O infiel presidente cuecão

Uma certa noite de julho de 2012. O tradicional Café de Flore, na Saint-Germain des Près, em Paris. Um contínuo,…

Uma certa noite de julho de 2012. O tradicional Café de Flore, na Saint-Germain des Près, em Paris. Um contínuo, que recebe gorjetas para informar aos paparazzi sobre a presença de famosos no local, chama os fotógrafos Lorenzo Viers e Sébastien Valiela.

E avisa que a atriz Julie Gayet está sozinha no terraço e parece estar esperando alguém importante. Os dois repórteres se aproximam furtivamente, a tempo de ver a mulher entrando num automóvel dirigido pelo guarda-costas pessoal de François Hollande.

Em entrevista, logo após flagrar e revelar a pulada de cerca presidencial, Valiela disse que todo mundo na imprensa conhecia de vista o segurança, que acompanha Hollande desde os comícios do então candidato à principal cadeira do palácio Champs-Élysées.

Já fazia mais de um ano que a mídia francesa ouvira rumores de que o presidente tinha um caso com uma mulher de notoriedade. Os jornalistas sabiam também das discussões entre Hollande e sua mulher, Valérie Trierweiler, hoje internada num hospital de Paris.

Ao Le Monde, o fotógrafo garante que a informação não foi obra do ex-presidente Nicolas Sarkozy. O assunto espalhou-se do ambiente jornalístico ao universo político, mas faltava alguém obter as provas visuais. E esse alguém só podia ser Valiela.

Dos poucos fotógrafos franceses que vivem apenas do trabalho como paparazzo, ele já tinha no currículo um escândalo descoberto quando tinha pouco mais de 20 anos, em 1994, quando revelou o caso extraconjugal do então presidente François Mitterrand.

Fotografou o líder político saindo de um restaurante com a filha Mazarine Pingeot, que era fruto de um longevo relacionamento fora do casamento e que era um segredo de Estado para os socialistas. Como agora, ele atuou em parceria com outro profissional.

Na época, Sébastien Valiela tratou de atrair a atenção dos seguranças, deixando para o colega Pierre Suu a missão de conseguir a foto bombástica. O cara praticamente atirou-se debaixo das pernas da garota e a imagem foi estampada na capa da Paris Match.

No caso François Hollande, o experiente fotógrafo seguiu o veículo do presidente numa biscooter (minicarro) de grande cilindrada e viu o casal entrar na casa de número 20 da Rue du Cirque, um endereço a apenas 140 metros da sede do governo francês.

Começaram, então, os plantões diante do lugar, até que em dezembro do ano passado, Valiela e o amigo Lorenzo Viers, um na rua e outro debaixo das escadas de um prédio em frente, conseguiram registrar as chegadas de Hollande a bordo de uma motocicleta.

As fotografias foram compradas pela revista “Closer”, que pagou 40 mil euros, e a primeira imagem foi publicada no último dia 10, provocando um escândalo, gerando reações iradas do presidente e da atriz, e ainda levando a primeira-dama ao hospital.

O jornalismo francês é tradicionalmente avesso à invasão de privacidade, em oposto às práticas na Inglaterra e EUA, onde os paparazzi ganham grandes boladas por uma foto flagrante de qualquer celebridade. As fotos de Hollande e Gayet causaram um frisson.

“Todos os jornalistas e as agências de notícias do país andavam tentando flagrar o presidente e a atriz, nosso mérito foi ter localizado o lugar em que se viam”, diz o fotógrafo satisfeito e considerando sorte do destino aquela noite do Café de Flore.

Indagado por quê demorou meses para espionar a casa 20 da Rue du Cirque, Valiela responde que buscava outro indício, e este só chegou quando Julie Gayet foi ao Canal Plus, em dezembro de 2013, divulgar seu último filme e provocou risos no estúdio.

Militante do Partido Socialista, tendo participado da campanha de Hollande, a atriz foi perguntada como andava seus compromissos políticos, o que gerou risadas. “Os telespectadores não sabiam o motivo, mas eu e Lorenzo sabíamos”, disse o fotógrafo.

Depois dali, a dupla que já havia descoberto o endereço do idílio amoroso e também havia combinado tudo com a revista, passou a fazer campana no local. Em cinco dias, as imagens que identificavam o casal foram produzidas e o caso explodiu na imprensa.

Além dos efeitos temperamentais no triângulo – o marido, a mulher e a amante – a revelação também provocou um debate sobre a irresponsabilidade do presidente, que visitava a atriz muitas vezes com apenas um segurança, pondo em risco a própria vida.

Fulminado administrativamente por índices cada vez mais baixos de popularidade, François Hollande vai chegando ao fim do mandato com a reputação pessoal e ideológica em farrapos. E ainda precisa provar que a mulher traída não buscou suicídio. (AM)

 

Viva o Império!
Espionagem sempre existiu e continuará existindo, e não é coisa apenas dos americanos. Quem parou no tempo da guerra fria e das mensagens via pombo-correio, rádio amador e código Morse que se quebre. Eu estou com os EUA e com seus arapongas da NSA.

Eixo do mal
Barack Obama seguiu o protocolo da política de Estado e do Pentágono, onde não interessa se um presidente é democrata ou republicano. Vai continuar espionando e poupando apenas os países amigos dos EUA. Resta saber se o Brasil é desse clube.

Espionagem
Quem, por influência da mídia mundial, condena a rede espiã dos EUA, deveria estar ainda indignado com os grampos ilegais que provocaram a invasão da casa de João Faustino e de lá carregaram, de forma criminosa, sua saúde para jamais devolver.

Rolezinho
Há rumores nas redes sociais locais sobre um “rolezinho” que pretende vaiar a presidente Dilma Rousseff (PT) e a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) quando do encontro de ambas em Natal para a inauguração oficial da Arena das Dunas.

Costuras
O evento político mais importante do fim de semana nos alpendres de Jacumã não foi apenas o jantar de ontem na casa do deputado Ezequiel Ferreira (PMDB). Mas, também, e principalmente, o almoço deste sábado entre Fernando Bezerra e Wilma de Faria.

Celso Daniel
Hoje está fazendo 12 anos que o corpo do prefeito de Santo André foi encontrado com marcas de tortura e com o rosto quase desfigurado pela força das balas. Um crime quase perfeito que provocou pelo menos outros dez assassinatos do tipo “queima de arquivo”.

Celso Daniel II
Quem quiser entender o planejamento da morte do prefeito petista e o esquema de propina nas prefeituras do PT em São Paulo, tem que ler o livro “Assassinato de Reputações”, do delegado Romeu Tuma Jr. Ele conta tudo entre as páginas 233 e 282.

Pegaram a perua
As torcidas do Corinthians, São Paulo e Palmeiras, até as da Portuguesa e do Juventus, já sabiam que a administração Marta Suplicy na prefeitura paulistana foi marcada por corrupção. Agora, a Justiça a condena e suspende os direitos políticos por três anos.

Alecrim FC
A declaração em nota oficial do presidente do time esmeraldino de que “não se faz futebol com apenas dois times!” poderá fazer escola. Vão chover protestos contra Barcelona e Real Madrid, Atlético e Cruzeiro, Inter e Grêmio, Bahia e Vitória…

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