O menino torturado
O álcool e o caráter deformado estimulam algumas mentes bestiais a repetir em reuniões chiques a bravata pusilânime: ” O Brasil precisa voltar a viver uma Ditadura. O Brasil só tem jeito com ditadura.” São uns ignorantes. Ditadura, seja de que ideologia for, é o retrocesso da Civilização.
Eis agora, exposta com o ar torpe da piedade de muitos e a solidariedade verdadeira de muitos mais, a história de Carlos Alexandre Azevedo, 39 anos, que nunca conseguiu viver em paz pelos fantasmas vivos e covardes da repressão brasileira.
Carlos Alexandre decidiu, ele mesmo, pelo suicídio, acabar com sua trajetória de angústia e pavor. Foi no domingo, em São Paulo, tomando overdose de medicamentos.
Carlos Alexandre, filho do jornalista potiguar Dermi Azevedo, nunca desejou ser mártir. Nem foi moleque brincalhão de rua tampouco as sequelas da barbárie o deixaram levar uma vida de adolescente ou adulto normal.
Quando tinha 1 ano e 8 meses, Carlos Alexandre foi torturado quando agentes comandados pelo et caterva Sérgio Paranhos Fleury, o maior sociopata do período de choque elétrico e pancada, prenderam seu pai e sua mãe.
Pecado de Carlos? Ser filho de Dermi Azevedo e de ter chorado, assustado pela invasão de sua casa. Tomou um soco que arrebentou seus lábios, foi levado para longe dos pais como forma de terrorismo psicológico.
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Carlos Alexandre não poderia, de jeito algum, escapar dos horrores armanezados em sua mente. Tentar, ele tentou. Sua doença, a fobia social, consequência dos abusos, foi consumindo seu apetite pela vida. Vontade que, suponho, ele tinha, mas não conseguia transformar em verdade pelo pavor do esbirro à espreita.
Dermi Azevedo, contemporâneo de profissão e luta política do meu pai, é um homem sofrido. Sua expressão é de triste contemplação e nenhuma desistência dos ideais. Dermi Azevedo nunca matou, roubou, estuprou. Sua vida, sim, foi dilacerada pelos canalhas amestrados.
Por meu pai, por confiar nele, Dermi Azevedo perdeu o emprego de repórter especial de O Globo em 1990. Foi o único a entrevistar Rubens Lemos, quando ele reconheceu o Brigadeiro Sócrates Monteiro, ex-ministro da Aeronáutica, como um dos seus verdugos interrogadores.
O presidente Fernando Collor havia acabado de assumir, ungido de soberba e bajuladores e sua tropa de choque pediu a cabeça de Dermi Azevedo, entregue numa bandeja de covardia.
Dermi Azevedo perdeu seu filho e reagiu como o pai aflito, mas ainda esperançoso em Deus. O olhar de Dermi é de firme obstinação. Minha reação(ainda) é de revolta.
Ódio e nojo, imitando Ulysses Guimarães quando foi finalizada a Nova Constituição, antes pisoteada pelos monstrengos que tratavam debate como duelo de sangue e exercício de sadismo.
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Exilado com meus pais com 1 ano em 1971, no Chile, doente até receber extrema-unção, resisti mas não apanhei, não vi nada do que Carlos Alexandre passou. A brutalidade sobrou ao meu pai, 44 dias de porrada no DOI-CODI em Recife.
Fleury tirou-lhe todas as unhas. Carlos Alexandre sai da vida deixando, em silêncio o grito: Punição para os seus assassinos. Não foi suicídio. Abaixo, a carta emocionada do pai ao filho morto.
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Ao meu filho
Meu coração sangra de dor. O meu filho mais velho, Carlos Alexandre Azevedo, suicidou-se na madrugada de hoje, com uma overdose de medicamentos. Com apenas um ano e oito meses de vida, ele foi preso e torturado, em 14 de janeiro de 1974, no DEOPS paulista, pela “equipe” do delegado Sérgio Fleury, onde se encontrava preso com sua mãe. Na mesma data, eu já estava preso no mesmo local.
Cacá, como carinhosamente o chamávamos, foi levado depois a São Bernardo do Campo, onde, em plena madrugada, os policiais derrubaram a porta e o jogaram no chão, tendo machucado a cabeça. Nunca mais se recuperou. Como acontece com os crimes da ditadura de 1964/1985, o crime ficou impune. O suicídio é o limite de sua angústia.
Conclamo a todos e a todas as pessoas que orem por ele, por sua mãe Darcy e por seus irmãos Daniel, Estevao e Joana, para que a sua/nossa dor seja aliviada.
Tenho certeza de que Cacá encontra-se no paraíso, onde foi acolhido por Deus. O Senhor já deve ter-lhe confiado a tarefa de consertar alguns computadores do escritório do céu e certamente o agradecerá pela qualidade do serviço. Meu filhinho, você sofreu muito. Só Deus pode copiosamente banhar-te com a água purificadora da vida eterna.
Seu pai,Dermi.
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Canga e Marabá
Tem gente pensando que todo mundo é otário. Migué de mané metido a malandro mauricinho. Canga e Marabá, duas contratações pífias do ABC foram sim, dispensados. Givanildo nem olhava para eles. Tentar maquiar é bobagem. Duvido o ABC liberar Júnior Xuxa para “algum clube interessado”. Do Maranhão, Piauí ou de Rondônia.
Um João Paulo
O ABC precisa de um atacante ao estilo de João Paulo. De Wallyson. Para jogar pelos lados, movimentando o time na frente. Vanderlei ainda não é o homem e os outros são típicos trombadores. Júnior precisa mostrar muito mais.
Grave
É grave a denúncia do narrador Jorge Aldir, da 98 FM, sobre a presença de seguranças particulares dentro das cabines de rádio nos jogos do Alecrim. É invasão de privacidade e exibicionismo. O Alecrim, conhecido pela sua ternura e simpatia, não combina com petulância. Aliás, temer o quê? À disposição para esclarecimentos.
Publicar
É interessante e lúcido o artigo da torcedora americana Raissa Silva, divulgado em seu blog pessoal. Bem construído, o texto tenta mostrar que o melhor é jogar na Arena das Dunas e que a torcida não pode pagar o preço de ver o América distante de Natal aumentando seus prejuízos. Se Raissa autorizar, publico.
Futsal
O América começa seus treinamentos preparando a volta ao futsal. O técnico Arturzinho deve lançar o seguinte time titular: Neílson, Preto, Biro-Biro, Kilmer e Anderson. É o melhor que há no Rio Grande do Norte. Walber, ala, se recupera de cirurgia.
Clóvis
Ao seu estilo duro e sincero, o ex-presidente do América, Clóvis Emídio, voltou a falar. Está ao lado de Alex Padang na questão do estádio. Prefere a Arena das Dunas. O grupo do ex-presidente José Rocha não abre mão do estádio próprio.
Japonês
Está provado: As semifinais do Nordestão mostram que só tem japonês.


