O pistoleiro da paixão

No dia em que Pelé disse “love”, diante da multidão em Nova York, era apenas um recorte rápido de um…

No dia em que Pelé disse “love”, diante da multidão em Nova York, era apenas um recorte rápido de um discurso formal de despedida. No dia em que Luís Suarez conheceu o “amor” libertou em si mesmo o artilheiro que estava impedido de agir.

O garoto uruguaio que nasceu na mesma cidade do gênio Pedro Rocha, Salto, quase perdeu para sempre o talento nato para jogar futebol, tudo por causa da carência amorosa que começou na separação dos pais e prosseguiu no afastamento da namorada.

Um dos sete filhos de um porteiro e uma dona de casa, Luís Suarez desabrochou boleiro nas peladas das ruas e parques da cidade fronteiriça com a Argentina; também chutava bolas na margem do Rio Uruguai diante de adultos solvendo tradicional chá de ervas.

Com apenas seis anos, foi para Montevidéu, a capital dos sonhos de mais dinheiro para seu Rodolfo e dona Sandra. Foi a mãe quem saiu em busca de escola para a prole e também de um clube de futebol para o pirralho. Achou espaço no Urreta Futbol Club.

Inscrito na reserva onde já se acumulavam dezenas de meninos, o pequeno Suarez estreou num segundo tempo quando o time perdia por 2 x 0. Foi o jogo da gênese do matador que ele se transformaria depois; marcou três gols e virou herói dos colegas.

Aos nove anos, a mistura de habilidade e precisão no chute, tão comum na escola uruguaia de futebol, atraiu a atenção de Wilson Pirez, olheiro oficial do Nacional, o grandioso rival do Peñarol. O homem também o achou sério e bem comportado.

Mas, nesse ínterim, a mão do destino tentou tirar os pés do garoto do caminho da bola. O pai abandonou a família, gerando insegurança, carência afetiva e desequilíbrio financeiro em casa. Longe do amor do pai, o talento de Luís Suarez cambaleava.

Desconcentrado, principalmente na escola, onde gostava das aulas de matemática, o potencial de craque se comprometia na falta de alto estima, virou quase móvel e utensílio do grupo de reservas e entrou na adolescência jogando uma bola discreta.

As noites nas baladas periféricas de Montevidéu e os primeiros goles de bebidas alcoólicas entraram em sua vida como ritos de passagem inevitáveis. Quase foi expulso do Nacional. Conseguiu dedicar-se ao clube e ao colégio nos turnos diurno e noturno.

Foi então, agora com quinze anos, que o amor o reabilitou, em forma de uma menina dois anos mais jovem, chamada Sofia Balbi. A flecha do Cupido o acertou em cheio e aí o futebol de Suarez preencheu o resto do vazio, explodindo para mover montanhas.

A fé no gol juntou-se à fome de sucesso, a paixão como combustível de um goleador impávido, intrépido, inapelável. Sofia teve participação determinante para o rapaz compreender que só o seu futebol transformaria sua vida, lhe daria paz e conforto.

Mas, outra vez o destino armou defesas contra, e a garota foi morar em 2003 com os familiares em Barcelona, na Espanha. A reprise do afastamento do pai destroçou o coração e os ânimos de Suarez; a bola murchou outra vez nos seus pés, o chão abriu.

Desconsolado, fez do amor por ela a última energia para reagir e danou-se a correr atrás da bola, ciente de que se havia alguma chance de revê-la, era a partir do futebol. Dos 18 aos 19 anos, fez 27 jogos pelo Nacional e marcou 10 gols. E brigou a cada partida.

Uma proposta do Groningen, da Holanda, lançou sua mente em cálculos matemáticos, imaginando o encurtamento da distância de Sofia. Repetiu a dose com 10 gols em 29 jogos e atraiu a atenção do poderoso Ajax. Aos 20 anos, estava no clube de Cruijff.

