O mapa ficou menor – Walter Gomes

A oposição cresce no Nordeste, mas não o necessário para tomar da presidente da República a liderança nas pesquisas. Somada…

A oposição cresce no Nordeste, mas não o necessário para tomar da presidente da República a liderança nas pesquisas. Somada em conjunto a intenção de voto nos dois principais desafiantes, mesmo assim Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) são superados por Dilma Rousseff (PT). Jamais, porém, o placar da eleição de 2014 repetirá o resultado das urnas de 2010. Há quatro anos, a petista massacrou o tucano José Serra e Marina Silva, à época filiada ao PV.

Em quatro dos nove estados da região, a senhora Rousseff vai sofrer perdas consideráveis. O quarteto reúne 26 milhões dos 39 milhões de cidadãos com o título na mão.

Seguem:

1. Bahia (10,1 milhões) – Geddel Vieira Lima (PMDB), que há quatro anos votara em Dilma, juntou-se a Antonio Carlos Magalhães, neto (DEM) no apoio a Aécio. A aliança está na ponta das sondagens (Paulo Souto, do Democratas) para retomar do PT o governo estadual;

2. Pernambuco (6,6 milhões) – Líder da vitória esmagadora da petista em 2010, Eduardo Campos é, por larga margem, o preferido dos eleitores pernambucanos como pretendente ao Palácio do Planalto. Para governador, quem parte na frente é Armando Monteiro, neto (PTB), apoiado pelo PT;

3. Ceará (6,3 milhões) – Dilma perdeu Eunício Oliveira, ministro das Comunicações sob a presidência Lula da Silva. O ex-apoiador, líder do PMDB no Senado e primeiro lugar para suceder ao governador Cid Gomes (PROS) com quem rompeu, abriu o seu palanque para os tucanos locais e nacionais. A petista bate Aécio, mas a diferença caiu bastante, confirmados os índices dos institutos;

4. Paraíba (2,9 milhões) – O governador (recandidato) Ricardo Coutinho (PSB), coordenador da campanha de Campos, amplia espaço. Cooptou a seção local do Partido dos Trabalhadores, até então irmanado ao PMDB. O PSDB, comandado pelo senador Cássio Cunha Lima, empurra Neves para cima. Quem cai no estado é Dilma, que pode ser abandonada pelos peemedebistas. Eles estão de namorico com o tucanato.

Pós-escrito: na região, com candidatura própria, o PT tem chance de eleger dois chefes do Executivo. Provavelmente, no Piauí (2,4 milhões de votantes), com o senador Wellington Dias, e, talvez, na Bahia (deputado Rui Costa).

Baque é grande

Degringola o projeto eleitoral de Alexandre Padilha (foto).

Apesar de ter Lula da Silva como patrocinador, o petista está fora do embate para o governo de São Paulo. Já não se cogita da promoção dele ao segundo turno do pleito.

Paulo Skaf (PMDB) ocupou o degrau de promoção e deve ir à disputa final com Geraldo Alckmin (PSDB), favorito para reeleger-se ao Palácio dos Bandeirantes.

Foi em vão o esforço do padrinho para conquistar a adesão do PSD e evitar a deserção do PP (Paulo Maluf).

Os pessedistas, comandados por Gilberto Kassab, ex-prefeito paulistano, aliaram-se a Skaf.

– No Rio de Janeiro, Lindbergh Farias (PT) alimenta a expectativa de ter Marcelo Crivella (PRB), colega de Senado, como seu vice na chapa para o governo. Crivella é o segundo na corrida ao Palácio Guanabara. Anthony Garotinho (PR) ainda continua em primeiro.

– Se o Ibope estiver certo, os deuses da política ajudam Henrique Eduardo Alves. A rejeição ao peemedebista caiu pela metade e aumentou em 20% a intenção de voto no candidato ao Executivo potiguar.

– Flávio Dino (PCdoB) tem situação privilegiada no Maranhão. Além da liderança para governador, o adversário do clã Sarney terá dois presidenciáveis no seu palanque: Aécio Neves e Eduardo Campos.

– O vice-presidente da República, Michel Temer, entra em férias. Quarta-feira, segue para Miami.

– Rombo histórico nas contas do governo central. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, comenta: “Tradicionalmente, maio é um mês de resultado ruim. Para complicar, a arrecadação diminuiu 21% em relação à de abril. O impacto balançou o alicerce.”

– Bom proveito no fim de semana, e até terça-feira. Segunda é dia de Joaquim Pinheiro.

– Para refletir: “A expectativa do poder futuro tem um magnetismo maior do que o poder presente” (Tancredo Neves, político brasileiro).

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