferreira – que saudade do meu amigo! – vítima, no final de semana, de assalto brutal, ao declarar nas redes sociais: ‘O Estado falhou’. E ai, por sua formação política, não se confunde o Estado como ente superestrutural, alicerçado, segundo afirma Norberto Bobbio, no ordenamento político e jurídico a serviço da sociedade, com um simples território apenas físico, um aparelho ideológico, um país ou uma unidade de federação.

Esta coluna – perdoe se parecer imodéstia – tem sido enfática ao apontar a insegurança e a falha nos serviços públicos de saúde como as duas forças mais catalizadoras do desgaste do Governo Rosalba Ciarlini. O extinto de preservação é a mais universal das reações humanas. Do milionário ao miserável. Mesmo que na saúde o lastro financeiro possa suprir com planos privados e atendimentos particulares, e mesmo assim a soma dos detentores desses planos, fortes ou fracos, não ultrapassa a 30% da população.

Ora, Senhor Redator, por mais diminuto que se queira o Estado moderno, não há de ser menor do que seus deveres fundamentais – segurança, saúde e educação. É fácil admitir que a pobreza leva, ainda, os nossos gestores públicos ao excesso de obreirismo bem tipificado desde o slogan de Washington Luís – ‘Governar é construir estradas’. Ainda seria isto, se a dinâmica social não fosse a força centrifugadora a conscientizar a sociedade dos seus direitos que são deveres de Estado, constitucionalmente garantidos.

O ato de governar, da esfera federal às pequenas esferas municipais, sofre o vício secular que é buscar a glória e o lucro com a construção de grandes obras. O colosso afaga os olhos do povo desde Grécia e Roma antigas. E nada impede que esse agrado seja feito, como as arenas esportivas que agora irão adornar a vaidade do país do futebol. Assim como as arenas romanas nas mãos de seus imperadores foram símbolos de glória e infortúnio, vida e morte, representadas pelo simples gesto de um polegar.

É boa – sobretudo pelos efeitos benéficos que possa produzir – a reação da economista Virgínia Ferreira, à frente da Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Natal. Ela sabe mais do que ninguém o quanto é precário o socialismo do PT e do PDT, partidos dela e do prefeito, mesmo com suas velhas raízes brizolistas. Mas nada impede que estando à mesa das decisões que envolvem a vida de um milhão de viventes nestas margens do Potengi lute com a consciência do trágico para o Estado não fracassar.

Quantas vezes, Senhor Redator, sob o manto socialista, não se arma o circo e, à sombra de sua empanada colorida, não se serve o pão festivo e fala do engodo? A festa, dizem seus estudiosos – entre eles Jean Duvignaud – certas vezes substitui a ação política. É preciso não esquecer os versos de Geraldo Vandré. Aqueles, como lâminas de ironia, e que avisavam assim, posto que a dor do povo, a rigor, não acaba nunca: ‘Hoje é dia de festa / todos vão se encontrar, / toda dor, todo pranto / hoje vai se acabar’.

 

CONSULT – I
Wilma lidera todos os cenários para Governo e Senado, com seus sete fôlegos; Garibaldi Filho é seu único contendor; Henrique Alves ainda paga o preço da rejeição e explode o brilho da estrela de Fátima.

SINAIS – II
Wilma e Fátima estão empatadas e, sem Garibaldi e Wilma, a posição de Robinson sobe para 25% e se arma um cenário novo e dramático para a candidatura do PMDB: a excluída vai às ruas com força total.

AVISO
Tem político local sendo discretamente investigado em sua vida financeira a partir de um dado que vem chamando a atenção dos órgãos investigadores: saldo elevado em contas no exterior. Ou seja, nos EUA.

ASFALTO
O prefeito Carlos Eduardo Alves aprovou em Brasília mais R$ 10 milhões que serão aplicados agora no asfaltamento de várias ruas e avenidas da cidade. Com prioridade para as chamadas vias de circulação.

ANOTEM
Se a governadora Rosalba Ciarlini não tomar providências rápidas e urgentes – pode ter perdido tempo precioso – a falta de água em Natal neste verão pode se transformar num eficiente deputado de oposição.

LEITURA – I
Menos de um mês depois de sofrer duas grandes derrotas jurídicas – Mossoró e Natal – o governo do DEM voltou a pagar parcela de R$ 10 mil a magistrados e procuradores aposentados que fora suspensa.

FORÇA – II
É bom não desprezar a força dos Poderes Judiciário e Legislativo. Os procuradores acabam de vencer a causa em defesa do atrasado do auxílio-residência, no STF, contra o voto do ministro Joaquim Barbosa.

 CAFÉ
A Três Corações – faz parte do grupo Santa Clara, do RN, e juntas lideram o mercado do café em pó e solúvel – lança a cafeteira Modo, da Caffitaly System, italiana e com cápsulas de cafés de vários sabores.

URGÊNCIA – I
São compreensíveis os transtornos causados por alguns pacientes levados pelo Samu, ou particulares, ao Walfredo Gurgel se lá chegam sem a identificação, causando embaraços para as solicitações de exames.

MAS – II
Há de haver uma solução garantindo àquelas vítimas de acidente sob o risco de morte todos os exames considerados indispensáveis. Afinal, a vida humana vale mais do que a carteira de identidade. Ou não?

POESIA – I
Pronto para lançamento ‘Bordados’, o novo livro de poemas de Sônia Maria Fernandes com um projeto gráfico de Marcelo Mariz, e fotografias da própria autora. E impresso na Gráfica RN Econômico, 2013.

POR – II
Coincidência foi lançado, este ano, no Brasil pela Companhia das Letras, a história em quadrinhos, com o mesmo título – Bordados – de Marjane Satrapi. É pseudônimo de Marjane Ebihamis, nascida em Teerã.

ALIÁS – III
Marjane é considerada pela crítica literária como uma ‘romancista gráfica’ especializada em contar suas histórias em banda desenhada. Por sua obra – de tons feministas e sensuais – foi indicada para o Oscar.

LAURITA:
Em verdade, em verdade, confesso: não escrevo para agradar ou desagradar. A um velho dinossauro só é dado merecer um único e doce fascínio: tentar acertar. O maior privilégio é poder dispensar privilégios.

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