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O príncipe volante

Data: 19 janeiro 2013 - Hora: 18:03 - Por: Alex Medeiros

Para Aluisio Lacerda, François Silvestre e Rubens Lemos

Numa trajetória enviesada em relação aos padrões históricos no âmbito das monarquias, minha aldeia um dia assistiu, cheia de encantamentos, a um velho príncipe comandar um reino em que a coroa e o cetro já estavam devidamente entregues a um jovem rei.

Após reinar por quinze anos como o melhor “center-half” que o Brasil viu em seus campos, Danilo Alvim chegou em Natal, terra dos Reis Magos, para tocar o time do ABC FC, onde Alberí fora coroado pelos súditos e com uma Bola de Prata em 1972.

Foi ele, Danilo, xará do uruguaio Menezes, que era também uma espécie de conselheiro do craque-rei (inseparáveis na troca de passes), quem chefiou a equipe, em 1973, naquela que foi a maior excursão que um clube brasileiro já fez por três continentes.

Pena que a cidade não soube colher para a sua própria história um pedaço do legado do cara que foi ungido o príncipe do futebol brasileiro alguns anos antes de se iniciar o reinado perpétuo de Pelé. A presença de Danilo Alvim em Natal merecia mais glamour.

Minha geração e as posteriores testemunharam grandes momentos de superação de alguns craques. Vimos Tostão lutar contra a quase cegueira, Zico vencer o raquitismo, Reinaldo correr com os joelhos em frangalhos e Ronaldo retornar algumas vezes.

Mas, nada, nada mesmo, em se tratando do mundo da bola, foi tão trágico e ao mesmo tempo tão alentador do que o roteiro real da vida de Danilo Faria Alvim, um gênio do meio campo que provocou na função de volante uma revolução no futebol do Brasil.

Pouco tempo após sair do juvenil, com 19 anos, magro e esticado como um espanador da Lua, mas já respeitado no mundo dos titulares, Danilo se viu literalmente cortado da prática esportiva. Um automóvel fraturou suas duas pernas em trinta e nove lugares.

Para a equipe médica que o atendeu na fatídica tarde de 1941, seria humanamente impossível voltar a jogar bola, sendo mesmo pouco provável recuperar os movimentos normais. O gesso e a incipiente fisioterapia duraram dezoito intermináveis meses.

Mas Danilo era mais que um craque, era um predestinado, que além do talento monstruoso tinha determinação e perseverança. Não havia sido à toa que meses antes do acidente, o técnico Flávio Costa o havia chamado para completar a seleção carioca.

Juvenil do América, o rapaz arrebentou nos treinos e logo já estava entre os titulares do selecionado do Rio de Janeiro para o Campeonato Brasileiro. Durante os treinos, cabia a Danilo marcar um amigo, meia-direita do Flamengo, num duelo que faria história.

O nome do colega era Zizinho, que com ele dividiu a cena carioca ao meio com embates entre América e Flamengo – e depois Vasco e Flamengo – levando as arquibancadas à loucura. Também juntos eles sofreram na tragédia do “Maracanazo”, na Copa de 1950.

Obviamente que a fotografia mais trágica daquela hecatombe é o segundo gol uruguaio, de Ghiggia; mas as imagens mais tristes são de Zizinho, amparado pelo goleiro rival, Máspoli, e de Danilo, em choro inconsolável carregado pelo locutor Jaime Moreira.

A trajetória mágica do futebol de Danilo Alvim, o príncipe que regia orquestras como o Vasco campeão sul-americano de 1948 e tetra carioca em 1947, 1949, 1950 e 1952, ou como a própria seleção brasileira daqueles anos, merecia o título mundial perdido.

Pouquíssimos volantes até hoje jogaram com a sua sabedoria, categoria e precisão técnica. Ele antecipou-se em décadas ao estilo dos meias armadores que marcam os atacantes inimigos e ao mesmo tempo compõem um trio de ataque na busca do gol.

