O que está em cartaz

Este final de semana promete ser emocionante para os fãs dos livros e filmes do universo de Tolkien, com a…

Este final de semana promete ser emocionante para os fãs dos livros e filmes do universo de Tolkien, com a estreia de “O Hobbit: A Desolação de Smaug”, sequência das aventuras do hobbit Bilbo na Terra Média. Continuam em cartaz o delicioso drama “Última Viagem a Vegas” (vejam na seção Filme da Semana), o suspense “Carrie: A Estranha”, a comédia nacional “Crô – O Filme”, e a ficção-científica “Jogos Vorazes: Em Chamas”. Nas programações exclusivas, o Cinemark exibe o romance “Como Não Perder Essa Mulher”, a animação “Um Time Show de Bola”, e o nacional “Tatuagem”, na Sessão Cine Cult, enquanto o Moviecom mantém a comédia “Vovô Sem Vergonha”, e o blockbuster “Thor – O Mundo Sombrio”.

 

Sessão Cine Cult: “Tatuagem”
Recife, 1978. Clécio Wanderley (Irandhir Santos) é o líder da trupe teatral Chão de Estrelas, que realiza shows repletos de deboche e com cenas de nudez. A principal estrela da equipe é Paulete (Rodrigo Garcia), com quem Clécio mantém um relacionamento. Um dia, Paulete recebe a visita de seu cunhado, o jovem Fininha (Jesuíta Barbosa), que é militar. Encantado com o universo criado pelo Chão de Estrelas, ele logo é seduzido por Clécio. Ao mesmo tempo em que Fininha convive cada vez mais com os integrantes da trupe, ele precisa lidar com a repressão existente no meio militar em plena ditadura. A direção é de Hilton Lacerda. “Tatuagem” será exibido na terça-feira (17/12) e quinta-feira (19/12), na Sala 3 do Cinemark, na sessão de 19h10. Classificação indicativa 16 anos. (T. O.: “Tatuagem”)

 

Estreia 1: “O Hobbit: A Desolação de Smaug”
“O Hobbit: A Desolação de Smaug” é o segundo filme da trilogia de adaptação da obra-prima The Hobbit, de J.R.R. Tolkien, e dá continuidade à aventura de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) em sua épica jornada com o Mago Gandalf (Ian McKellen) e treze Anões, liderados por Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage), para o Reino dos Anões de Erebor. Bilbo, os anões e Gandalf continuam sua jornada depois de serem salvos pelas águias nas Montanhas Sombrias e se encontram com Beorn, um troca-pele, que pode se transformar em um urso enorme. Depois disto eles continuam até a Floresta das Trevas, onde Gandalf os abandona para tratar de “assuntos pessoais” (na verdade ele e Radagast vão atrás da resposta sobre o Necromante, e acabam achando mais do que esperado). Os anões e o hobbit seguem sozinhos por dentro da floresta escura e assustadora até que são surpreendidos pelas Aranhas Gigantes, mas Bilbo com a ajuda de seu anel os salva, mas acabam sendo capturados pelos elfos da floresta. Eles precisam roubar Smaug, um dragão que há muito tempo saqueou o reino dos anões do avô de Thorin e que desde então dorme sobre o vasto tesouro. A direção é de Peter Jackson. “O Hobbit: A Desolação de Smaug” estreia nesta sexta-feira, nas Salas 2, 6 e 7 do Cinemark, e nas Salas 6 e 4 do Moviecom. Classificação indicativa 12 anos. Cópias dubladas e legendadas, 2D, 3d e HFR. (T. O.: “The Hobbit : The Desolation of Smaug”)

 

“Anselmo Duarte – O Homem da Palma de Ouro”
Não contente em ter sido o maior galã de nosso cinema, Anselmo Duarte também se tornou um consagrado diretor, que fez sucesso logo na sua estreia, com “Absolutamente Certo!”. E com seu segundo filme, “O Pagador de Promessas”, conquistou a Palma de Ouro em Cannes, um feito até hoje único em nossa História – e que nunca foi aceito pelos intelectuais. Polêmico e até desbocado, Anselmo não tem meias-palavras quando revela sua trajetória na vida e na carreira, em depoimentos gravados em sua casa, no interior de São Paulo, pelo ilustre crítico e jornalista de cinema Luiz Carlos Merten. 272 p – Ed Imprensa Oficial.

 

Filme da Semana: “Última Viagem a Vegas”

A primeira notícia que ouvi sobre “Última Viagem a Vegas” é que seria um “Se Beber Não Case” da terceira idade. Tirando o fato de se tratar de uma despedida de solteiro em Las Vegas, as semelhanças terminam aí. Enquanto “Se Beber Não Case” é um besteirol repleto de cenas inverossímeis e humor escatológico, “Última Viagem a Vegas” é um delicioso retrato de como os sentimentos e emoções continuam presentes, independentemente da idade que se tenha.

