O príncipe Inca
Eu tive um amigo peruano, que, antes de sumir no mundo, deixou-me uma camisa colorida, que ele dizia ter sido costurada por uma nativa de Machu Picchu, e uma estória que gostava de repetir nas nossas sessões de cerveja, há três décadas.
Contava que quando as tropas do espanhol Francisco Pizarro desembarcaram em terras peruanas em busca do ouro dos Incas, um feiticeiro nativo profetizou: “o maior tesouro do Peru andará pelo mundo, brilhará para todos, mas será sempre do Peru”.
A fala do bruxo inca lançara palavras ao vento, atravessando a barreira do tempo e se concretizando na era de ouro do futebol latino, entre as décadas de 60 e 70 do século XX. E o tesouro tinha nome e sobrenome: Teófilo Juan Cubillas Arizaga.
Famoso em todo o planeta, a partir do final dos anos 1960, o tesouro peruano respondia simplesmente pelo nome Cubillas, o mais extraordinário jogador que já brotou em campos do país sul-americano e até considerado sucessor de Pelé pelo próprio rei.
Urge falar de um grande literato português para fazer referências à obra universal composta no talento de Cubillas. Autor do best seller “Rio das Flores”, além de outros livros, Miguel de Sousa Tavares guarda na memória a imagem triunfal do gênio peruano.
Para o filho da poetiza Sophia de Mello Breyner Andresen, Cubillas foi a mais perfeita expressão do craque, o mais importante jogador a vestir a camisa do F. C. Porto, o time azul e branco da cidade homônima, berço do consagrado escritor e jornalista.
Narrando aquele que foi o mais belo gol que viu na vida, o autor luso parece recitar poemas que entornavam dos pés de Cubillas. Deixando cinco adversários literalmente caídos, tocou na saída do goleiro ao estilo do tcheco Panenka. Um toque sutil, em câmera lenta.
A cena que marcou a juventude de Miguel de Sousa Tavares é tão maravilhosa quanto o que ocorreu depois daquele gol, na goleada do Porto sobre o Atlético: não havia apenas os aplausos nas arquibancadas, mas o gesto foi seguido pelos jogadores rivais.
Cubillas tornou-se ídolo em seu país com apenas 18 anos e aos 19 proporcionou o que nem seu povo, ou qualquer povo vizinho das Américas acreditava: comandou a seleção numa vitória e um empate que tiraram a Argentina da Copa de 1970.
Com pouco mais de 20 anos, já chegou no México como um dos maiores jogadores do planeta, figura central no esquema tático do técnico brasileiro Didi. O Peru avançou às quartas-de-final, sendo parado pelo time fantástico do Brasil, por 4 x 2.
Mas Cubillas saiu da Copa de 1970 consagrado como um dos melhores e um dos artilheiros do torneio. Dois anos depois era eleito o melhor jogador do futebol sul-americano, deixando a segunda posição para um outro camisa 10, que jogava no Santos F. C.
Com ele, o Peru foi a três copas, 70, 74 e 82, nesta última um veterano e ainda mantendo o mesmo toque de bola. Entrou para a História do futebol como um dos dez maiores artilheiros das copas e está na lista da FIFA entre os 50 craques do século XX.
Logo após a Copa do México, numa turnê pela Europa com um combinado peruano, Cubillas comandou vitórias sobre times fabulosos, como o Benfica de Eusébio e o Bayern do matador Gerd Müller e do kaiser Beckenbauer.
A convivência com outro príncipe do futebol, o genial Didi, que foi seu técnico, deu a Cubillas mais uma arma, além do drible, da habilidade, da força e da disciplina tática: poucos, como ele, sabiam repetir a “folha seca”, o chute que imortalizou seu professor.
O craque inca espalhou seu futebol por todo o mundo. Jogou no Basel, da Suíça, no Porto, de Portugal, e no Fort Lauderdale Strikers, dos EUA, além de ter sido desejado pelo Cosmos, de Nova York. Parou de jogar aos 38 anos e jamais será esquecido.
Ao lembrar do meu amigo peruano (o que me deu a camisa), costuro uma paráfrase, geográfica e futebolística, definindo o seu país como uma terra latina limitada ao norte pelo Equador e Colômbia; limitada a leste pela Bolívia; ao Sul pelo Chile. E sem limites na genialidade de Cubillas. (AM)
PS – Cubillas faz hoje 64 anos.
Farsa chavista
O diário ABC, de Madrid, publicou hoje reportagem reveladora sobre o funeral de Hugo Chávez. O caixão que circulou pelas ruas de Caracas sobre um carro de bombeiros, durante 7 horas, não continha o corpo do político. Uma afronta ao luto do povo.
Velório
Aflorou rapidamente a piedade cristã no Zé Dirceu, aflito para participar do funeral do Hugo Chávez, que segundo o argumento no pedido de viagem ao STF era seu amigo. Não se tem notícia que o Zé foi ao enterro de Celso Daniel e Toninho do PT.
Corre, Zé!
O apenado mensaleiro bem que poderia reiventar a desobediência civil dos tempos de estudante da UNE, quando fez a trapalhada em Ibiúna. Por que Zé Dirceu não entra na clandestinidade e foge para cultuar o cadáver do Chávez? Reincidência é sua marca.
Anti-Brasil
A esquerdopatia nacional, representada pelo PT e seu satélite PCdoB, resolveu atacar também os católicos como já faz com os evangélicos. O site da Veja mostra hoje que o alvo da vez é o dom Odilo Scherer. Os petralhas são contra seu nome para papa.
Escândalo
Volto a alertar para o esquema montado por uma Ong na Grande Natal, que usando a Sejuc como amparo institucional vem amealhando mais de R$ 500 mil por ano do Programa de Proteção à Testemunha e que é dividido com uma liderança partidária.
Homenagem
O jantar para o deputado Henrique Alves, logo mais no Boulevard, ganhou pompa nacional com a viagem de Dilma Rousseff para o funeral de Chávez. A presidência da República está com Michel Temer e a vice com Henrique, ambos no megaevento.
Física de gêneros
A tal cartilha do colégio em Fortaleza, alvo da sanha inquisitória do AFE (ativistas afetados), alertou-me para uma analogia que nunca imaginei. Adotarei o didatismo: macho é próton, mulher é elétron e homossexual é neutron. E deus é bóson de Higgs.
Proteção à mulher
A publicidade da data não abafa a cruel realidade das mulheres em seu dia internacional. Segundo a ONU sete em cada dez mulheres no mundo sofrerão algum tipo de violência física ou sexual ao longo da vida. São 12 mortes por dia no Brasil.
Pastor em pânico
Depois de Marília Gabriela no SBT, agora foi Sabrina Sato quem entrevistou o pastor Silas Malafaia na tela da Band, no programa Pânico na TV. Indagado por Emilio Surita se tinha visto a japa na Playboy, o evangélico disse “minhas leituras são outras”.
Quadrinhos
Mais um êxito de Orson Scott Card, o consagrado autor contratado para roteirizar as novas aventuras do Superman nas edições da DC Comics. O desenhista Chris Sprouse pediu pinico por não aceitar sua postura. O que a DC tem a ver com as calças?
Legado de Chávez
Além de jamais ter priorizado o Brasil nas relações comerciais como fez com os EUA (os gringos tinham negócios dez vezes mais com a Venezuela), Hugo Chávez deixou um legado boleiro. Sua seleção jamais perdeu para a canarinho durante seu governo.


