O naufrágio

Condenado ao serviço dos seus filhos para mandatos e empregos públicos, sem ideologia e sem discurso, o Partido dos Democratas…

Condenado ao serviço dos seus filhos para mandatos e empregos públicos, sem ideologia e sem discurso, o Partido dos Democratas é o rescaldo do que restou dos liberais quando um dia, convencidos por algum bruxo do marketing, resolveram mudar de nome. O mimetismo garantiu uma troca fácil de siglas, do PFL para o DEM, como, aliás, é comum na política brasileira, mas o destino continuou com a mesma busca por um estado menor e deformado, sem compromissos sociais e sem grandeza de luta.

Pior: o DEM sucumbiu no seu próprio coronelismo, tardio e sem sentido, numa oposição que já dura há dez anos e num confronto cego e sem sintonia popular. Submetido aos mesmos donos nos estados e nos plenários da Câmara e do Senado, o partido chegou ao raquitismo absoluto de idéias pela falta de renovação. Hoje, seus brados esganados não passam das tribunas parlamentares, enquanto os adversários que critica colecionam vitórias, derretendo o que resta de um partido já sem temperança.

No Rio Grande do Norte, por exemplo, muito antes dos petardos sofridos – pela ordem – contra a prefeita Claudia Regina, em Mossoró; e, no Estado, a governadora Rosalba Ciarlini, os Democratas já se esvaíam lentamente. Até nas suas críticas ao passado tornou-se um prisioneiro da ex-governadora Wilma de Faria, postura que se revelou mais uma vez inócua com ela liderando todas as pesquisas, enquanto o DEM definha, calado e mudo, hoje dependente do PMDB para não sucumbir de uma vez.

Dilacerado na altivez e no amor próprio, o DEM perdeu a voz até na defesa de si mesmo. Acusado por uma revista de circulação nacional de tráfico de influência no Governo Rosalba Ciarlini, por pagamentos privilegiados da ordem de R$ 150 milhões a uma empreiteira, calou. Quando indagado sobre o lançamento de nomes ao Governo e Senado suas vozes parecem temer desagradar ao PMDB e ameaçar a renovação do mandato de deputado federal de Felipe Maia, só emudecem e nada declaram.

Não bastasse o fracasso administrativo de Micarla de Souza que apoiou nas ruas numa aliança que venceu três governos – municipal, estadual e federal – colhe mais dois desastres de uma inegável magnitude politica: em Mossoró, reduto onde sempre foi o líder mais forte, e no Governo Rosalba Ciarlini, hoje com rejeição da ordem de 80%. E mais grave: sequer se sabe como pensa o DEM diante desses desastres como se pondo os antolhos fosse possível esconder a frustração pública que causou.

Transformado em capatazia, como todos os partidos no Rio Grande do Norte, o DEM não tem candidato a governador, a vice e a senador, para não incomodar ao PMDB. Serve apenas para abrigar os mandatos e empregos de filhos sob o falso argumento das vocações. Na verdade, envelheceu batido pela força do mar político. Já dando água no cavername, parece viver os últimos dias do seu pobre fim. Como os velhos navios quando gemem naufragando nas águas tristes de sua própria insignificância.

 

ATENÇÃO – I
A entrevista de deputado Fernando Mineiro apoiando Fernando Bezerra para o governo e qualificando a ex-governadora Wilma de Faria como adversária acendeu a lâmpada vermelha no bunker wilmista.

COMO – II
O wilmismo passou a admitir a candidatura de oposição, se Wilma é tratada assim, e estranhou que nas suas declarações o deputado petista não tenha feito a mesma restrição a uma aliança do PMDB-DEM.

ALIÁS – III
A condenação do advogado Lauro Maia, filho da ex-governadora, teria para o PT a mesma restrição ética das prisões de José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha ou, neste caso, é simples injustiça?

OU – IV
A entrevista não passou de uma bem urdida forma de cavar uma saída para Fátima Bezerra chegar ao Senado e abrir a vaga de deputado federal para Fernando Mineiro e a de estadual para Hugo Manso?

NUMA – V
E noutra hipóteses, a entrevista teve outra leitura: há absoluta afinação com Brasília. O PT local não tem estofo para atrapalhar a união de apoio a Dilma Rousseff, mesmo o PMDB sendo aliado do DEM.

RESSACA
De Paulo Mendes Campos citado na edição Piauí de janeiro de 2014, entre as suas Lições de Boemia, num texto de Elvia Bezerra: ‘Aviso aos novos abstêmios: a velhice é uma ressaca diária, E sem cura’.

AGENDA
Saiu a agenda literária 2014, da editora Global. Câmara Cascudo figura em sete dos doze meses, mas o seu organizador esqueceu de uma frase dele justamente no dia 22 de agosto que é o ‘Dia do Folclore’.

QUASE – I
Por pouco a Arquidiocese não expôs à venda seu último e valioso patrimônio urbano que é aquela área do Seminário São Pedro, na esquina da Rua Maxaranguape com a Av. Prudente de Morais, no Tirol.

NÃO – II
A decisão de não vender foi tomada, mesmo diante das dívidas do Seminário, pelo voto contrário dos conselhos diocesanos. E não é só um patrimônio. É um símbolo da história da Arquidiocese de Natal.

RUÍDO – III
Segundo fontes que sussurram sob os velhos arcos da Mariz da Senhora da Apresentação, não bastasse ter fechado o ano com déficits que beiram os trezentos mil reais, não se sabe qual o corte nas despesas.

AUSENTE – IV
Nada consta no Anuário da Arquidiocese sobre a Faculdade de Teologia Heitor Sales, mais importante instituição de ensino superior da Igreja no Estado. Correria um risco de ser fechada como a de Caicó?

CRISE -V
A Arquidiocese revela, pouco a pouco, uma crise de gestão não só administrativa. A Diocese de Caicó está sem bispo há mais de dois anos e Natal sem capelão nos hospitais para os enfermos e moribundos.

CAROLINA
A editora Azymut, de Wandyr Villar, lança mais duas novas edições de títulos raros, agora da poetisa Carolina Wanderley: Alma em Versos, de 1919; e ‘Rimário Infantil’, originalmente lançado em 1926.

MISTÉRIO
O publicitário Alexandre Macedo reservou dois dias do seu inarredável veraneio em Pirangi para vivê-los amorosamente na sempre requintada península de Jacumã. E voltou, mais misterioso do que nunca.

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