O rito de passagem

Registro de um fato, cuja leitura permite identificar emblemático significado político. Embora tenha patrocinado a ascensão de Arthur Chioro ao…

Registro de um fato, cuja leitura permite identificar emblemático significado político.

Embora tenha patrocinado a ascensão de Arthur Chioro ao Ministério da Saúde, Lula da Silva não vem à posse conjunta dos novos estrelados da administração federal.

Além de Chioro, até o início da semana secretário do setor em São Bernardo do Campo (SP), José Henrique Paim também ganha promoção. De segundo, passa a primeiro na pasta da Educação.

O mais relevante, porém, é a chegada de Aloizio Mercadante à chefia da Casa Civil. E, de pronto, em ano eleitoral.

Toda essa agenda festiva, incluídas as transmissões de cargo, será cumprida nesta segunda-feira.

Por isso, há articulação múltipla – do Planalto e dos personagens coroados – para trazer a Brasília o ex-presidente da República e grão-mestre do PT.

Tido por muitos, e também por ele próprio, como metamorfose ambulante, o senhor Silva pode rever o que foi entendido como “decisão” e aterrissar na capital da República Surrealista dos Trópicos.

Difícil, entretanto, é ele aplaudir o fortalecimento do ambicioso Mercadante no governo de Dilma Rousseff. Se a afilhada-sucessora renovar o mandato, o novo ministro-chefe da Casa Civil vai crescer. E, assim sendo, seus opositores que se cuidem. Ele sonha alto.

Adeus, Congresso

Inocêncio Oliveira (foto) encerra trajetória parlamentar.

No fim do décimo mandato na Câmara Federal, casa que presidiu (1993-1995), o médico pernambucano nascido em Serra Talhada não almeja a recondução.

Oliveira pretende ficar em seu estado, mas, se possível, na atividade política. Aceita ser vice na chapa a governador da coligação liderada pelo PSB.

Deputado da base de Dilma Rousseff, ele apoia a candidatura do desafiante Eduardo Campos, de quem fora adversário.

Pós-escrito: Inocêncio Oliveira começou a militância partidária pela Arena (depois chamada PDS). Na sequência, PFL (hoje, DEM) e PR (o antigo PL).

- Candidato ao Palácio do Planalto, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) arma palanque no Rio de Janeiro. A referência é o professor Tarcísio Motta, pretendente ao governo estadual.

- Segunda-feira, os tribunais superiores iniciam o ano judiciário. No plenário do Supremo, à tarde, sessão de abertura.

- Thomas Timothy Traumann, sucessor de Helena Chagas na Secretaria de Comunicação do governo Rousseff, é ligado ao ex-ministro Antonio Palocci. Jornalista com passagem na Folha de S. Paulo e nas revistas Veja e Época, era porta-voz da Presidência da República.

- Antonio Carlos do Nascimento Pedro vai chefiar a missão diplomática do Brasil no Kuwait.

- Motivo de atrito entre PT e PMDB, o Marco Civil da Internet é tema sublinhado na sessão legislativa que começa dia três de fevereiro. Dois outros assuntos marcantes estão na pauta: Novo Código do Processo Civil e Reforma Tributária.

- Incentive seu filho a ler. Quem lê sabe mais e aprimora a redação, fundamental nos exames vestibulares em curso.

- Eduardo Campos e Marina Silva lançam, terça-feira, as diretrizes de ‘Mudando o Brasil’, Programa de Governo da Aliança PSB-Rede Sustentabilidade. Cerimônia às 10h, no auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados.

- Embora desgastada, Ideli Salvatti (PT-SC) deve permanecer no Ministério das Relações Institucionais. Vigiada, todavia, pela nova Casa Civil (Aloizio Mercadante).

- Nos três maiores colégios eleitorais do país, Aécio Neves, presidenciável tucano, lidera as intenções de voto em Minas Gerais (15,2 milhões de pessoas com título na mão) e cresce em São Paulo (31,3 milhões). O Rio de Janeiro (11,9 milhões) continua a ser problema de dificuldade entre média e alta.

- Joaquim Pinheiro, ágil jornalista da área política, assina a coluna nas duas edições seguintes. Bom fim de semana, e até terça-feira.

- Para refletir: “O melhor remédio para o corpo é a mente tranquila” (Napoleão Bonaparte, militar e político francês).

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