O jogo das falas

Entre artes, artifícios e artimanhas, eis que a política prega mais uma das suas contradições, posto que sua natureza não…

Entre artes, artifícios e artimanhas, eis que a política prega mais uma das suas contradições, posto que sua natureza não se move pela lógica cartesiana das coisas mais simples. É uma tolice pensar que os sentidos contrários separam as falas do presidente do PSD e de seus deputados quando simulam, entre si, um jogo de discordâncias. De um lado o vice-governador Robinson Faria e do outro seus liderados. Ele aponta para um Plano B se vier a ficar isolado na sucessão; eles, irredutíveis na candidatura ao governo.

Modus in rebus, Senhor Redator, diria um velho e carrancudo professor de latim. Não foi à toa que o poeta Horácio alertou para o perigo do excesso e a falta de moderação. Como quer expressar a sentença latina quando lembra que ‘há uma justa medida para todas as coisas’. Se o presidente e candidato do PSD cometeu ato falho e dele fugiu uma sinceridade não recomendável nesta hora, nada como a pronta reação urdida pelos correligionários impondo, como diriam os antigos cronistas, o desiderato de manter a luta.

O jogo das falas começou como se não fosse um jogo. Ou seja, bem naquela arte de jogar o jogo de não jogar do poema célebre de Laing. Veio o vice-governador Robinson Faria e, na plenitude de sua condição de fonte autorizada, foi sincero ao declarar que se amanhã se sentir isolado no jogo da sucessão poderá pensar no Plano B. Não declinou detalhes, mas ficou tacitamente exposto que buscaria uma nova alternativa: ser candidato a deputado federal ou estadual a partir da própria base política de que dispõe.

É verdade que a sua declaração não caiu bem nos ouvidos de alguns observadores políticos que ouviram nas suas palavras um prenúncio de rendição. E, como efeito mais temido pelos correligionários, o isolamento do partido diante da inegociável necessidade estratégica de alianças na chapa proporcional, sob o risco de comprometer a própria sobrevivência. Veio a fala, como uma barreira, mas já parecia ser tarde para medir o estado de isolamento a que a candidatura pode ser relegada no jogo bruto da sucessão.

A ninguém, Senhor Redator, principalmente em política, e de forma tão precoce, pode se condenar a um beco sem saída. A fala do deputado José Dias teve o efeito de um claro enigma que nem o poema de Carlos Drummond supera. Foi claro ao declarar à Tribuna do Norte que o projeto de Robinson Faria ‘é irreversível do ponto de vista político’. Mas, logo a seguir e com palavras claras, acrescentou: ‘Do ponto de vista humano não posso dizer, não posso chegar tão longe. Mas posso garantir que não temos Plano B’.

Ninguém pode interpretar com exatidão qual a intenção do deputado José Dias quando distingue a força da política e a fragilidade humana e se fica longe. Bom leitor, ele sabe que há uma polissemia nas palavras e por isso elas permitem várias leituras. É de absoluta certeza política que o vice-governador não tem Plano B e é candidato a governador de forma irreversível? Ou, exatamente por ser humano, existe um plano se vier a recuar? Não se sabe. Nem o deputado José Dias seria capaz de tão profunda elucubração.

 

SILÊNCIO
Fontes muito próximas, quase íntimas, do Governo Rosalva Ciarlini afirmam que esse silêncio da classe política diante de sua inelegibilidade é uma ameaça maior do que seu julgamento pelo TSE, em Brasília.

INUMAÇÃO
Em Mossoró o povo de Deus quer Monsenhor Américo Simonetti sepultado no chão sagrado da Catedral, mas a Igreja de Mossoró não aceita a inumação. Ora, e a Igreja não é o seu povo sob as benções de Deus?

PRÊMIO – I
Nosso Ciro Tavares – poeta e nas horas vagas advogado acaba de receber o prêmio Edmir Domingues 2013, da Casa de Cultura de Pernambuco com o seu livro de poemas, ainda inédito, ‘Boa Noite Outono’.

RECIFE – II
É o segundo prêmio Edmir Domingues que Ciro Tavares recebe da Casa da Cultura Edmir Domingues. O primeiro foi em 2012 com o livro ‘Anêmonas’. A solenidade de entrega será na noite do dia 28 próximo.

ATHENEU
Na fase de revisão final – será lançado dia 03 de fevereiro – o livro coordenado pela professora Eva Barros sobre o Atheneu Norte-Rio-Grandense reunindo depoimento em torno de sua história e seus professores.

LUZ
‘Maria Mãe da Luz nos trouxe Jesus’ foi o tema escolhido pela comunidade de Candelária para festejar a padroeira do bairro no período de 29 de janeiro a 2 de fevereiro com ações litúrgicas até para as crianças.

BONDADE
Do padre José Mário na sua homilia durante a Missa de 7º Dia de João Faustino, na Catedral Nova, diante de muita gente importante, lembrando ele, João: ‘É bom ser importante, mas é mais importante ser bom’.

RÉPLICA
Do leitor Nuremberg Ferreira de Souza, com votos de que o prefeito Carlos Eduardo vença a burocracia, a carta que encerra a discussão em torno da falta inexplicável insulina nos postos de saúde da Prefeitura.

 

Natal, 15 de janeiro de 2014.
Prezado prefeito da querida cidade do Natal!

Lendo sua missiva, através d’O Jornal de Hoje, em 14/01 do corrente ano, endereçado a minha pessoa com respostas à carta publicada neste gazeteiro em 07/01/14, assim fez-me tecer novas considerações.

Em primeiro lugar, parabenizo-lhe pela satisfação dada, justificando-se, no caso, não só a mim, mas a todos diabéticos usuários do SUS. Isto prova que sua pessoa como gestor público está em sintonia e cumprindo com o seu dever para com os cidadãos, fato não visto em outras gestões.

Quanto a retificação ao meu dizer na dita carta, de ser-lhe candidato a governo do Estado, realmente, nunca ouvi diretamente dito por sua pessoa, mas sim, por meio da imprensa, embora ultimamente seu nome saiu do páreo de pré-candidato, etc. Ainda, alega problema de licitação e de fornecedores para a entrega dos remédios, entre outros motivos, diante do informe, surge-me mais uma interrogação: ora, se a Saúde Municipal encontra-se em estado de calamidade, por que  se usa do processo da licitação, quando o caso urge ligeireza? No entanto, senhor prefeito, não quero criar problema e ficar contestando, até por que, saiba que sou um simples cidadão com direito de reivindicar, gritar e implorar.

Se me exasperei nos teores da minha reclamação, peço-lhe desculpas e, ainda, quando afirma se prontificar em solucionar o caos que se instalou na cidade, inclusive, entendo que está inserido o que se pede referente aos diabéticos. Assim fico no aguardo, pois sou da “esperança” e dou os meus votos de confiança. Em comum temos algo, vislumbrar dias melhores.
Cordiais saudações e desejo-lhe sucesso no intento almejado!

Nuremberg

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