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O negócio das suplências e das ilhas dos tesouros

Data: 09 janeiro 2013 - Hora: 18:00 - Por: Alex Medeiros

Por Alberto Dines

O peixe de maior tamanho enroscado na Operação Porto Seguro é um “senador” que jamais teve um voto e, no entanto, ocupou por três vezes um assento em nossa Câmara Alta.

Este mago da política chama-se Gilberto Miranda: começou como massagista do então presidente-ditador João Figueiredo, foi sócio nos negócios de Orestes Quércia, é amigo de Paulo Maluf, era próximo de Celso Pitta, seu padrinho de casamento é José Sarney e, além disso, esteve envolvido diretamente em escândalos de altíssimo quilate como o Caso Sivam e o Dossiê Cayman.

O “senador” Gilberto Miranda agora mudou de ramo: tornou-se expert em Ilhas do Tesouro. Tem duas, a poucos quilômetros de distância uma da outra, no litoral de S. Paulo.

Na ilha das Cabras, propriedade da União, perto de Ilhabela, construiu um paradisíaco resort privado com heliporto e outras facilidades para entreter amigos e sócios.

Insatisfeito, o novo Robinson Crusoe apossou-se da Ilha dos Bagres, no porto de Santos, onde pretendia construir um complexo portuário para o qual obteve um financiamento de dois bilhões de reais graças às relações com José Weber Holanda, ex-advogado-geral-adjunto da União, agora indiciado pela Polícia Federal.

O negócio de Ilhas do Tesouro resolve-se pela via judicial com relativa facilidade. Mas o negócio das suplências, uma das maiores aberrações da Carta Magna de 1988, só se resolve com uma Emenda Constitucional.

Gilberto Miranda Batista — Mirandinha para os íntimos – embora paulista sempre fascinou-se com as riquezas do Amazonas: pagou dois milhões em 1987 para obter a suplência de Carlos Alberto Di Carli o que lhe permitiu freqüentar o Senado durante seis meses e lustrou a sua folha-corrida com o título de Senador.

Em 1990 negociou uma suplência com Amazonino Mendes: pagou quatro milhões que lhe garantiram seis anos no Senado da República. Em 1998 pagou outros cinco milhões ao xará, Gilberto Mestrinho por uma segunda suplência e, em seguida, uma vilegiatura de outros seis anos no Senado. Uma pechincha.

No período em que representou o Estado do Amazonas o empreendedor Gilberto Miranda desenvolveu outro negócio: a liberação de projetos de financiamento na Zona Franca de Manaus. Bateu um recorde: emplacou 250.

No modelo presidencialista e bicameral dos EUA inexiste a figura do suplente de senador. É ilegítima. O representante de um estado da Federação precisa ser eleito pelo voto direto. O parlamentar que se afasta, morre ou é impedido pelos pares, será substituído por outro, eleito nominalmente no pleito seguinte.

O negócio de suplências no Senado é indecente, feudal e antidemocrático. Já produziu situações altamente vexatórias com aquela protagonizada pelo ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, então suplente do senador Saturnino Braga (PDT-Rio) que exigiu o afastamento de um brilhante parlamentar por conta de um execrável “acordo político” que lesou o eleitor, o partido e o próprio sistema eleitoral.

A Operação Porto Seguro foi iniciada pela Polícia Federal, as primeiras punições partiram do Executivo, os indiciados serão levados ao Judiciário. O Legislativo — por enquanto ileso — poderia participar do saneamento com uma PEC que acabaria com o rendoso negócio das suplências. E das ilhas dos tesouros. (AD)

 

Crise de imagem
Trocar o jornalista Alexandre Mulatinho pelo colega Paulo Araújo, ambos com o mesmo talento, não vai mudar em nada o atual fiasco na imagem do governo Rosalba Ciarlini. É como se uma igreja trocasse de sacristão pensando em mudar a missa.

Na base
Segundo a Folha de S. Paulo de hoje, o PSD de Gilberto Kassab vai aguardar passar o carnaval para vestir a fantasia do governo Dilma Rousseff. Dos 51 deputados federais, 22 são egressos do DEM, do PSDB e do PPS, legendas que fazem oposição ao PT.

Costuras
O deputado federal Fábio Faria, vice-líder do PSD, costura pessoalmente, por orientação de Kassab, o apoio em bloco do partido à candidatura do deputado Henrique Alves (PMDB) para presidente da Câmara Federal. A eleição acontecerá em fevereiro.

Comunicação
Em princípio, o atual presidente da Câmara de Vereadores, Albert Dickson (PP), vai manter a mesma estrutura de pessoal no setor de comunicação da casa, sem qualquer alteração no quadro que já trabalhava para o ex-presidente Edivan Martins (PV).

O chefão
Já que não tem foro privilegiado, o ex-presidente da República, Luiz Inácio (PT), deverá se investigado por procuradores de primeira instância que apurarão as denúncias contra ele feitas pelo publicitário Marcos Valério, o capataz do mensalão de Zé Dirceu.

Rosemary
Há uma expectativa no universo político com a próxima edição da revista Veja, que vai às bancas no sábado, 12. Circula nas redes sociais que a principal publicação semanal do país trará novidades sobre a relação de Luiz Inácio com Rosemary Noronha.

Handebol
No ano em que Neymar perdeu para Fred e Ronaldinho a condição de craque da nação, fracassou nas Olimpíadas com o Brasil e na Libertadores e Brasileirão com o Santos (8º lugar), sobrou à pátria de chuteiras uma discreta glória feminina no handebol.

Zé Bonitinho
O potiguar Adelson Reis já garantiu os ingressos da Copa das Confederações para levar o clone do personagem Zé Bonitinho (criação do comediante Jorge Loredo) aos seis estádios do evento, como vem fazendo há anos nas Copas e nas Olimpíadas.

Chapelões
Como nos últimos anos, Adelson se juntará a um grupo de empresários da cidade paulista de Socorro, que nos eventos esportivos se vestem a caráter com enormes chapéus e já ficaram famosos como os “chapelões” amigos do Zé Bonitinho.

Fulecos e travecos
Depois das aventuras com travestis no Rio e agora com a apalpada que o goleiro Casillas lhe deu na bunda em Zurique, o ex-jogador Ronaldo Nazário acabou liberando indicativos para se imaginar o motivo de tantos casamentos fracassados com mulheres.

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