O que é governar?

Se merecêssemos um Gênesis político, e se fosse escrito por um profeta nosso, daqui mesmo, íntimo como esse mar antigo,…

Se merecêssemos um Gênesis político, e se fosse escrito por um profeta nosso, daqui mesmo, íntimo como esse mar antigo, ele que tantas vezes pregou só, no deserto da mais dura oposição já vivida por um homem ferido de amargura, caberia numa frase sua sempre repetida: Governar é fazer o bem. As suas idéias germinaram e hoje são árvores adultas dando bons frutos. Mas ele, Cortez Pereira, fracassou como um líder político. Acabou cassado como um réu. E morreu de tristeza na sua solidão sem mágoas.

Ora, se era um bom, incapaz do feio e do malfeito, e se tinha as mãos limpas dos gestos contra os fracos, como pôde fracassar? Um visionário no delírio de construir um novo tempo que chegaria com os seus cataventos girando sonhos. Não imaginava que os fracos, unidos, seriam fortes. E mesmo monge a perscrutar as entranhas profundas da alma humana, não viu que os que lhe rendiam fidelidade no poder seriam seus traidores servindo ao novo senhor, num tropel enlouquecido sobre os seus próprios sonhos.

Ontem, como hoje, governar é não ter fórmulas pré-moldadas. Se não é possível amesquinhar o governo deixando que tome a forma dos desejos populistas, também não é mais possível exercê-lo de costas para a opinião pública. Como se bastasse apenas para conquistá-la a persuasão de mensagens com as cores da promessa e os hinos da glorificação. Agora que o povo voltou às ruas, e lá reencontrou seu campo de luta, como sempre fez ao longo da história, não basta cantar e alegrar o coração dos eleitores.

Um governante com consciência política crítica, e mesmo que as tenha, não chegará ao governo com fórmulas na ponta da língua. Saberá ouvir, com serenidade e firmeza, sem temer o desagrado e sem desejar a glória fácil fabricada pelo marketing, muitas vezes fugaz e enganadora, quando nascida das luzes artificiais. Sim, ouvirá. Não para fazer a vontade do povo como um slogan, mas para não agredir a sua pobreza e a sua frustração, afinal liderar é acender uma luz num ato voluntário e a serviço de todos.

Não importa quem chega ao governo: se é o governante de uma banda ou de dois terços, seja lá de que tamanho for. Quem chega ao governo é o governante de todos, fortes e fracos. De quem precisar de saúde, segurança e educação como deveres de Estado. Sonegá-los sob esse ou aquele pretexto é negar os compromissos que assegurou a todos, sem distinção. E porque não sabia, diante do voto secreto – eis a grande beleza dessa arma nas mãos do povo – quem levaria seu nome na ponta dos dedos para votar.

A chegar com a auto-suficiência dos prepotentes que sabem de tudo e anunciando que vão fazer acontecer, é preferível que chegue sabendo dos seus deveres. Eles, se bem analisados e bem planejados, ensinarão os caminhos. Principalmente fortalecerão no governante a certeza de que, em consciência, não terão o direito de errar. Para que o erro seja, claramente, acidente involuntário que a sociedade saberá compreender sem ferir a confiança. Erro consciente não é erro. É preferir em lugar do erro a estupidez.

 

EXCLUSÃO – I

Título da matéria do Valor, de Raphael Di Cunto, na página oito de sexta-feira, oriunda de Brasília: ‘Alves exclui PT de palanque no RN’. E no texto ainda informa que é para acomodar o DEM e o PSDB.

PIORA – II

A decisão do presidente da Câmara Federal é interpretada como um acirramento das relações com o PT, ou seja, com o Palácio do Planalto. E Henrique argumenta: 90% dos prefeitos do PMDB querem Wilma.

ALIÁS – III

Aqui se sabe que é apenas um acordão, mas em Brasília há quem afirme ser um jogo não declarado para evitar crescimento da bancada do PT visando as eleições das mesas do Senado e da Câmara lá em 2015.

VINGANÇA

O agripinismo definiu a sua vingança silenciosa contra Wilma de Faria se ela for candidata de Henrique Alves para o Senado: vai votar em Amanda Gurgel. Mas com isso só vai tirar votos de Fátima Bezerra.

ESTRANHO – I

A entrevista do senador José Agripino na Tribuna do Norte foi, ao mesmo tempo, prestativa ao PMDB, grosseira com Rosalba Ciarlini e deselegante com Fernando Bezerra. E tudo pelo acordo com os Alves.

ACORDO… – II

Aliás, que sairá, numa engenharia montada: o DEM e o PSDB farão uma aliança com os dez pequenos partidos do chamado G-10. Resta saber se esse grupo aceita o DEM e o PSDB ou se basta uma ordem.

TRAMA

Parece uma trama diabólica: Wilma de Faria é candidata ao Senado no chapão do PMDB para evitar que Fátima Bezerra ocupe o lugar. Mas, e por isso, vai enfrentar a própria Fátima numa campanha arriscada.

DESABAFO

De um wilmista com anos de dedicação e sentindo os efeitos da ressaca na própria alma: ‘Wilma não vai trazer Henrique prá gente. Henrique é que está levando Wilma da gente’. E caiu num silêncio profundo.

LIÇÃO – I

De Fernando Henrique Cardoso, ontem, numa frase que retrata com perfeição o acordão político do RN: ‘Não temos coalizão. O que temos é a cooptação. Não estão brigando por um projeto, mas por espaço’.

ALIÁS – II

A frase de Reinaldo Azevedo, também na Folha de ontem, completa a de FHC, quando avisa: ‘O poder, como o entendem os companheiros, só pode ser exercido quebrando a espinha do principal aliado’.

E… – III

As duas resvalam nos lajedos poderosos do PMDB e certeiras atingem Wilma e Carlos Eduardo, aliados que consagram o acordão do PMDB quando se deixam fraturar como únicas duas espinhas da oposição.

CASCUDO

Audálio Dantas conta no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo de ontem, a entrevista com Câmara Cascudo, na Copa de 70, para a revista Realidade. E de como descobriu que ele não gostava de futebol.

SEVERO

Na História Viva n. 125, nas bancas, uma matéria de quatro páginas do primeiro-tenente Rodrigo Moura Visoni, conta como foi o último vôo de Augusto Severo, em Paris, e a morte trágica na explosão do Pax.

DÚVIDA

Seria estapafúrdio alguém admitir a possibilidade do atual vice-governador Robinson Faria ser, de novo, candidato a vice do deputado Henrique Alves? Ou na nossa política cabe tudo e nada fere o raciocínio?

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