O ódio ao PT e o ódio do PT – Danilo Sá

Elio Gaspari Colunista d`O Globo Lula tem toda razão. Existe uma campanha de ódio contra o PT. Esqueceu-se de dizer…

Elio Gaspari

Colunista d`O Globo

Lula tem toda razão. Existe uma campanha de ódio contra o PT. Esqueceu-se de dizer que existe também uma campanha de ódio do PT. Uma expôs-se no insulto à doutora Dilma na abertura da Copa. Argumente-se que o grito foi típico da descortesia dos estádios. O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, influente aliado do candidato Aécio Neves, endossou-o durante um evento do tucanato: “O povo mandou ela para o lugar que tinha que mandar.” Essa é a campanha de ódio contra o PT. Ela pode ser identificada na generalização das acusações contra seus quadros e, sobretudo, na desqualificação de seus eleitores. Nesse ódio, pessoas chocadas pela proteção que Lula e o partido deram a corruptos misturam-se a demófobos que não gostam de ver “gente diferenciada” nos aeroportos ou matriculada nas universidades públicas graças ao sistema de cotas.

O ódio do PT é outro, velho. Lula diz que nunca se valeu de palavrões para desqualificar presidentes da República. Falso. Numa conversa com jornalistas, chamou o então presidente Itamar Franco de “filho da puta” e nunca pediu desculpas. O ódio petista expôs-se em situações como a hostilização ao ministro Joaquim Barbosa num bar de Brasília e na proliferação de acusações contra o candidato Aécio Neves na internet. Se a rede for usada como posto de observação, os dois ódios equivalem-se, e pouco há a fazer.

Lula antevê uma campanha eleitoral “violenta”, pois a elite “está conseguindo despertar o ódio de classes”. Manipulação astuciosa, recicla o ódio do PT, transformando-o no ódio ao PT. Pode-se admitir que a elite não gosta do PT, mas bem outra coisa é rotular como elite todo aquele que do PT não gosta. Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras que entesourou US$ 23 milhões em bancos suíços, certamente pertence à elite e no seu depoimento à CPI viu-se que gosta do PT e o PT gosta dele.

Essa estratégia já foi explicada pelo marqueteiro João Santana. Trata-se de trabalhar com dois Lulas: ora há o “fortão”, ora o “fraquinho”.

Quando Lula foi criticado porque tomou um vinho Romanée-Conti de R$ 6 mil durante a campanha de 2002, era a elite que negava ao “fraquinho” o acesso a um vinho do andar de cima, pago por Duda Mendonça. Anos depois, quando viajou pelo mundo em jatinhos de empreiteiras, era o “fortão” redesenhando a diplomacia brasileira.

É uma mistificação, mas contra ela só existe um remédio: vigiar a racionalidade da campanha, fugindo da empulhação. Quem quiser odiar, que odeie, mas não fica bem a uma presidente da República dizer que investiu em educação recursos que na realidade destinaram-se a cobrir o custeio da máquina. Também fica feio a um candidato da oposição que até outro dia estava no ministério dizer que “não fico mais em um governo comandado por um bocado de raposa que já roubou o que tinha que roubar”. Não viu enquanto lá estava?

Talvez a racionalidade seja um objetivo impossível. Afinal de contas, até hoje há americanos convencidos de que o companheiro Barack Obama é um socialista que nasceu no Quênia. Nesse caso, candidatos não devem ir a estádios. (Publicado 18/06/2014)

PALAVRA DA ROSA I

A governadora Rosalba Ciarlini anunciou hoje que participará “ativamente” da campanha eleitoral de 2014. A gestora enfatizou que terá, sim, seu candidato a governador e a senador e que confirmará os nomes logo após as convenções estaduais. Hoje, a tendência é que a Rosa, por incrível que pareça, se aproxime do palanque montado pelo vice-governador Robinson Faria. Acredite se puder.

 

PALAVRA DA ROSA II

Mesmo rompida com seu vice desde o primeiro ano de gestão, hoje o clima é de maior acirramento com o deputado federal Henrique Eduardo Alves e seu grupo político. Não à toa Robinson divulgou uma nota oficial criticando a decisão do DEM e lamentando a exclusão de Rosalba. Resta saber se ter a governadora no palanque será fator positivo ou negativo.

PALAVRA DA ROSA III

Com Rosalba ao lado, o candidato não poderá criticar sua administração, por exemplo, a mesma desaprovada por cerca de 90% do eleitorado, como mostrou a pesquisa Consult. Pior, ainda precisará ver a própria Rosa defender as ações do seu governo. Talvez, se quiser mesmo derrotar Henrique, seja melhor para a governadora se manter neutra e tentar migrar seus votos, nos bastidores, para seu escolhido. É a luta.

 

PALAVRA DA ROSA IV

Outro ponto de destaque na entrevista concedida pela Rosa hoje, a 96 FM, foram suas palavras em relação ao senador José Agripino. A governadora disse que se sentiu traída, pelo visto, este é o fim de uma amizade de 40 anos, entre a família Rosado e a Maia. A Rosa confirmou que trocará de partido após concluir seu mandato.

EMPATE

O empate sem gols diante do México ficou longe da expectativa de qualquer torcedor brasileiro. Mas, de certa forma, o time do técnico Felipão jogou exatamente no seu nível. Ou será que alguém esperava uma apresentação melhor de Fred, por exemplo? Se não for na empolgação da torcida, ficará difícil para a seleção canarinho ter êxito nesta Copa.

 

RESERVAS ERRADOS

Em tempo: é preciso enfatizar que, nestes dois primeiros jogos do Brasil na Copa, Luiz Felipe Scolari fez péssimas substituições ao longo das partidas. Tanto contra a Croácia como com o México, os reservas entraram muito mal. Pior, ontem, tendo o meia William no banco, o treinador só optou por colocá-lo nos minutos finais, quando praticamente não havia mais chances de vitória. Assim não dá.

FAVORITOS

Ontem, com os jogos do grupo da Bélgica, Rússia, Coréia do Sul e Argélia, todas as seleções do mundial realizaram seu primeiro jogo. E já dá para tirar algumas conclusões sim. Alemanha, Holanda e Itália são as mais fortes, de longe.

 

ERRATA

Em respeito aos leitores deste bravo JH, e, mais ainda, aos que dedicam minutos à leitura deste canto de página, este colunista pede as mais sinceras desculpas pelo “erro crasso” publicado aqui na edição de ontem. No título do texto principal, em vez de “Extinto de sobrevivência”, o termo correto era “Instinto de sobrevivência”. A troca, imperdoável, foi motivada pelo excesso de pressa deste colunista-editor, diante da antecipação do fechamento deste vespertino em dias de jogos do Brasil. E o pior, ainda vimos nossa seleção decepcionar.

GIRA MUNDO

Está n’O Globo de hoje. Nem ingressos para cadeirantes escapam do mercado paralelo durante a Copa do Mundo. Em uma rápida busca em redes sociais e sites de compras, é possível encontrar vendedores oferecendo ingressos — da partida de hoje entre Espanha e Chile, no Maracanã — destinados exclusivamente a deficientes, a R$ 1.200 o par, garantindo que nenhum documento que comprove a deficiência é pedido para entrar nos estádios. O negócio é ainda mais vantajoso para o vendedor porque um dos ingressos já é gratuito: quando um cadeirante compra uma entrada no “site” da Fifa, ganha outra para um acompanhante.

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