O fator Garibaldi

Não há dúvida de que o PMDB faria uma boa gestão no destroçado governo estadual se conseguisse eleger o ex-ministro…

Não há dúvida de que o PMDB faria uma boa gestão no destroçado governo estadual se conseguisse eleger o ex-ministro Fernando Bezerra, um dos poucos quadros do partido com capacidade gerencial para assumir a dura missão de suceder Rosalba Ciarlini.

Ocorre que não existe um Fernando gestor se antes não houver um Fernando candidato e um Fernando eleito. A coisa é mais ou menos como disse o deputado federal João Maia (PR) em recente entrevista na TV Ponta Negra, à jornalista Geórgia Nery.

“Eleição não é concurso, tem que ir para as ruas e conquistar votos”, proclamou o parlamentar seridoense, numa clara alusão ao fato do estágio laboratorial da candidatura de Bezerra, restrita às costuras de gabinetes e alpendres entre cúpulas partidárias.

O nome do empresário está correndo o risco de passar do ponto dentro do próprio PMDB, onde até agora somente o deputado Henrique Alves tem dado declarações públicas de apoio. O PSB de Wilma, que havia ventilado aliança, já se mostra escapista.

Pior é que o ensaio – que mais assemelhou-se à moganga de claque – de alardear uma candidatura do próprio Henrique não tem muita razão de ser para o grupo oligárquico, que precisa dele na Câmara Federal, onde tem uma comprovada influência no país.

Se uma mera suposição de candidatura ao governo do RN tomar ares de probabilidade, cairá sobre a presidência da Câmara o inferno astral da disputa sucessória, e Henrique verá uma dezena de pré-candidatos à sua cadeira, sem contar o PT que já a almeja.

Diante disso, a questão maior no PMDB hoje é uma dúvida abissal sobre a real chance de Fernando Bezerra e o sentimento interno de que com Garibaldi Filho o jogo fica mais fácil, ainda mais se o PSB pender para a dobradinha com Wilma para o Senado.

Quanto ao preço nacional da empreitada, seria mais lógico perder o Ministério da Previdência por natural desligamento para encarar a eleição do que sair a pedido de Dilma por causa de uma candidatura de Henrique que não contemple o PT na chapa.

As incertezas em torno do nome de Fernando Bezerra estão formando aos poucos uma conjuntura interna no PMDB que todos no partido conhecem de perto: quando a coisa aperta, as bases se mexem como placas tectônicas e Garibaldi se levanta como uma ilha.

O homem cercado de votos por todos os lados é sempre a solução dos problemas de popularidade e de urna do partido, mesmo repetindo a velha cantilena de que não quer mais, que a mulher e filhos temem por sua saúde, que desta vez não contem com ele.

Em recente evento social, Garibaldi ouviu atentamente um interlocutor narrar de como andavam as negociações para a definição da candidatura Fernando Bezerra. Em dado instante, o cara falou que a esposa Candinha não aprovava a empreitada eleitoral.

O ministro pousou o garfo na borda do prato, passou o guardanapo nos lábios e soltou um daqueles comentários aparentemente inocentes, mas que sempre se mostram carregados do seu peculiar e inibido humor. Nem preciso ilustrar aqui os risos na mesa.

“É isso mesmo, Fernando Bezerra quer ser candidato a governador, mas Candinha não deixa. Já eu, não quero ser de jeito nenhum e Denise doida que eu seja”. Quem haverá de não levar a sério uma brincadeira de Garibaldi? Ele sabe que eleição não é piada. (AM)

 

Contra

Para o leitor que não sabe, a esposa do ministro Garibaldi Filho, Denise Alves, é radical no posicionamento contra uma candidatura do marido a governador. Aos amigos, ela não cansa de dizer que a saúde de Garibaldi melhorou depois que deixou o governo.

 

Fator Fátima

Ontem à noite, antes de escrever o artigo de abertura, conversei sobre o assunto com os jornalistas Jânio Vidal e Ricardo Rosado. Um deles lembrou a história de Garrincha e os russos e perguntou: “E Rui Falcão, o que acha disso, já perguntaram a ele?”.

 

JB – Joaquim do Brasil

Quanto mais os xiitas esquerdopatas agridem a honra do ministro Joaquim Barbosa nas redes sociais, mais a admiração da sociedade por ele vai crescendo. Ontem, ao mandar prender o meliante João Paulo Cunha, seu nome disparou nos TT do Twitter.

 

Livro-bomba

O delegado Romeu Tuma Jr. anunciou na Livraria Travessa, ontem, que o segundo livro está a caminho. Nele, destacará o compadre de Lula, Roberto Teixeira, e o amigo delegado, Celso Cipriani, que juntos ganharam alguns trocados com a Transbrasil.

 

Lavagem

O Ministério Público iniciou investigações sobre a dinheirama doada por militantes do PT para pagar multas dos criminosos do mensalão. Como diria o “garganta profunda”, sigam o dinheiro e também os passos do foragido Henrique Pizzolato na Europa.

Editorial da Folha

“Dilma perdeu uma oportunidade de descer do palanque e apresentar um diagnóstico honesto do quadro atual. Ao continuar dourando a pílula, reforça a percepção crescente de que é cada vez maior a distância entre a propaganda e a realidade”.

 

Fantasia

Não é só Dilma quem anda mentindo no exterior. A presidente da Embratur, Leila Holsbach, disse na Feira Internacional de Turismo, em Madrid, que o Brasil aproveita a Copa para renovar a infraestrutura de estradas, portos, aeroportos e rede hoteleira.

 

Futebol

O produtor cultural José Dias (ou marido de Khrystal) lembrava ontem, numa roda na Afonso Pena, que o saudoso João Saldanha já defendia o fim dos campeonatos estaduais há 30 anos. A quem interessa o obsoleto e fracassado evento de futebol de várzea?

 

Neymar

O craque do Barcelona completa hoje 22 anos envolto numa crise pessoal duríssima. Recupera-se de uma contusão, ainda não é titular absoluto do time, seus números estão abaixo dos colegas, o namoro enfrenta trovoadas, e tem a Justiça Fiscal no calcanhar.

 

Café e sebo

Natal ganhou mais um bom espaço cultural num ambiente com sebo, café e bar. É o Mahalila Café & Livros, na rua Doutora Nívea Madruga, 19, em Potilândia, perto do INPE e do Deart. Uma ideia de Eduardo Vinícius. Fone para contato 2030-5702.

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