O Mané dos vizinhos

Há alguns sintomas de incoerência bélica na diplomacia do planeta naqueles dias de 1936, não somente pelo estouro da guerra…

Há alguns sintomas de incoerência bélica na diplomacia do planeta naqueles dias de 1936, não somente pelo estouro da guerra civil espanhola, mas também pelos eventos similares de duas grandes nações que protagonizarão a barbárie porvir.

Dias antes do conflito doméstico dos andaluzes, a Alemanha exibia ousadia no lançamento do destroyer Z9 Wolfgang Zenker, para logo depois, em apenas uma semana, os EUA apresentarem ao mundo o porta-aviões Yorktown.

E enquanto europeus e norte-americanos pensavam em guerra, os sul-americanos seguiam administrando algumas pendengas com o comunismo internacional, plantado por aqui nos roçados bolcheviques de dois Carlos, o Prestes e o Marighella.

Afora isso, os únicos conflitos que mexiam com o imaginário coletivo dos latinos vinham das batalhas de futebol nos campos cisplatinos e pindorâmicos. O profissionalismo argentino atraíra nossos craques, ainda coadjuvantes de um amadorismo em vigor.

Para manter o poder em Buenos Aires, o Boca Juniors nos levara Domingos da Guia, o mais completo zagueiro da História, uma garantia de segurança na área em forma de versão brasileira das Muralhas da China, como definiu Eduardo Galeano.

Era 19 de abril de 1936 e o duelo Boca X River Plate agitava a Copa de Honra em sua terceira rodada, o torneio que antecedia o campeonato nacional. Até então, o clube da faixa vermelha jamais havia vencido o adversário azul e dourado em sua casa.

O River era comandado pela primeira grande estrela do futebol argentino, Bernabé Ferreyra, conhecido pelos apelidos de “El Mortero de Rufino” – alusão ao seu potente chute e à província de origem, e “La Fiera”, por sua garra e raça incomparáveis.

O time havia promovido alguns garotos do juvenil, que se destacaram na temporada de 1935. Entre eles um menino chamado José Manuel Moreno, considerado uma jóia rara a ser polida nos treinos dos titulares. No último embate dos times, deu 4 x 1 para o Boca. A ruidosa torcida da casa abafava qualquer outro barulho, as bandeiras tremulavam com a entrada dos craques boquenses, à frente o goleiro Yustrich, o goleador Varallo e o “divino mestre” Domingos da Guia. Era de tremer qualquer adversário.

Mas os meninos do River resolveram subverter a lógica, e nos primeiros minutos Moreno provoca o que para muitos estava no âmbito do impossível. Um drible seco na muralha negra brasileira, um passe de calcanhar para “La Fiera”, que toca a Carlitos, que fulmina as redes daquele que um dia lançaria no Brasil o matador Dario.

Naquela vitória de 3 x 2, Moreno se adiantou em anos ao gênio inglês Stanley Matthews na heresia espetacular de driblar Nilton Santos. A partir daquele 19 de abril, a América e a Europa tiveram o privilégio de assistir aos malabarismos do craque argentino.

Sua estréia nos profissionais acontecera meses antes, numa excursão do River pelo Brasil. Moreno não estava inscrito, mas Bernabé exigiu sua presença, atirando a camisa na cara do treinador e se negando a viajar: “yo tampouco juego, entonces, juegue usted”.

Incluído na viagem, o moleque humilhou a defesa do Botafogo no jogo de estréia.

Moreno foi o grande astro do super-time do River na década de 40, conhecido como “A Máquina”, no ataque dos 500 gols ao lado de Muñoz, Perdenera, Labruna e Loustau.

Pela seleção argentina, em São Januário lotado, o craque hipnotizou a massa fazendo embaixadas e acrobacias de frente para as arquibancadas. O show durou longos minutos, encerrando com o povão de pé aplaudindo o carrasco, que comandou uma goleada de 5 x 1 contra o Brasil.

É o quinto maior jogador da América, segundo a FIFA, atrás apenas de Pelé, Maradona, Di Stefano e Garrincha. Para muitos historiadores e estudiosos do futebol argentino, Moreno é o gênio número um do país. E nem Maradona, nem Di Stefano, nem Messi ousam desmentir.

Foi um dos jogadores mais destacados em 80 anos de publicação da revista El Gráfico, a bíblia do futebol hermano. Não apenas por sua mística e talento, mas principalmente por ter iniciado ali sua vida profissional, ainda menino, encadernando as edições.

Tinha uma compleição física privilegiada, uma elasticidade incrível que fazia dos seus dribles verdadeiros números de circo. Foi campeão e ídolo em quatro países diferentes: Argentina, Chile, Colômbia e México. E só morreu quando realizou um sonho, fechando os olhos em 1978, depois de ver a Argentina campeã do mundo. (AM)

Impeachment

A Lei que rege a denúncia de impeachment de detentores de mandato majoritário é a 1079, promulgada em 10 de abril de 1950. Nos artigos 14 e 16 diz que é permitido a qualquer cidadão provocar o Parlamento, desde que tenha firma reconhecida.

Legitimidade

No pedido de impeachment contra Rosalba Ciarlini, é preciso observar se o MARCCO tem personalidade jurídica e legitimidade de acordo com a lei 1079. A entidade é só um biombo político que reúne diversas entidades, mas ao que parece nem CNPJ tem.

Artigo 16

“A denúncia assinada pelo denunciante e com firma reconhecida, deve ser acompanhada dos documentos que a comprovem, ou da declaração de impossibilidade de apresentá-los, com indicação do local onde possam ser encontrados, que haja prova testemunhal”.

Transtorno

A juíza Francimar Dias Araújo da Silva prestou um grande serviço à maioria da população ao deferir liminar para a ação civil pública impetrada pela promotora Rossana Sudário, proibindo que o sindicato de alternativos interrompa o trânsito.

Regalias

O Ministério Público do RN não para de oferecer motivos para críticas quando o assunto é orçamento, altos salários e prioridades pecuniárias. Não pega bem receber “auxilio moradia” retroativo a 1997 quando naquele ano nem existia tal regalia.

Lava jato

A Polícia Federal revelou que o esquema de corrupção do doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato, contava com a eleição de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo para que os lucros do crime tivessem sucesso garantido. Tá nas folhas.

Aécio sobe

Além de subir na proporção da queda de Dilma, o senador Aécio Neves tem também o melhor desempenho no voto espontâneo, que dobrou desde fevereiro, de 5,6% para 9,3%, um índice bem acima de Eduardo Campos e até do próprio Luiz Inácio.

Dilma cai

“O desgaste de Dilma decorre da exposição de um desgaste do aparelhamento imposto ao Estado. Em menos de um mês abalaram-se duas candidaturas nas quais a nação petista fazia enorme fé”. De Elio Gaspari, sobre a erosão da presidente, na Folha.

Sinal vermelho

Em 2012, o PT perdeu em todas as capitais do Nordeste, mas o partido preferiu não acusar o golpe. Em 2014, a coisa está pior em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Distrito Federal e Paraná. Podemos ter a queda da “grande babilônia canhota”.

Com o PT

Gilberto Kassab já está em Mossoró cumprindo o convite de Robinson Faria e do candidato a prefeito Silveirinha. Nas manchetes nacionais de hoje, o líder do PSD confirmou o apoio a Dilma e afastou especulações sobre conversas com o PSDB.

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