Talvez muitos brasileiros não entendam essa ligação de Las Vegas com bebedeiras e casamentos. Fundada no início do século 20, Las Vegas fica no meio do deserto de Nevada, uma região extremamente quente no verão e bastante fria no inverno. Em condições tão inóspitas, a cidade vive do entretenimento adulto, de jogos de azar, shows, e, principalmente, da fama de que lá tudo pode acontecer. Como diz o bilhete da mulher de um dos personagens, junto com um Viagra e um preservativo, “tudo o que acontece em Vegas, fica em Vegas”. É como se fosse Carnaval o ano inteiro, onde se “mete o pé na jaca” pelo menos uma vez. Claro que a realidade é bem diferente, mas considerando que se está em um país onde alguém pode ser preso por beber uma lata de cerveja em público, qualquer coisa a mais que isso é considerado liberdade extrema.

Nos anos 1950, quatro garotos do Brooklin, um dos cinco bairros de Nova York, são tão amigos que se autodenominam “Quarteto Flatbush” enfrentam até os rapazes mais velhos e barra pesada do lugar. Dois deles, Billy e Paddy disputam as atenções de Sophie (Olivia Stuck), a mascote do bando.

Cinquenta e oito anos depois, os amigos estão dispersos pelo país, cada um com uma situação bem diferente. Billy (Michael Douglas), único solteirão do grupo, vive em uma bela casa em Malibu, com uma namorada quarenta anos mais jovem. Paddy (Robert De Niro) que casara com Sophie, ficara viúvo há menos de um ano, e vivia em um apartamento em Nova York, assediado por uma vizinha e cercado de fotos da falecida mulher. Archie (Morgan Freeman), ex-militar da Força Aérea, recuperava-se de um infarto, cercado de cuidados pelo filho Ezra (Michael Ealy). Sam (Kevin Kline) vive um casamento de quarenta anos sem novidades.

O que muda na vida do grupo é a decisão de Billy de casar com a namorada – e o pedido é feito durante o velório de um amigo. Ao comunicar o fato para Sam e Archie, estes decidem fazer uma despedida de solteiro em grande estilo, em Las Vegas. O problema é que o outro membro do grupo, Paddy, está sem falar com Billy, devido a este não ter comparecido ao funeral de sua mulher.

Sam e Archie decidem fazer tudo para reunir o velho bando. Sam recebe da mulher o tal bilhete que mencionei acima, com a recomendação de que ela não queria saber de nada que ele faria. Sam resgata Archie de sua casa, onde era mantido sob a severa vigilância do filho, e os dois convencem Paddy a viajar com eles.

O encontro com Billy leva a inevitáveis discussões com Paddy, que não perdoa o outro por ter faltado ao enterro da mulher. Mas, a reunião com os amigos, o ambiente de Vegas, e o encontro com a encantadora Diana (Mary Steenburgen), uma ex-advogada que virou cantora por prazer, cria uma nova atmosfera. Também ajuda o fato de Archie ter ganhado uma pequena fortuna no cassino, o que os transforma em celebridades momentâneas.

Algumas situações fazem segredos serem revelados, principalmente quando Billy e Paddy voltam a disputar a mesma mulher, mas, o que prevalece acima de tudo é a amizade e respeito que existe entre eles.

“Ultima Viagem a Vegas” não pode ser classificado como uma comédia – pelo menos considerando-se o tipo de filme deste gênero que tem sido lançado nos últimos anos. Contudo, o desenrolar da história traz um rol de cenas divertidas, que se não arrancarão gargalhadas, deixarão o espectador com a alma um pouco mais leve. Nunca antes um grupo de adoráveis “feras” do cinema se reuniu em um só filme para fazer piada até das próprias fraquezas.

Prefiro considerar este filme um drama leve, onde as dificuldades da idade são expostas com delicadeza, mostrando que muitas situações não são diferentes das pessoas mais jovens, quando se trata de amor, sexo e desejo, apenas com uma ótica bem diferente, devido às debilidades de um corpo castigado pelos anos.

“Ultima Viagem a Vegas”, acima de tudo, é uma parábola à amizade e ao espírito imorredouro de juventude, que independe da idade. Como disse um educador brasileiro, “idoso é quem tem idade, velho é quem deixa de aprender”. Talvez muitos de nós, velhos ou jovens, tenhamos a aprender com este filme.

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