Os gols se multiplicaram em campos holandeses na mesma proporção do amor por Sofia que cada vez crescia mais. A manchete acusatória do diário De Telegraaf, em novembro de 2010, virou um epíteto para sua fome de gol: “O Canibal do Ajax”.

Num clássico com o PSV, Suarez mordeu a orelha de Otman Bakkal, um ato inusitado, ainda mais num país em que é mais comum aos ídolos cortar a própria orelha. Na verdade, como um Hannibal Lecter do Prata, o craque come a bola por onde passa.

O reencontro com o amor de Sofia fez dele um atacante virtuoso e mortal, o segundo cara depois de Cruijff na artilharia histórica do Ajax. Tornou-se referência na Inglaterra, melhor jogador de 2013 e xodó da fanática torcida do Liverpool. O herói vermelho.

Na Copa de 2010, usou as mãos para salvar o Uruguai e no ano seguinte, seus pés conduziram a Celeste ao título da Copa América. Ultrapassou o amigo Diego Forlán como maior goleador da seleção. E não para de marcar, por amor à Sofia e ao futebol.

 

Inaugurações
Não se pode negar a capacidade da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) em contabilizar como suas as obras federais que estão sendo inauguradas no RN. E também as obras privadas com aval federal, como a Arena das Dunas. E nas barbas do PT.

Comunicação
No caso da Arena das Dunas, a governadora ganhou o jogo da comunicação em relação a presidente Dilma Rousseff (PT), pelo menos no campo local. O governo estadual soube explorar os espaços da mídia, inserindo a própria Rosalba no noticiário.

Turistas
Mesmo com a confirmação de que a FIFA cancelou milhares de reservas nos hotéis de Natal durante a Copa do Mundo, os manés permanecem delirando com a perspectiva que se repita em junho o que houve na Segunda Guerra: uma invasão de gringos.

A chapa
O deputado Henrique Alves e o ministro Garibaldi Filho se deram por satisfeitos com a pauta do encontro entre Fernando Bezerra e Wilma de Faria, sábado último em Jacumã. A conversa avançou, e muito, a disposição do PMDB e PSB em marcharem juntos.

Eduardo Campos
Será em 4 de fevereiro, em Brasília, o lançamento do programa de governo de Eduardo Campos como candidato a presidente da República. E entre fevereiro e abril, o PSB realizará seminários em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife, Goiânia e Manaus.

Rui Falcão
Na última reunião de Lula com Dilma, o falastrão presidente do PT não foi convidado, recebendo o argumento de que não se tratava de assuntos eleitorais. Dizem que Michel Temer queixou-se do cara, dizendo que fala uma coisa pra ele e outra pra Dilma.

Vaquinha
Já estão em andamento os novos sites – a exemplo do que foi feito com Zé Genoíno – para receber doações dos petistas para quitar as multas de Zé Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha, respectivamente R$ 676 mil, R$ 466 mil e R$ 370 mil.

Vaias
Algumas categorias que compuseram a manifestação ocorrida hoje em Natal não têm qualquer ligação com o governo estadual, e sim com o federal. Portanto, não cola a desculpa petralha de que vaias não são dirigidas para Dilma Rousseff.

Protestos
Marcada para as 18h de hoje, na Cinelândia, Rio de Janeiro, a primeira reunião de “construção horizontal” do movimento “Não Vai Ter Copa”, que pretende espalhar no país protestos contra os gastos com a Copa, contra o governo federal e FIFA/CBF.

Hipocrisia, não
O delegado que usou uma viatura da Polícia para ir a um motel deve ser criticado e julgado apenas por isso. Condená-lo moralmente pelo fato de namorar uma “adolescente” é hipocrisia. A moça é menor, mas não é criança, fique bem claro.

Teatro
De hoje até sábado, o Ginásio Nélio Dias será palco da peça “Casa do Julgamento”, um espetáculo pioneiro que já atraiu 20 mil pessoas em Recife e João Pessoa. É uma peça interativa abordando a questão do trânsito e o álcool. Até sexta às 19h, e 17h no sábado.

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