O que a telinha ensinou – Walter Gomes

Se o propósito era discutir ideias e projetos dos candidatos ao Palácio do Planalto, falhou o Jornal Nacional, da TV…

Se o propósito era discutir ideias e projetos dos candidatos ao Palácio do Planalto, falhou o Jornal Nacional, da TV Globo. Em vez de entrevistadores, o telespectador deparou-se com inquisidores. Eles transformaram a bancada de jornalismo em tribuna de cobrança. E nem sempre de forma adequada: a curiosidade respeitosa e não a insistência indelicada.

Nada contra os assuntos da pauta. Abordavam temas inseridos na ordem do dia da pátria amada, idolatrada, salve, salve. Cobra-se, sim, o que deixou de ser incluído. Educação, saúde, segurança e transporte coletivo ficaram (quase) fora do questionário.

Os dois apresentadores não foram parciais, porém. Agiram da mesma forma com os cinco que por lá passaram. De todas as entrevistas, a de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no dia seguinte, produziu, pelo menos, um slogan para a campanha de Marina Silva, a acriana que lhe substituiu na cabeça da chapa para presidente da República:

“Não vamos desistir do Brasil”.

Sobre o ungido

O ministro da Fazenda no hipotético governo do tucanato.

Ao anunciar a opção por Armínio Fraga (foto), Aécio Neves desenhou o roteiro da política econômica se chegar à Presidência da República.

Para o mercado, boa escolha; para o mundo político, personagem polêmico; para o contingente de eleitores, indiferença.

Doutor em Economia, Fraga integra o conselho de administração do Unibanco e é o maior acionista da empresa Gávea Investimentos.

No serviço público, dirigiu o Banco Central no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Busca de apoios

Roteiro dos principais presidenciáveis, nesta quinta-feira.

Agenda de Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) foi com empregados; de Marina Silva (PSB) com patrões.

O tucano atuou em São Paulo. Na capital, sentou à mesa do café da manhã de operários da construção civil. Às 20h, faz comício em Campinas.

Na primeira hora da tarde, a petista esteve na Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, em Brasília. À noite, reúne-se com o Conselho Político de sua campanha.

Pauta da socialista em Sertãozinho (SP): às 14h, encontro com empresários da indústria sucroalcooleira e, em seguida, visita à XXII Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética.

Aposta no tempo

“É apenas uma imagem virtual”.

Observação-depoimento de Alberto Goldman (PSDB), ex-governador de São Paulo, a respeito de Marina Silva.

– Goldman, conforme as pesquisas, ela ultrapassou Aécio Neves e ganharia de Dilma Rousseff no segundo turno…

Antes de a repórter da TV Record concluir o questionamento, o entrevistado proclamou o veredito:

“Logo, será desmitificada.”

Leitura Dinâmica

– Na Bahia, consolida-se o retorno de Paulo Souto (DEM) ao governo. Apesar do crescimento de Rui Costa (PT), de 8% para 15%, a expectativa é de o democrata se eleger no primeiro turno.

– Tensão no Palácio do Planalto. Assunto nos bastidores: a possível derrota da presidente Dilma Rousseff.

– Hoje, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento) apresentam o projeto do Orçamento para 2015. Trata-se da Lei dos Meios para o primeiro ano do governo que for escolhido em outubro.

– Um nome em alta, caso Marina Silva receba a faixa presidencial. Chama-se Walter Feldman, ex-deputado que trocou a social-democracia pelo socialismo.

– Daqui a 37 dias, primeiro turno do pleito para a Presidência da República. Você, leitor-eleitor, já definiu em quem vai votar?

– Atraídos pela remuneração dos altos juros, amplia-se a participação de investidores estrangeiros na dívida do governo da República Surrealista dos Trópicos. Ganham milhões da noite para o dia.

– Para refletir: “O que é necessário jamais é ridículo” (Jean François Paul de Gondi, religioso e memorialista francês).

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