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O fardo da dependência

Data: 08 fevereiro 2013 - Hora: 18:05 - Por: Walter Gomes

A partir do resultado das urnas de 2012, ampliou-se, a cada lance político-econômico, a dependência do governo central da versatilidade estratégica do PMDB. Há mais a dizer. Incluam-se no método de ação do estado-maior da sigla duas ou três porções de malandragem.

Essa observação reflete a sequência de fatos provocados por decisões equivocadas do Palácio do Planalto, a disputa de espaço na Esplanada dos Ministérios (e adjacências) e a supremacia do peemedebismo no Congresso Nacional. Acrescentem-se à cesta básica de incômodos os informes nervosos sobre os rumos da economia circulantes nas associações empresariais – sobretudo, da agricultura e indústria –, além da boataria nascida e criada nos gananciosos feudos do mercado financeiro.

Os atropelos deste ano, véspera de eleição geral, complicam o projeto de reeleição da presidente da República. Ainda é impreciso dizer que a recandidatura de Dilma Rousseff é refém do PMDB, mas há indícios de que assim seja.

Com o peemedebê, a conquista do segundo mandato não deverá ser o passeio anunciado. Sem ele, complica-se. Os altos índices de apoio à Presidente mostram o instante do encontro de pesquisadores e entrevistados. Sublinhe-se que, por enquanto, só há o simpático tucano Aécio Neves como desafiante provável da recandidata. Possivelmente, outros virão. Marina Silva e Eduardo Campos têm pesos político-eleitorais específicos. Em 2010, ela, a ambientalista, chegou perto dos 20 milhões de votos. Ele, dois anos depois, subiu ao pódio com a bandeira do PSB, legenda que preside. Os candidatos de Campos derrotaram os da senhora Rousseff em três capitais de referência: Belo Horizonte, Fortaleza e Recife.

Faltam quase 20 meses para a eleição. Nesse tempo, precisa gerar e multiplicar fatos positivos. E as expectativas não alimentam otimismos. O contágio dos males externos, os de longe e os mais próximos, é uma ameaça permanente. E a Argentina, herdada por Cristina Kirchner, é vizinha do Brasil.

 

O cerco ampliado
Alguma coisa sobre as “agruras” de Geraldo Alckmin.
Ele não tem o que reclamar aos deuses da política. Foi vereador e prefeito de Pindamonhangaba, onde nasceu, deputado (estadual e federal). Em 2006, concorreu à Presidência da República e disputou o segundo turno com Lula da Silva.
Pela terceira vez, governa São Paulo. O tucano quer mais, porém.  Pretende ganhar o quarto mandato em 2014. Contra o propósito dele, posicionam-se postulantes de partidos fortes, intermediários e frágeis.

O primeiro grupo agrega cinco petistas: Alexandre Padilha, Aloizio Mercadante, Guido Mantega, Luiz Marinho e Marta Suplicy.
Celso Russomano (PRB), Gabriel Chalita (PMDB) e Gilberto Kassab (PSD) formam o segundo bloco.
No terceiro, Paulo Pereira da Silva – o Paulinho da Força –, do PDT; e Soninha Francine (PPS).

-  Dilma Rousseff leu, gostou e recomenda Getúlio, o livro assinado por Lira Neto. Trata-se do primeiro dos três tomos – o segundo sai este ano e, em 2014, o terceiro. O volume aplaudido refere-se ao período 1882-1930, do nascimento à conquista do poder pelo gaúcho Vargas.
-  Informa o Itamaraty: para uma visita de dois dias ao País, chega a Brasília, dia 19, o primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev.
-  O PR reaproxima-se do governo. Ontem, a presidente da República recebeu a visita dos líderes da legenda no Senado, Alfredo Nascimento (AM), e na Câmara, Anthony Garotinho (RJ).
-  É de areia movediça o caminho para Gabriel Chalita chegar ao Ministério da Ciência e da Tecnologia.
- Apesar do discurso otimista – “a situação vai melhorar” –, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, ressalta a preocupação da autoridade monetária com os índices da inflação.
- A Comissão de Constituição e Justiça do Senado fica com o PMDB. O paraibano Vital do Rêgo é uma boa aposta para ser o escolhido.
- Para refletir: “Meu dever é falar. Não quero ser cúmplice” (Émile Zola, escritor francês).

 

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