O possível e o provável – Walter Gomes

Primeiro lugar nas intenções de voto para ganhar o governo do Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves (PMDB) ocupa…

Primeiro lugar nas intenções de voto para ganhar o governo do Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves (PMDB) ocupa a faixa do favoritismo. Mas, como ainda faltam 37 dias para a fase de classificação, convém aos seus adeptos uma aliança com a prudência. Correm o risco de vexame quando proclamam a vitória de seu ídolo, ou coisa parecida, no primeiro turno.

Embora 12 pontos percentuais marquem a distância, expressiva para os parâmetros eleitorais, há tempo para redesenhar o cenário ainda sem cores e de imagens indefinidas. Existe esboço com traços que permitem três advérbios como respostas corriqueiras dos observadores: sim, não e talvez.

Alves tem 40% das intenções de voto, conforme levantamento do Ibope. Os 28% do principal concorrente – Robinson Faria (PSD) – adicionados aos 5% de três outros postulantes somam 33%. A diferença cai para sete pontos. Permite a Faria a expectativa de se manter com chance de promoção a outra etapa. Pode até sonhar com a virada do jogo dia 26 de outubro.

Há, todavia, um dado relevante e de pouca, ou quase nenhuma, divulgação pelo marketing do presidente do peemedebismo regional. Parece até ignorado pelo opositor número um. A alta rejeição a Henrique Eduardo, aceita como realidade, era uma lenda. Os números do Ibope colocam-na no patamar que surpreende – incluso o birô da coluna. Em cada grupo de 100 entrevistados, 29 não votam nele de jeito nenhum. São apenas três a mais que o contingente de veto a Robinson.

O complicador de ponta nesta campanha é, em verdade, o histórico de Henrique Eduardo Alves perder eleições majoritárias. E sempre com o troféu de favorito.

Agenda a cumprir

Próxima semana, esforço concentrado no Congresso Nacional.

Renan Calheiros (foto), senador-presidente, irradia otimismo quando fala do “sucesso no trabalho” das duas casas, a partir de terça-feira.

O peemedebista alagoano prevê para depois da eleição “dois meses de intensa ação”, na Câmara e no Senado.

No período, o Parlamento discute e vota, até a segunda quinzena de dezembro, o Orçamento da União para 2015, promete Calheiros.

Início da reação

A estratégia é a desconstrução de Marina Silva.

Com esse objetivo, atuam os estados-maiores de Dilma Rousseff e Aécio Neves.

Não se trata de uma combinação conjunta, mas de um movimento de interesse mútuo.

Rousseff e Neves ocupam o mesmo palco de angústia e ansiedade.

O tucano perdeu o segundo lugar para a acriana, segundo os números das quatro últimas sondagens de opinião.

E, fosse agora o turno final do pleito, os mesmos institutos preveem a petista passar a faixa de presidente da República à messiânica representante do PSB.

No período, o Parlamento discute e vota, até a segunda quinzena de dezembro, o Orçamento da União para 2015, promete Calheiros.

Leitura Dinâmica

– O procurador-geral da República requereu à Corte Eleitoral a imediata suspensão da campanha de José Roberto Arruda ao governo do Distrito Federal. Líder nas pesquisas, o candidato do PR foi condenado, em segunda instância, por crime de corrupção. Resultado: alistado no rol dos inelegíveis.

– Reeleita chefe do governo, Dilma Rousseff dispensa Guido Mantega, seu ministro da Fazenda.

– Fernando Henrique Cardoso continua na crença da ascensão de Aécio Neves ao segundo turno. Geraldo Alckmin, também de influência no ninho tucano, não demonstra o mesmo otimismo.

– Surpresa o empate técnico na disputa da vaga potiguar para o Senado. Desde o primeiro levantamento, Wilma de Faria (PSB) estava adiante de Fátima Bezerra (PT). No novo placar do Ibope, a ex-governadora tem 35%; a deputada, 34%.

– Embora levemente, Lula da Silva começa a fustigar Marina Silva. Ele pergunta: “Como votar numa candidata que não tem base de sustentação parlamentar?”.

– Para refletir: “Chamo de jornalismo tudo que será menos interessante amanhã que hoje” (André Gide, escritor francês).

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