O exército cubano

Editorial do Estadão O governo anunciou, com espantosa naturalidade, que mais 4 mil cubanos virão ao Brasil para integrar o…

Editorial do Estadão

O governo anunciou, com espantosa naturalidade, que mais 4 mil cubanos virão ao Brasil para integrar o programa Mais Médicos. Com isso, o exército de profissionais exportados pela ditadura castrista para servirem como peça de propaganda eleitoral petista – e serem despudoradamente explorados como mão de obra de segunda classe – chegará a 11.400, maioria absoluta entre os 14.900 médicos do programa.

Ante a pressão do Ministério Público do Trabalho, que está investigando a situação desses cubanos, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, informou que esses profissionais terão um “aumento” em sua remuneração, de cerca de R$ 900 para R$ 3.000 mensais. No entanto, a maior parte da diferença, cerca de R$ 1.400, é justamente o valor que o governo cubano sequestrava do salário desses médicos e depositava em uma conta na ilha em nome deles. Ou seja: o tal “reajuste” nada mais é do que o dinheiro que já era pago aos médicos, mas que só poderia ser usado quando voltassem para casa. Portanto, a situação desses profissionais não mudou nada – eles continuam a ser discriminados.

Por esse contrato, o salário dos cubanos é muito inferior aos mais de R$ 10 mil pagos a médicos de outras nacionalidades que participam do programa. Em vez de entregar o dinheiro diretamente aos médicos cubanos, como faz com os demais profissionais, o governo envia os R$ 10 mil por médico à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que entrega o dinheiro a uma empresa de Cuba, e é essa empresa que remunera os profissionais cubanos – com apenas uma fração do valor original. A ditadura castrista embolsa o resto – e Chioro disse não saber o que é feito com esse dinheiro do contribuinte brasileiro, cujo total passará de R$ 900 milhões.

Chioro disse que esse modelo de contrato é igual ao estabelecido com os demais países que recebem médicos cubanos. Mas o Jornal Nacional (27/2) mostrou que isso não é verdade. Ao pesquisar a situação na França, no Chile e na Itália – países indicados pelo Ministério da Saúde como exemplos -, a reportagem mostrou que, nos dois primeiros casos, os médicos cubanos recebem o salário integral. Já a Itália nem sequer contrata médicos cubanos.

Segundo o Jornal Nacional, a Opas admitiu que o contrato aplicado no Brasil não tem equivalente no mundo. Revelado pela cubana Ramona Rodríguez, que desistiu do programa ao saber que receberia muito menos que seus colegas de outras nacionalidades, o tal compromisso é draconiano – o profissional, por exemplo, não pode receber nem sequer visitas sem avisar à “Brigada Médica cubana”, nome fantasia para os agentes do governo castrista.

Quem fornece o serviço dos médicos é uma empresa chamada “Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos S.A.”. Os contratados são devidamente advertidos de que terão de guardar “estrita confidencialidade” a respeito dos termos do documento e que, caso se neguem a retornar a Cuba, serão considerados desligados do programa e estarão submetidos à legislação brasileira, que veda o exercício da medicina a estrangeiros que não revalidem seu diploma.

Do ponto de vista trabalhista, o truque é qualificar o trabalho dos médicos como “intercâmbio acadêmico”, o que não cria vínculo empregatício. Mas em direito trabalhista existe o princípio da primazia da realidade, em que os fatos se impõem sobre o que está escrito – e a realidade é que os “intercambistas” cubanos nada mais são do que profissionais sub-remunerados. Ademais, o próprio contrato que esses médicos tiveram de assinar os qualifica como “profissionais de saúde”, e não como estudantes.

Que o Mais Médicos é eleitoreiro, já não resta a menor dúvida. Em vez de investir na melhoria global da saúde, o governo preferiu o truque de importar milhares de médicos para enviá-los aos confins do País, sem lhes fornecer a infraestrutura necessária para um atendimento eficaz. Nada justifica o descarado atropelo das leis trabalhistas, cujo objetivo é não apenas sustentar a demagogia do governo, mas também – e talvez principalmente – financiar a ditadura cubana. (OESP)

Pingos nos ii

Reportagem do Estadão de hoje mostra que na reunião das cúpulas de PMDB e PT, ontem, a tese petista local de prioridade na candidatura de Fátima Bezerra ao Senado foi por água abaixo. O PT nacional tem como foco número um a campanha de Dilma.

Penduricalhos

A direção nacional do PT quer o maior número possível de palanques para Dilma Rousseff, e para alcançar isso deverá sacrificar candidaturas majoritárias em favor de aliados que possam fortalecer a campanha presidencial em seus estados.

Dissimulação

Num espaço de quinze dias, o PT local revelou seu estilo escorregadio em formar alianças. Primeiro foi Fernando Mineiro ignorando no Twitter a candidatura de Robinson Faria, depois foi Fátima declarando que nada está “amarrado” com o PSD.

Dúvidas

O descanso em família na viagem para Portugal parece não ter dirimido as dúvidas do empresário Fernando Bezerra quanto ao convite do PMDB para ele ser o candidato a governador. Muito provavelmente, ele informe nas próximas horas que não quer.

Atraso

Quem não anda nada confortável com a demora do PMDB em definir o nome para governador é o ministro Garibaldi Filho. Para ele, tem que ser Fernando ou Henrique, e só. O homem de um milhão de votos se preocupa com o avanço de Robinson nas ruas.

Dois turnos

Os analistas políticos são quase unânimes de que a campanha de outubro será decidida no segundo turno, principalmente se Rosalba Ciarlini sair à reeleição. Hoje, Robinson Faria tem mais de 20 pontos e a governadora tem como chegar a isso também.

Brasil fake

Não há nada mais óbvio nos números mentirosos do governo federal do que o chavão publicitário de que “vivemos o pleno emprego”. Ora, como isso pode ser verdade se há dezenas de milhões de brasileiros recebendo a esmola do auxílio-desemprego?

Protestos

Na quarta-feira, 12, agentes federais de todo o país viajarão para Brasília onde participarão da “Marcha Nacional contra a Burocracia e o Sucateamento da Polícia Federal”. O PT quer fazer com a PF o que já está fazendo com as Forças Armadas.

50 anos

No dia seguinte ao protesto da PF, faz meio século da passeata de 500 mil pessoas em que o então presidente Jango anunciou as “reformas de base”. Seis dias depois, São Paulo respondeu com a “Marcha da Família”, que será repetida no próximo dia 22.

Bregou

Não está fácil a vida em Natal, até nos estabelecimentos com bons serviços. Na quarta-feira de cinzas, a praça de alimentação do Natal Shopping estava tomada num pagode ao vivo. E hoje cedo, o mesmo mau gosto impregnou a bela Padaria Mercatto.

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    • Roberto

      Caro Jornalista Alex Medeiros: procure distinguir o que é samba e o que é pagode. Seria bom procurar saber quem foi Cartola, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Martinho da Vila, Zé Queti, Clara Nunes, João Nogueira, Chico Buarque de Holanda e outros bambas do samba da melhor qualidade. Atualize-se Alex Medeiros. Você é um bom Jornalista. Mas com essa mentalidade deixa a desejar. Outra coisa: se você não sabe, o samba raiz está sendo executado nas melhores casas do Brasil. Seja em locais chique ou seja em rodas de samba e bairros menos privilegiados. Se liiiiiga aí cara.

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