O PT será eterno enquanto durar o dinheiro dos outros

Por Guilherme Fiuza O Brasil está atrapalhando o comitê eleitoral do PT no Palácio do Planalto. Mas isso não ficará…

Por Guilherme Fiuza

O Brasil está atrapalhando o comitê eleitoral do PT no Palácio do Planalto. Mas isso não ficará assim não. A presidente do comitê, Dilma Rousseff, já reagiu falando grosso. Diante da recomendação para embargo de sete obras federais, por superfaturamento e outras fraudes, Dilma entrou de carrinho no Tribunal de Contas: “Acho um absurdo parar obra”. Se Dilma estivesse reformando sua casa, e os encarregados do serviço começassem a enfiar a mão na bolsa dela, não se sabe se ela também acharia absurdo parar a obra. Mas é totalmente diferente, porque o dinheiro público, como se sabe, não é de ninguém.

Ou melhor: não era de ninguém, na época dos populistas amadores. Agora, com o populismo profissional se encaminhando para 16 anos no poder – mais tempo que o primeiro reinado de Getúlio Vargas -, o dinheiro público tem dono: é do PT. E as obras fraudadas não podem parar, porque fazem parte da campanha para a renovação do esquema em 2014.

Dilma será reeleita, e elegerá com Lula o governador de São Paulo, porque o plano não tem erro: derramar dinheiro aos quatro ventos. País rico é país perdulário (com o chapéu alheio, claro). Seria perigoso se o eleitorado notasse o golpe, mas esse perigo está afastado. Se uma presidente da República defende de peito aberto obras irregulares e não ouve nem meia vaia, está tudo dominado. Nessas horas, o comitê do Planalto acende uma vela aos manifestantes brasileiros, esses revolucionários que entopem as ruas e não enxergam nada. Viva a revolução!

A tropa da gastança está em campo, afinada. A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, deu uma pausa em sua rotina maçante e resolveu dar um palpite sobre política econômica. Defendeu que a meta de superavit primário – um dos fundamentos da estabilidade econômica – só seja cumprida nos momentos felizes. Se o Brasil estiver crescendo bem, ok; se estiver patinando (como agora), o governo fica liberado de fazer essa economia azeda e neoliberal. Não é perfeito? Assim, a grande gestora do Planalto fica liberada para prosseguir com sua gestão desastrosa, sem precisar parar de torrar o dinheiro do contribuinte – uma injustiça, a menos de um ano da eleição.

Essa orquestra petista, com sua sinfonia de palpites aleatórios sobre política econômica, soa como música para os ouvidos dos investidores – que cansaram de botar dinheiro em mercados seguros e confiáveis e estão à procura de ambientes bagunçados e carnavalescos, muito mais emocionantes. Um dia o pitaco vem da Casa Civil, no outro vem do Ministério do Desenvolvimento, aí o ministro da Fazenda solta sua língua presa para contradizer o Banco Central, que fica na dúvida se segue os gritos de Dilma ou se faz política monetária. É um ambiente animado, e não dá para entender por que os investimentos no país estão minguando. Deve ser falta de ginga dos investidores.

No embalo dessa orquestra exuberante, o Brasil acaba de bater mais um recorde: deficit primário de R$ 9 bilhões em setembro. Deficit primário significa que, sem contar o pagamento de juros de suas dívidas, o país gastou mais do que arrecadou. E a arrecadação no Brasil, como se sabe, é monumental, com sua carga tributária obscena. A ordenha dos cofres públicos vai muito bem, obrigado. E, sabendo que a taxa de investimento é uma das mais baixas entre os emergentes, chega-se à constatação cristalina: as riquezas do país sustentam a formidável máquina de Dilma, seus 40 ministérios e seu arsenal de caridades. Essa é a fórmula infalível para que a permanência do PT no poder seja eterna enquanto dure o dinheiro dos outros.

E vem a divulgação mandrake da inflação pelo IBGE, anunciando um índice “dentro da meta” até outubro, quando na verdade está fora da meta (dos últimos 12 meses, a que importa). A inflação é o principal subproduto da fórmula, mas o Brasil só ligará o nome à pessoa quando a vaca estiver dando consultoria fantasma no brejo.

Relaxe e leia um livro essencial: O livro politicamente incorreto da esquerda e do socialismo, de Kevin Williamson. Você entenderá com quantas bandeiras bonitas se construiu a maior mentira da humanidade. (GF, no site da Época)

 

Os padrinhos
Luiz Inácio e Paulo Maluf sempre tiveram semelhança na prática de comando partidário. Não foi à toa que se tornaram aliados após décadas com o primeiro chamando o segundo de ladrão. E ambos pariram prefeitos paulistanos parecidos.

Deu curto no poste
Maluf elegeu Celso Pita jurando abandonar a política se sua prefeitura falhasse. Foi um desastre para São Paulo e o velho turco continua aí, na base de Dilma. Luiz Inácio elegeu Fernando Haddad, que agora registra rejeição semelhante a do finado Pita.

Datafolha Rio
O deputado Anthony Garotinho (PR) continua liderando a corrida pela sucessão do desastroso Sergio Cabral (PMDB). O marido de Rosinha tem 21% contra 15% de Lindbergh Faria (PT) e de Marcelo Crivella (PRB). César Maia (DEM) tem 11%.

Presidente
O PSOL lançou ontem, durante congresso partidário em Luziânia (GO) a candidatura do senador acreano Randolfe Rodrigues a presidente da República. O parlamentar, que tem voz idêntica a da comediante Consuelo Leandro, é um ácido opositor de Dilma.

Qualitativa
Não foi nada animador o resultado de uma ampla pesquisa do renomado Instituto OIsen, contratado pelo PMDB potiguar. Com exceção de Garibaldi Filho, não há nenhum nome na legenda capaz de encabeçar com segurança uma candidatura ao governo.

Risco
Wilma de Faria (PSB) e Robinson Faria (PSD) precisam medir com muito cuidado se ambos sairão em faixa própria à sucessão de Rosalba Ciarlini (DEM). O eleitorado dos dois se assemelha e se junta, o que pode levar a uma conta de chegada negativa.

Palavra dada
Os auxiliares mais próximos do prefeito Carlos Eduardo (PDT) garantem que sua palavra em favor de Robinson não vai mudar tão facilmente. Mesmo se houver divisão de voto na oposição, o alcaide tem dito que mantém o apoio ao amigo de infância.

Urbanismo
O prefeito Carlos Eduardo tem dois desafios, entre tantos assumidos para recuperar Natal, até à Copa do Mundo: impor ordem no caos do trânsito e dar um aspecto de urbanidade às praias, principalmente Ponta Negra, dos Artistas e do Meio.

Aids
A incidência do vírus HIV na cidade de São Paulo voltou a crescer entre os homens, principalmente entre os homossexuais jovens, entre 13 e 29 anos. Os dados são do último balanço epidemiológico pelo Programa Municipal de DST/Aids.

Aids e dengue
O crescimento da aids em Sampa surge num momento perigoso quando o país prepara a chegada de pelo menos meio milhão de turistas para a Copa do Mundo. Como se já não bastasse a perspectiva de uma epidemia de dengue, como alertam os agentes de saúde.

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    • Ramon Lima

      EU não acredito nessas pesquisas do Garotinho, ele tem um índice de rejeição muito alta.