“O extraordinário grilo falante” de Júlio Ramezoni será lançado amanhã

Livro já foi Publicado nos EUA e vendido no amazon.com desde 2012

Conrado Carlos

Editor de Cultura

O amigo leitor entra no Amazon.com e digita Ramezoni. Logo aparecem duas versões de The Amazing Talking Cricket, uma impressa (U$9,86), outra, para kindle (U$8,17). Ver o nome de um autor potiguar na maior loja virtual do mundo já é bacana, mesmo para quem desconhece os pormenores. Mas ao sabermos que ele fez contato via e-mail com a editora iUniverse, empresa fundada em 1999 no Estado de Indiana e, hoje, parte do casting da gigante Barnes & Noble, e que daí sua história infanto-juvenil foi traduzida e exposta em doze sites de compras americanos, temos a certeza da raridade louvável.

A partir das 09 horas de amanhã (19), no IFRN da Cidade Alta (Av. Rio Branco, 743), em um evento dentro da II Maratona Potiguar de Contação de Histórias, Júlio Ramezoni lançará “O Extraordinário Grilo Falante”, seu sétimo livro publicado em 70 anos de vida. O advogado, ex-dono de agência publicitária, tem uma mente hiperativa, que desde a infância mostrava desenvoltura para criar cenários e situações surrais. “Eu tinha dez anos, quando chegava para os adultos, que paravam para ouvir minhas histórias, e dizia que não era desse mundo, que o vento que eles sentiam era um sopro que eu dei milhares de anos atrás”.

O escritor e compositor (ele tem músicas gravadas por vários artistas locais, de gêneros distintos, como o samba, o blues e a valsa) usou um problema cotidiano para compor sua nova narrativa. Um resumo apressado diria que Giordano é um contador carioca de sucesso. Procurado por empresas internacionais, ele é a figura-emblema do sujeito viciado em trabalho. O que lhe cobra um preço – cada vez mais alto por enfrentar as agruras de uma urbe caótica, como o Rio de Janeiro. Até que aceita o convite de uma tia para vir morar no sertão, em uma propriedade sem luz, mas propícia para estreitar a relação com a natureza.

Filho de uma família seridoense, Ramezoni (pseudônimo que Júlio Ernesto de Faria criou ao brincar com nomes científicos de plantas e a numerologia, décadas atrás), confirma que tudo germinou no campo da ficção, sem dados biográficos no processo de feitura do livro. “Ao ser recebido pela tia, Giordano começa a ser perturbado por um grilo, que toda noite faz barulho. O homem planeja pegar o grilo, mas toda vez que se levanta, o bicho fica quieto. Uma noite, ele consegue pegá-lo na dispensa e decide matá-lo. O inseto diz: ‘Querendo me matar por causa do meu canto?’. Ele pensa que está vivendo um sonho, desde que saiu do Rio”.

A ajuda de uma filha professora de inglês foi fundamental na articulação com a editora estrangeira. “Teve uma vez que ficamos mais de uma hora conversando pelo Skype. Eles ligavam e, quando eu atendia, por não saber nada de inglês, passava para minha filha”. Empolgados com a história da dicotomia urbanidade x ecologia, editores americanos apostaram nas palavras do natalense formado intelectualmente com a leitura de livros sagrados, dos contos de Oscar Wilde e nos romances de Liev Tolstói. “Creio em Deus acima de todas as religiões, dos padres e dos pastores”, diz Ramezoni, para quem a sabedoria está nos Evangelhos.

Ele destaca três aspectos dos Evangelhos que flutuam sobre o personagem do contador. “Servem para toda a humanidade, que é a Salvação, conseguida por quem faz bem ao próximo; a Perfeição, o que poucos conseguem, como são Francisco de Assis e o próprio Tolstói, quando se livrou de tudo que era material e doou aos pobres; e a Verdade como libertação”. Crente, agnóstico ou ateu, coabitar uma cidade com milhares de seres envolve a tríade de valores destacadas por Ramezoni. E mostrar de forma lúdica a importância de algo fora de moda, nessa era de consumismo onipotente, pode ser uma via expressa rumo a elevação crítica e moral.

Julio-Hernesto-Ramezoni---escritor-JA

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