O rei está morto, viva o rei!

Reginaldo Rossi queria ser como Roberto Carlos, mas se vestia e cantava como Elvis Presley no começo dos anos 1960…

Reginaldo Rossi queria ser como Roberto Carlos, mas se vestia e cantava como Elvis Presley no começo dos anos 1960 em Recife. Tornou-se um mito do cancioneiro romântico trilhando o mesmo caminho de outro mito, Cauby Peixoto, pela via do rock.

No tempo dos LPs, lançou capas com sua estampa de Jovem Guarda, mas já apontando nas letras melodramáticas e no ritmo mela-cueca o horizonte brega em que ergueria seu castelo para reinar no coração do povão. Foi maior que Waldick Soriano e Odair José.

Se no memorial das emoções amorosas da classe média há sempre uma canção de Roberto como pano de fundo, a presença do sentimentalismo musical de Reginaldo no peito e cotovelo do povo se confunde com a própria história de cada caso de amor.

Nenhum cantor brasileiro conseguiu se mitificar na cenografia lacrimosa dos bares e cabarés, onde quer que houvesse uma paixão mal resolvida, do que ele. O brega saltou da condição de obra artística de Rossi para ser sua filosofia pessoal, um estilo de vida.

A experiência e o acúmulo de hits sentimentalóides, reproduzindo histórias pessoais das periferias, de gente pobre e maldita, acabaram estabelecendo uma força de alcance generalizado, levando o som brega do rei a embalar as festinhas até das elites.

Reginaldo Rossi jamais impôs uma geografia do palco, cantava nos circos mambembes e nas boates sem alvarás com a mesma paixão e profissionalismo que encarava os luxuosos teatros ou os gigantescos centros de eventos. Seu alvo era sempre o público.

Nas centenas de sucessos que se enraizaram no inconsciente coletivo da nação, principalmente do Norte e Nordeste, ficou o legado emocional da universalização da dor de amor, do sexo sem tabus, dos casamentos findos e refeitos. Descriminalizou o chifre.

As canções sobre dor de corno viraram psicologia de tolerância zero contra a hemoptise da alma, o sofrimento da perda cantado e elevado ao mais alto grau da angústia. Juntada à cachaça formou o unguento musical que anestesia qualquer coração em frangalhos.

Reginaldo tinha PHD em chifrologia e pregava a vulnerabilidade universal à protuberância invisível, não importando a classe social da testa, se rica ou pobre, se burra ou intelectual: “Quando o chifre dói, o diploma cai da parede”, filosofava.

Sua morte hoje, aos 69 anos, deixará os bares do país a meio copo, como panfletaram seus fãs nas redes sociais durante toda a manhã. Eles, mais que ninguém, sabem que para matar essa tristeza só uma mesa de bar, templo sagrado da religião brega. (AM)

 

Topa a parada
Perguntado se formaria uma chapa com a petista Fátima Bezerra (ele governador, ela senadora) e se teria coragem de enfrentar a dobradinha Fernando Bezerra (PMDB) e Wilma de Faria (PSB), Robinson Faria respondeu: “sem medo de ser feliz”.

O suplente
Com a cassação da deputada Larissa Rosado (cabe recurso), sua cadeira deverá ser assumida por Lauro Maia, que acaba de ser condenado a 16 anos de prisão em sentença de primeira instância. Se for preso, repetirá Donadon, entre o Parlamento e a cadeia.

Festa do tapetão
Mossoró tem uma tradição de militância coletiva durante eleições, com as torcidas nas ruas festejando o voto na urna. Nos últimos meses, a tradição continua, só que com as partes comemorando as decisões jurídicas advindas do TRE e de Brasília.

Jogo duro
A volta de Claudia Regina (mais uma) à prefeitura de Mossoró expõe um jogo do Direito, onde as leis são como tetos de zinco, cheias de frestas que deixam passar os fios de luz das conveniências. Tanto Rosalba quanto Larissa podem reverter suas penas.

Diálogo
Entrevistado ontem no Portal No Ar, o vice-governador Robinson Faria disse que um dos grandes erros de Rosalba foi não dialogar com os servidores do governo, com o setor produtivo, com os sindicatos e com os outros poderes, preferindo o enfrentamento.

Natal gordo
O governo Rosalba Ciarlini decidiu ser generoso com o pessoal do Judiciário, Ministério Público e os inativos de todos os poderes com direito ao chamado “auxílio paletó”. Pagou a cada um deles a parcela de R$ 53 mil, depositada em conta.

Prêmio
Publicarei no dia 31 o resultado da segunda edição do Prêmio Jorge Banda de Cultura, instituído aqui na coluna no ano passado em memória do guitarrista Jorge Macedo, um amigo-irmão que partiu cedo. Serão nominados destaques em cinco categorias.

Melhores 2012
Em dezembro de 2012, os cinco homenageados no Prêmio Jorge Banda foram: Camila Masiso (música), Canindé Soares (artes visuais), João Batista Machado (literatura), Anderson Foca (empreendedorismo cultural) e Titina Medeiros (dramaturgia).

Justiça comum
O jurista Carlos Eduardo Ambiel botou lenha na fogueira da CBF em carta ao jornalista ao Juca Kfouri. Disse que o julgamento do STJD que derrubou a Portuguesa e salvou o Fluimense se baseia em artigo que desrespeita uma lei maior: o Estatuto do Torcedor.

Entenda
Diz Juca Kfouri em seu blog: “O ponto crucial é simples: o Estatuto do Torcedor exige que as punições sejam publicadas, como na Justiça Federal, para que tenham validade, algo que a própria CBF admite não ter feito”. Lembrei do acórdão no caso Rosalba.

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