O MATUTO INTURIDO

Minha gente; gente boa e gente ruim, tem in todas ais camada da sociedade. Mais, falando só dais gente boa,…

Minha gente; gente boa e gente ruim, tem in todas ais camada da sociedade. Mais, falando só dais gente boa, médico prá mim; é um AMIGO SAGRADO, cum todas ais letra maiúsculas, sim sinhô. E para homenagear esse profissional da saúde, estou repetindo esse causo de número cento e alguma coisa, já publicado no Cantinho do Zé Povo. Para mim, “médico é qui nem puliça; o povo fala, fala; mais na hora da precisão, meu fíi; é pru quem premêro grita”!…
A todos vocês, médicos e médicas desse mundão de meu Deus, bem cumo a todos uis profissioná da saúde; o a braço, o carinho e a gratidão do titular dessa coluna.
Existem certas pessoas, que sem qualquer laço sanguíneo, têm tudo a ver com a gente. E se êsse tudo a vê, fô puxando para o lado da fulerage, aí é qui se dana tudo!…É o causo do meu amigo e xará, Roberto, seridoense de quatro costados,da cidade de Parelhas-RN, genro do meu Mestre Zé Saldanha, poeta matuto,  (hoje já cum Papai do Céu… ). É tombém o causo do Raimundo, irmão do Roberto, que tá quá o já citado, cumo diria meu ôto Mestre Zé Cavalcante (Patos-PB); “é qui nem mandacarú; num dá sombra nem incosto”!…Pois bem; numa dais úrtima visita qui fiz ao meu “pai adotivo na poesia” e  Mestre Zé Saldanha, lá no seu Recanto do Poeta, no bairro de Candelária, onde nóis se reunia modee “cunversá aritica”(jogar conversa fora), “puía e tudo o mais qui num presta (no bom sentido…)”. O véio tinha ido bater perna em Cerro Corá-RN; só estavam as duas peças, Roberto e Raimundo, e eu me abanquei mode cunversar…E a conversa foi daquela sem censura; proibida inté 90 ano, acumpanhado duis pai e duis avô…Cada estória mais “cabeluda” do qui a ôta… Mais essa, cujo autor é a própria sabedoria do Zé Povo; é de domínio público, conta o aperreio daquele matuto seridoense, que já fazia uns três ou quatro dias que “ía no mato e num se dispachava”… Se viu tão aperriado, que saiu de dento da jurema preta, e do xique xique de onde morava, e foi bater em Currais Novos, em busca de socorro. Em currais Novos, deu de cara com meu querido amigo, Dr. Josemir Amaral do Rêgo, um médico tipo os dois indivíduos que me contaram esse causo. O Dr. Josemir perguntou, de cara::
- Meu filho; o que você está sentindo ?
- Dotô; faiz quage trêis dia qui eu “tô inturido”, vô no mato e num sai é nada; acho qui no meu istambo já tem prá mais de meia arrôba de bosta acumulada…
- Você tem parentes aqui na cidade ?
- Tenho sim sinhô!
- Pois você leve esses dois comprimidos, é uma dose  que substitui o “cristé que se dá em cavalo, quando  tá entupido”. Tome os dois de uma vez, durma na casa de seus parentes e amanhã venha me dizer o resultado…
O pobre do matuto foi prá casa de seu parente e no outro dia, logo cedo, estava cum uma cara mais triste ainda, na sala de espera do ambulatório…O doutor Josemir chegou, e logo que o avistou, entre ansioso e espantado, perguntou:
- Tudo bem ? Resolveu seu problema ?
- Qui nada, dotô; tá munto mais pió; só sai bufa; e daquela qui sai queimando o “frande”; qui nem cachorro agüenta a catinga!…
- Peraí; tire sua roupa prá eu lhe examinar direito.
Meu amigo;..quando o matuto tirô a calça…apresentou-se aquela “munstruosidade”.. A “ferramenta sexual” do matuto vinha bater quase na batata de sua perna; parecia uma “anaconda; lazarina e selada no meio”… O médico, surprêso e não segurando o riso, disparou:
- Ah! Meu filho; você não tem “inturimento” ninhum, não sinhô; agora já descobri porque você num caga. Quando você tira a roupa e se acocora; na hora que seu “ás de copa” vê o tamãe de sua “lucuvina”; tem um mêdo tão “fela da gaita” que não se abre de jeito nenhum. Seu destino é “morrê intupido”!…

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