O hexa é um esqueleto – Alex Medeiros

Falta à seleção de Felipão o corpo técnico que a de Dunga tinha na copa passada e que só tropeçou…

Falta à seleção de Felipão o corpo técnico que a de Dunga tinha na copa passada e que só tropeçou por causa do futebol agressivo holandês e da visão limitada de Julio Cesar. O time atual é mediano e a mídia exagerou em referenciar na Copa das Confederações.

Ganhar a copinha da FIFA nunca foi grande coisa, mas era necessário dar-lhe importância em 2013 por causa da emulação patriótica de 2014. Em 2009, a seleção de Dunga também venceu, fora de casa, e não se viu tanta badalação quanto com Felipão.

Na estréia contra a Croácia, já havia ficado claro a deficiência do Brasil no seu meio de campo sem criatividade. Os três gols disfarçaram o problema juntamente com o jornalismo pacheco dos locutores e analistas da televisão. Venceu sem convencer.

Ontem, contra uma seleção que aprendeu no século XXI a não temer a poderosa canarinho, os problemas continuaram sem solução. O volante queridinho da mídia, Paulinho, repetiu o fiasco do primeiro jogo e a fase medíocre que viveu no Tottenham.

Numa única vez que Oscar jogou mal, os entendidos passaram a pedir William, quando o problema estava mesmo em Paulinho, uma sombra do que foi no Corinthians e nos primeiros meses na Inglaterra. Fred é um equívoco gerado na Copa das Confederações.

O veterano atacante do Fluminense lembra diversos centroavantes que foram fantásticos nos times, mas apenas triviais na seleção brasileira: Dario, Cesar Maluco, Claudiomiro, Roberto Miranda, Nunes, Túlio, Serginho, Adriano, Luis Fabiano, entre outros.

A imagem do hexa se apresenta como um esqueleto porque o desenho tático do Brasil e o desempenho técnico têm a mesma dimensão fantasiosa da vaidade científica do neurocientista Miguel Nicolelis com seu exoesqueleto que o mundo já havia criado.

O goleiro mexicano Guillermo Ochoa não foi herói do jogo de ontem porque defendeu cinco bolas difíceis. Qualquer goleiro de Copa do Mundo que não estiver capacitado a fazer o mesmo não merece uma convocação. O gol não saiu porque o Brasil não cria.

O time de Felipão não elabora e fica limitado às atuações individuais de Neymar e Oscar. O bom Luiz Gustavo, atarantado no superpovoamento do meio de campo, passa mais tempo ajudando os zagueiros do que reforçando os ataques à defesa inimiga.

Em artigo da semana passada, alertei aqui para o perigo de uma seleção cuja única referência é um garoto de 22 anos. Até agora, somente ele arrisca furar bloqueios, fazer diagonais, conduzir a bola, mas está abandonado num casulo da própria dependência.

Daniel Alves trouxe para a Copa as deficiências que já estava tendo na temporada do Barcelona, não consegue fazer os cruzamentos perfeitos que fazia na liga espanhola. Marcelo sobe em melhor condição, mas nunca encontra Fred em posição apropriada.

Impressionante que a seleção pentacampeã do mundo, que já teve meias geniais como Zizinho, Tostão, Zico, Rivaldo e Ronaldinho, hoje entre em desespero pela ausência de Hulk. E o pior, jogando cheia de prudência contra o México do Chapolin Colorado.

Desde 1982, aprendi a não me iludir com a imagem da seleção forjada na mídia pacheca, ainda mais em períodos de Copa do Mundo. Em Sarriá, venderam um pseudo erro de Cerezo para justificar as avenidas que Leandro e Junior abriram nas laterais.

E depois tentaram esconder o mérito adversário, como se a vitória italiana fosse obra de uma zebra correndo em gramados espanhóis. Aquele grandioso Brasil perdeu para uma grandiosa Itália, de craques como Zoff, Baresi, Paolo Rossi, Conti, Gentile e Altobelli.

É preciso botar substância no esqueleto do time de Felipão. Não a substância patriótica do hino nas arquibancadas, de mãozinhas no ombro em fila indiana. Isso já foi desmoralizado há 60 anos por Obdulio ao dizer “os que estão ao redor não jogam”.

Jogar no sufoco contra México e Croácia, passar à próxima fase sobre o fraco Camarões não podem servir para iludir o país. Ou encontra a criação perdida ou consagrará os fantasmas de Karl Marx e do Maracanã. A História volta sempre como farsa. (AM)

Pesquisa

Estranhei ontem aqui a ausência de aferição espontânea pela Consult. No entanto, isso houve e revelou que 83% dos potiguares não têm candidato ao governo. Meu comentário foi baseado na pesquisa “incompleta” enviada por e-mail pela 96 FM.

 

Minoria

Os números da pesquisa espontânea mostram que a eleição de outubro só interessa até agora aos militantes, aos puxa-sacos e aos jornalistas. O alto índice de indiferença reflete a ojeriza que a população está tendo da prática política no RN e no Brasil.

 

O jogo é aqui

Algumas horas antes do jogo Brasil e México, o deputado estadual Ricardo Motta, presidente da Assembléia Legislativa, estava trabalhando no gabinete quando alguém perguntou: “Vai ao jogo em Fortaleza?” E a resposta: “Os votos estão aqui no RN”.

 

Influência

A candidatura de Rosalba Ciarlini à reeleição pode ter morrido, mas ninguém duvide da capacidade do governo em atrapalhar candidaturas ou até abatê-las em pleno vôo. Os analistas costumam dizer que o PG (Partido do Governo) tem super poder eleitoral.

 

Votos

A pesquisa anterior à divulgada pela 96 FM, e que foi cancelada pela Consult devido a um protesto de Araken Farias (PSL) no TRE, resultou em prejuízo de R$ 18 mil ao instituto. Ao refazê-la, o nome de Araken apareceu com 0,2% das intenções de voto.

Babacão

O vice-presidente nacional do PT, um tal Alberto Cantalice, está pregando censura e perseguição nas redes sociais: “Estou coletando todos os posts ofensivos a lideranças petistas e à presidenta Dilma Rousseff para que sejam retirados do ar”, cuspiu o cara.

 

Família Scolari

“Um ano depois o que se vê? Uma seleção com os mesmos defeitos, fraca na saída de bola, sem um meio-campo consistente e sempre apressada, ansiosa, querendo resolver logo”. Mauro Cezar Pereira no site da ESPN em referência ao Brasil de 2013 e 2014.

 

Do mestre Tostão

“A atuação do Brasil foi regular, como contra a Croácia. Continuamos fortes candidatos ao título. Mas o time não pode depender tanto de Neymar nem achar que basta ser guerreiro e cantar, com força, o hino nos jogos mata-mata”. Na Folha.

 

Torcida

Copa do Mundo é um evento caro, como Fórmula Um e torneio de tênis, e no caso do Brasil reúne nos estádios uma maioria de torcedores que não vive o futebol cotidiano dos clubes. Gritos de dondocas, tietes sazonais e mauricinhos não ganham jogo.

 

Prova do erro

Renato Mauricio Prado, nO Globo, destacou um ponto crucial para o futebol deficiente do Brasil. A saída de bola com chutão de Julio Cesar, o que mostra que a habilidade dos laterais e zagueiros foi anulada pela forte pressão da agressiva seleção do México.

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