O fracasso da copa

É grande o contingente dos que olham para o gramado verde das nossas arenas esportivas, todas prontas, prontinhas, e ainda…

É grande o contingente dos que olham para o gramado verde das nossas arenas esportivas, todas prontas, prontinhas, e ainda não entendem que a Copa do Mundo no Brasil fracassou. E se ficarem como até agora, recortando o olhar, e dentro dele os jogadores jogando, o público torcendo freneticamente e as arquibancadas cheias explodindo a cada grito de gol, irão assim até a última partida. E não vão notar que da final festiva e feérica sairá derrotado exatamente aquele que mais jogou desde o começo: o governo.

O time petista, no seu populismo vestido com a fantasia de um arremedo de socialismo, fez tudo certo desde o início. Lutou pela Copa, fez vista grossa para empréstimos astronômicos aos seus próprios bancos por governos estaduais para a construção das arenas com intermediação de grandes empreiteiras; e ainda imaginou um engenhoso legado para a copa deixar: obras caras, de efeito e uso coletivos, como avenidas, túneis, calçadas e urbanizações. Tudo para fazer da copa o instante inesquecível e eleitoreiro.

Tudo estaria perfeito se um detalhe aparentemente sem importância não tivesse fugido do campo de percepção do governo: a politização do povo. É espantoso que o governo petista, depois de ter levado esta Nação a exercitar nas ruas a sua força coletiva no maior movimento sindicalista do século vinte, a ponto de culminar com a conquista do Palácio do Planalto, não tenha percebido a exaustão nascida desse engodo de construir as arenas feéricas, essas ilhas de riqueza cercadas de pobreza por todos os lados.

Claro que a copa vai acontecer. As arenas vão ficar lotadas. Os jogos serão festivos. As torcidas irão delirar. Mas, ao lado de todo esse espetáculo certamente inesquecível para os olhos, um outro Brasil pode encontrar seu instante ideal de revelação coletiva. Como disse Elio Gaspari olhando as jornadas de junho, quando todas as classes foram às ruas e não seguiam passos ou apelos de líderes de direita ou de esquerda: o brasileiro mostrou que o Brasil é o país do carnaval e do futebol, mas é também da revolta.

Ora, se a copa, evento na véspera da eleição presidencial, era a chance ideal para o PT renovar o mandato da presidente Dilma Rousseff, numa jogada espetacular de sintonia populista, nesse sentido a copa fracassou. E a síntese perfeita e eloquente a propagar a voz coletiva do povo foi aquele cartaz que flutuava no mar de cabeças da multidão: ‘Queremos hospitais padrão Fifa’, sustentado por um Batman, nosso herói nascido nas trevas do sofrimento de um povo sem saúde, sem segurança e sem educação.

Cientistas políticos brasileiros que não improvisam gracejos em nome da ciência advertem: não há legados. Tudo é falácia. Os megaeventos são deixam legado a ninguém, a não ser aos parceiros dos gordos investimentos feitos com dinheiro público. E as obras físicas de mobilidade urbana não reduzem desigualdades sociais. Como declarou Aldo Fornazieri, da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a copa deixará o legado de arenas ‘confortáveis, luxuosas e caras, inacessíveis à maioria do público’.

 

PERGUNTA

De uma raposa bem humorada, ontem, olhando a cena: e se, isolado, o senador José Agripino assumir a candidatura de Rosalba Ciarlini, pode eleger, deseleger ou encarecer a campanha montada no acordão?

SERÁ

O RN não figurou na relação dos Estados com rombo fiscal. Será que a desconfiança do MP fazia sentido quando desconfiou que não pode faltar dinheiro para pagar a folha de pessoal dos três poderes?

MAS…

Em compensação, figura no mapa com os estados onde o PMDB vai abandonar o PT em favor de novas alianças mais cômodas do que o partido do Palácio do Planalto. Parece mentira, mas é a pura verdade.

COMO?

Na pauta da greve dos serviços técnicos da UFRN e Federal de Agronomia está assim, dia 20 deste mês: ‘Ato Público pela revogação da EBSERH início às 7h, em frente ao HUOL’. O que danado é EBSERH?

AVISO

Aos navegantes: a Capitania dos Portos informa que de hoje até dia 20, no litoral de Natal, assim como de outros estados do Nordeste o mar não é indicado para pequenas embarcações. Risco de tempestades.

REUNIÃO

Confirmada para dia 26, quarta-feira próxima, às 15h, a reunião da comissão convidada pelo Instituto Câmara Cascudo para discutir as sugestões em torno dos 60 anos do Dicionário do Folclore Brasileiro.

PREÇOS

O verão de 2014 disparou no Rio os preços de biquínis, sandálias japonesas, côco verde e caju. Quando, no Leblon, alguém reclama dos 5 reais por um caju, o quitandeiro justifica: ‘Vem de avião, lá do Piauí’.

COPA

O grande legado da copa são as lingeries criadas pela estilista Alessa, segundo informa Anselmo Gois n’ O Globo. Uma das mais procuradas é verde e tem no lugar estrategicamente sugestivo: ‘Vai que é tua!’.

RIOCENTRO

Vale o lugar comum: imperdível a matéria de duas páginas de O Globo sobre as razões jurídicas para a reabertura do Caso Riocentro. O MP levou dois anos obteve novos depoimentos e agora pede punição.

PAULADA

Do professor Ivis Gandra da Silva Martins, ontem, na Folha de S. Paulo: ‘O governo federal não poderia aceitar a escravidão dos médicos cubanos que recebem 10% do que ganham os demais estrangeiros’.

PARA

Quem não sabe Ivis Gandra, 79 anos, é professor emérito do curso de Direito do Mackenzie, da Escola de Comando e Estado Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra. Precisa de mais algum título?

ALERTA

É grave o alerta do articulista Mac Margolis, no Estadão de domingo, quando avisa aos governantes e candidatos: 2014 será o ano das ruas. Ou seja: o povo irá reivindicar nas ruas em toda América Latina.

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