O provável e a interrogação

Aos 85 anos, Delfim Netto é um lúcido observador do momento brasileiro. É informativa e prazerosa a conversa desse paulistano…

Aos 85 anos, Delfim Netto é um lúcido observador do momento brasileiro. É informativa e prazerosa a conversa desse paulistano de Cambuci. Até chegar ao poder – e como sabia exercê-lo – penou como contínuo de empresa multinacional e professor formado pela Universidade de São Paulo.

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Mestre na análise política e doutor em economia, foi ministro (Fazenda, Agricultura e Planejamento), embaixador na França e deputado de cinco mandatos. Passou por seis partidos durante os anos de atuação contraditória na vida pública – do apoio à ditadura militar à adesão à Nova República. Do início para o final: Arena, PDS, PPB, PPR, PP e PMDB.

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Delfim considera Dilma Rousseff “provável vencedora no inevitável segundo turno” da eleição de outubro. Sublinha, todavia, duas questões a respeito do calendário imediato:

1. O governo enfrenta sérias desconfianças do setor empresarial. Os investidores não se sentem confortáveis com o excessivo ativismo gerencial da Presidente;

2. Ninguém sabe se um segundo mandato será uma aposta dobrada no que não funcionou satisfatoriamente ou se haverá uma correção de rumo.

 

Luzes da cidade
Um candidato na terra de todos os santos, ritmos e cores.
Representante do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) no embate para presidente da República, o senador Randolfe Rodrigues (AP) anunciou visita a Salvador nesta quinta-feira.

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Como fazem vários políticos no dia 16 de janeiro, dos sérios aos mistificadores – ele, por enquanto, incluído no primeiro grupo –, Rodrigues agendou participação na cerimônia pluralista de lavagem da escadaria da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.

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Enfim, se rezar não fizer bem, mal não faz.

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Nova na política
Empresária na sucessão do governador Cid Gomes (*).
Presidente do Centro Industrial do Ceará e do diretório de Fortaleza do PSB, Nicolle Barbosa (foto) entra na lista de pré-candidatos ao Executivo estadual.

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Incentivada por Eduardo Campos, ela ingressou no partido e, agora, consultada pelo pretendente ao poder federal, colocou o nome à disposição do projeto eleitoral do pernambucano.

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(*) Cid tem uma opção feminina para lançar ao governo. É a sua secretária de Educação, Izolda Cela. Ela o acompanhou no trânsito do PSB para o PROS, sigla da coligação de apoio à recandidatura de Dilma Rousseff.

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- Quando deixar, em abril, o Executivo de Minas Gerais, Antonio Anastasia recebe duas missões do PSDB. Vai cuidar de sua campanha ao Senado e da coordenação do programa de governo do presidenciável Aécio Neves.
- O PMN (Partido da Mobilização Nacional) entra hoje em rede nacional de rádio (20h às 20h10) e tevê (20h30 às 20h40).
- Está pronto para lançamento o primeiro volume de ‘Os golpes dentro do golpe: 1964-1969’. É mais um livro do correto jornalista Carlos Chagas. Ele era secretário de Imprensa de Costa e Silva, marechal-presidente da República à época da promulgação do AI-5.
- No Paraná, o PR e o PSB aderem à aliança de apoio à reeleição do governador tucano, Beto Richa.
- Semana passada, duas ligações telefônicas do senador Aécio Neves (PSDB-MG) para o governador peemedebista do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, filho. Ontem, outro telefonema. A iniciativa foi de Cabral. O tucanato pode apoiar a candidatura do vice Luiz Fernando Pezão (PMDB) à sucessão fluminense.
- Ronda do presidente nacional do PT pelo Nordeste. Três capitais no roteiro, ainda nesta quinzena, de Rui Falcão: Fortaleza, Maceió e Salvador.
- Quem retornou dos Estados Unidos, nesta quinta-feira, foi Eduardo Campos. O governador de Pernambuco recebeu, em Washington, premiação do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
- Gilberto Kassab fez hoje uma declaração que depende de confirmação dos convencionais: o PSD está fechado com a reeleição da presidente Rousseff.
- Para refletir: “Quem julga pelo que ouve e não pelo que entende é orelha, não juiz” (Francisco Gómez de Quevedo, escritor espanhol).

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