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O forró num fim irreversível

Data: 16 março 2013 - Hora: 18:00 - Por: Alex Medeiros

A imagem que ilustra o comentário de hoje é uma das raríssimas fotos em que o músico Dominguinhos exibe um semblante sério e triste. Creio que em mais de 99% das fotos do artista, pelo menos nas que estão espalhadas pela mídia, ele aparece sorridente, como sempre foi nas imagens que nos acostumamos a ver na TV ou nos palcos.

A imprensa divulgou hoje, sexta-feira, 15 de março, que o quadro do coma em que ele se encontra é irreversível. Ou seja, o Brasil não o verá mais sorrindo, cantando e tocando sua sanfona em shows ao vivo.

Restará o legado do seu repertório que um dia foi adotado como parte da herança musical do mestre Luiz Gonzaga, a quem Dominguinhos sempre seguiu e pediu benção artística.

Surpreendido pela triste realidade da descontinuidade física do cantor de tantos sucessos, me veio um pensamento que passo a cultivar como a versão definitiva do coma profundo.

Não creio que Dominguinhos está dando adeus, mas que decidiu entrar numa greve pela eternidade afora num protesto silencioso, e discreto como seu sorriso, contra a decadência do forró nordestino.

Isso mesmo, leitores. Dominguinhos não está morrendo. O que está morrendo é o verdadeiro espírito musical da sonoridade poética do Nordeste. Dominguinhos fechou os olhos de uma vez para não ver os desatinos praticados contra o forró, o baião, o xote, o coco, a embolada e tantos outros ritmos da região.

Dominguinhos escolheu dormir para sempre a ter que viver acordando sobressaltado com os ritmos nordestinos hoje pasteurizados nas composições de mau gosto das bandas de plástico que se espalham como praga na plantação.

Ele prefere não despertar para não ter que assistir a indústria esperta do forró que emburrece corpos jovens cada dia mais sem massa cinzenta.

A sobriedade rara do seu rosto na foto acima já era o princípio do seu desgosto com os rumos da musicalidade nordestina que um dia foi consagrada por Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Sivuca e Elino Julião, entre outros ainda na resistência, como Flávio José, Alceu Valença, Alcimar Monteiro e Oswaldinho.

O forró, diferentemente da bossa nova, não dá para considerar sua beleza um avião. Os verdadeiros cavaleiros do ritmo estão à margem da indústria midiática. Enquanto Dominguinhos dorme, o som do Nordeste agoniza e não há mastruz com leite que o faça levantar.

A não ser que se estabeleça no tempo infinito a “santíssima e afinadíssima trindade” e Luiz Gonzaga, Sivuca e Dominguinhos voltem ao batente para nos salvar.

Amém!!! (AM)

 

Reeleição
Não é surpresa nenhuma começar a aparecer político defendendo a reeleição da governadora Rosalba Ciarlini, como fez Raimundo Fernandes (PMN) ontem. A rosa tem três bilhões de motivos para estimular apoiadores até o fim do seu mandato.

Boca a boca
O nome de Robinson Faria (PSD) deixou de ser uma incógnita e já virou referência anti-Rosalba no interior, do Oeste ao Trairí, do Litoral ao Seridó, fruto do boca a boca gerado por suas visitas que não param desde o rompimento com o DEM.

Articulação
Muita gente está vendo na homenagem das classes produtivas ao deputado Henrique Alves (PMDB) um gesto que vai além das congratulações por sua eleição à presidência da Câmara. O evento teve toda a pinta de ensaio para um projeto de governador.

Mentiras
Os seguidores de Cristina Kirchner utilizam o mesmo modus operandi dos devotos de Luiz Inácio para inventar mentiras contra quem pensa diferente. Mas os boatos contra o papa Francisco se perderam na vala comum do descrédito internacional.

Neves & Campos
A presidente Dilma Rousseff já não consegue disfarçar seu temor numa provável candidatura do pernambucano Eduardo Campos, considerado muito mais viável como adversário eleitoral do que o mineiro Aécio Neves. E os dois juntos, nem pensar.

Descaso
Nenhum sinal de existência da Setas, órgão estadual de interrelação com o Conselho dos Gestores Municipais e da Assistência Social, na última reunião ocorrida em Natal. Além da Agricultura, mais um setor do governo Rosalba sem cumprir seu ofício.

Mau caratismo
O orgulho que um petralha cospe nas redes sociais pela mãe, que o incentivou na leitura das fábulas, não pode ser sentido por um jovem de 19 anos, cujo pai tem sido um mero ser ausente, atarefado diuturnamente com a própria vaidade que já não tem tamanho.

Pau de arara
Quem entende esse povo dito progressista, ainda mais quando saem do Nordeste para posar de críticos literários e jornalísticos na cena urbana de São Paulo? Falam do fim da “velha mídia”, mas sua agenda cultural é assistir show gratuito da revista Veja.

Rubão
Começam a chegar os artigos e crônicas que irão compor o livro para marcar os 40 anos do retorno do jornalista Rubens Lemos do exílio, em 1973. Os primeiros textos no prelo são de Aluísio Lacerda, Miranda Sá, Rinaldo Barros e François Silvestre.

Ivete $angralo
Depois de engordar sua conta bancária com o dinheiro da Saúde do Ceará, com o aval do governador Cid Gomes, a cantora Ivete Sangalo está lançando um programa para emagrecimento das mulheres. Chama-se “Body Change” ou no popular “10 Semanas”.

Ian Anderson
O fundador da banda Jethro Tull, em 1967, se apresenta logo mais às 21h no Teatro Guararapes, no Recife, com um show que remete ao disco “Thick as a brick”, de 1972, e sua continuidade em 2012. De Natal até lá é um pulo, e ingressos sempre aparecem.

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