O esplendor do seu jogo foi no América, no biênio 1944 e 1945, e no Vasco, entre 1946 e 1954, quando tornou-se ídolo dos torcedores de todas as camisas e que admiravam o espetáculo das suas jogadas, principalmente durante os duelos imortais com Zizinho.

A história de uma rivalidade em campo e sólida amizade fora de jogo começou muito cedo e registrou um episódio singular. Seu pai, Alcídio (conta João Máximo no livro Gigantes do Futebol Brasileiro, editora Lidador, 1965), era fã do garoto do Flamengo.

Um dia ambos trocaram pernadas no gramado e foram expulsos, tendo ainda Danilo que se explicar em casa quando o pai quis saber o porquê da briga. “eu e o Ziza só nos estranhamos”, disse, e ouvindo na bucha, “saiba que filho meu não estranha o Ziza”.

Quando regeu o ABC de Alberi, Danilo Alvim deixou na minha lembrança de garoto a impressão de que Natal viveu com ele a magia de um quarto mago seguindo estrelas por sobre nossas dunas. Por um instante a cidade foi presépio de um velho príncipe. (AM)

 

Troféu corrupção
Será conhecido nesse domingo o vencedor da segunda edição do troféu Algemas de Ouro, destinado ao político considerado o maior corrupto do ano. Mais de 23 mil votos definirão o dito cujo de 2012, entre Luiz Inácio, Demóstenes Torres e Eduardo Azeredo.

Agenda
Entre Davos e o Nordeste, Dilma optou pelo segundo destino para construir uma agenda positiva. Pelo menos por aqui não haverá provocações quanto às críticas que seu governo vem recebendo da BBC, Financial Times, The Economist e Le Monde.

E o Rio, hein?
Mortes provocadas por chuvas, centenas de desabrigados, verbas para enchentes desviadas no córrego da corrupção, professores com salários atrasados. Como se vê, nos governos de Sergio Cabral e Eduardo Paes o Rio de Janeiro continua indo…

Galinhada
O Ministério Público e a Polícia Federal não devem nem podem se deixar levar pela imagem do fracasso no jantar que a juventude petralha de Brasília promoveu em favor dos mensaleiros. Como tudo no PT é caixa 2, deve ter havido muita grana por fora.

A ponte
Até agora, silêncio glacial dos petistas de Natal com a confirmação do desvio de milhões de reais das obras da ponte Newton Navarro, promovido por gente do PSB durante o governo Wilma de Faria que foi apoiado pelo PT de Fátima e Mineiro.

Secretário
“A candidatura oficial do partido é do Fábio Faria”. Aspas do deputado federal Guilherme Campos (SP), líder do PSD na Câmara, em contraposição aos interesses de outros dois colegas da legenda que querem a vaga de secretário na nova mesa diretora.

Arengueiro
Impressiona a postura do cientista Miguel Nicolelis diante da opinião do potiguar Gustavo Rocha e do paulista Herton Escobar. Tudo de positivo que ocorre com ele, faz questão de registrar no Twitter em forma de birra, como vingança contra ambos.

Projetos
Durante a semana, quando um projeto do seu grupo científico foi publicado na Nature, Nicolelis preferiu publicar provocações vaidosas do que tratar com a importância que o assunto merece. Apesar da grande imprensa nacional ter ignorado totalmente o fato.

Pirataria
Já está provocando bate-bocas e até troca de sopapos a venda de DVDs genéricos em cópias de má qualidade via internet ou capturadas por celulares nas salas de cinema. O poder público só irar tomar providências quando alguém ferir outro alguém.

Roubo
As empresas de telefonia celular estão roubando descaradamente o povo brasileiro, sem que o governo federal demonstre um apoio mais rígido aos órgãos de defesa do consumidor, hoje afogados em milhares de queixas contra TIM, Oi, Vivo e Claro.

Futebol
Gerou boa resenha virtual, ontem, no Facebook, a pergunta que lancei aos amigos seguidores: Pra que serve mesmo ser campeão carioca, paulista, pernambucano, baiano, gaúcho, mineiro, piauiense, alagoano, paranaense, goiano, cearense ou potiguar, hein?

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